Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Georgiana

Aqui fica uma sugestão de leitura para estes dias de Carnaval (para aqueles que têm umas pequenas férias ou para os que odeiam o Carnaval e seus foliões e se recusam a sair de casa até a Quaresma começar e a normalidade e o bom-senso regressarem), muito adequada quando a candidatura da Hillary à nomeação democrata nos faz tagarelar e escrevinhar sobre a participação das mulheres na política.
Georgiana, Duchess of Devonshire, de Amanda Foreman é a biografia de Georgiana Cavendish, née Spencer (o mesmo Spencer de Diana de Gales e Winston Churchill), duquesa do Devonshire em finais do séc. XVIII e que teria tido muito prazer em participar activamente e oficialmente nas políticas
whigs não fosse o insuperável obstáculo - não, esta desculpa já não se aplica actualmente - do seu género. Assim, participou movendo influências - através do marido e amantes - e emprestando a sua figura e imagem nos comícios
whigs (algo entre o patético e o profético).
Para os mais preguiçosos, ou para aqueles que são demasiado sensatos para aceitarem sugestões de desconhecidas, poderão conhecer a extravagante Georgiana em filme com data de estreia prevista para final do ano, com a Keira Knightley como Georgiana Cavendish. (Vamos esperar que a interpretação seja pelo menos um bocadinho mais inteligente e mais subtil e com mais
verve do que no caso da Elizabeth Bennet no Pride & Prejudice, que eu e qualquer aficionado de Jane Austen nunca lhe perdoaremos.) Mas o filme pode ser um incentivo a lerem o livro antes, pensem bem, ponderem o brilharete que podem fazer com os inesperados conhecimentos sobre a Georgiana (por exemplo o filho gay, será assim retratado no filme?), sobre a
ménage-a-trois no seu casamento ou as dívidas de jogo, sobre as versões iniciais de fazer turismo, sobre o Charles James Fox e o Lord Grey, sobre os duques do Devonshire (a penúltima duquesa foi uma das
notorious irmãs Mitford; só isto dá para horas de conversa). Na dúvida, leiam.
Margarida Pereira, ler qualquer coisa em Chatsworth (que, por acaso, foi Pemberley no filme P&P) é sem dúvida delicioso.
Paulo, oh meu Deus, eu já li o livro há uns anos. Lembrei-me dele agora por causa da Hillary. Mas se tiver mesmo que ser este livro, eu releio-o com todo o gosto. E - once again - muito obrigada pelo convite.
Maria João, tem de pensar em escrever a recensão para a próxima revista Atlântico.
De Margarida Pereira a 31 de Janeiro de 2008 às 09:53
Formidável incentivo à leitura sábia!
Claríssima crítica à Miss Knightley, tão do cego agrado de alguns estupendos da nossa praça - estou aqui a lembrar-me de um, em particular, cujo discernimento e soberba inteligência desaparecem à menção da plavrinha 'Kiera'...-
Melhor do que ler o livro, será lê-lo lá nos prados da senhora duquesa.
A chamada 'escapadinha sanitário-cultural' da praxe. Um 'must' absoluto.
De Camila Carneiro a 22 de Dezembro de 2008 às 04:04
Gente, esse livro vende no Brasil e em portugues?
quero muito ler ! Me respondam por favor, por e-mail ! obrigada ! =)
Comentar post