Domingo, 30 de Dezembro de 2007
Rome is burning, son
Chamem-me de lamechas, mas o apelo de Robert Redford a que lutemos por aquilo que temos por garantido é de facto tocante. O Lions for Lambs não é um grande filme, é tendencioso e profundamente commited. Tem uma agenda explícita do ponto de vista politico-eleitoral, sem grandes subterfúgios. A visão que apresenta da guerra ao terror não é uma novidade,  e a crítica ao Iraque a Afeganistão é  um contínuo deja-vu. E, no entanto, a pergunta que percorre o filme, colocada por Redford no papel de um professor de Ciência Política, é completamente pertinente: por que são os marginalizados do sistema, os mal-amados desta democracia (no caso, um negro e um latino), os primeiros a oferecer-se para lutar por ela?

São eles os better angels da América, que morrem de pé, depois de terem lutado por cada migalha, tendo a coragem de querer melhor. Coragem de mudar o que está errado, ainda que isso signifique alistarem-se para uma guerra que pouco lhes diz. Porque se muda por dentro, tomando parte, e não estando sentado no sofá a chamar de "pedaços de merda" aos Congressistas. Sou mesmo lamechas, mas esta simplicidade ainda me comove.

publicado por Ana Margarida Craveiro
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Comentários:
De David Silva a 31 de Dezembro de 2007 às 20:38
Sempre foram os marginalizados a estar na linha da frente. Por própria vontade(?) ou obrigados, que qualquer das formas, eram estes os que menos tinham a perder - e mais a ganhar.


De Carlos Fernandes a 30 de Dezembro de 2007 às 20:17
Excelente post, já agora acrescento que há pequenos "pormenores" que normalmente não são (casual ou premeditadamente) mediatizados e enfatizados mas que fazem toda a diferença na parametrização da equação do problema em análise: exemplo -: o facto de hoje o exercito americano ser constítuido por "contratados" e "voluntários" ( captados por campanhas de publicidade caríssimas, tenho uma data de "Muscle&Fitness" cuja ultima págima é, inteira, de anuncio do exercito ou marinha americana para a vida militar) e o fim do SMObrigatório fez com que as baixas e a guerra do Iraque seja aceite de forma bem diferente pelas famílias e pela população americana do que aconteceu com a guerra do Vietname...


De Luís Lavoura a 30 de Dezembro de 2007 às 16:11
teste


De Luís Lavoura a 30 de Dezembro de 2007 às 16:12
“por que são os marginalizados do sistema, os mal-amados desta democracia (no caso, um negro e um latino), os primeiros a oferecer-se para lutar por ela?”

Porque nos EUA (e, hoje em dia, em Portugal também) lutar não passa de uma profissão, relativamente bem remunerada aliás. Não se luta por amor à camisola, mas sim por amor à remuneração.


De Miguel Madeira a 30 de Dezembro de 2007 às 13:05
"por que são os marginalizados do sistema, os mal-amados desta democracia (no caso, um negro e um latino), os primeiros a oferecer-se para lutar por ela?"

Por terem um menor custo de oportunidade?


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