Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
O outro lado do espelho

Cada vez mais, Portugal é um país imaginário. Na entrevista da semana passada, Sócrates falou para um Portugal que é europeu, informatizado, desenvolvido. Esquece-se do outro país, que acorda às 3 da manhã na margem sul para apanhar autocarros para os três empregos que tem em Lisboa, no limite da sobrevivência. O Portugal que não sabe ler nem escrever, e é cada vez mais excluído, à medida que perde consecutivamente o comboio da marcha inexorável da tecnologia. O Portugal das crianças mais pobres da União. O Portugal de velhos e doentes, e de muita, muita gente desempregada.


Sócrates, como a maioria dos restantes políticos, vive num país utópico: o país que podíamos ter sido, mas que falhámos. Este é um país que reproduz as diferentes velocidades a que se move (uma acelerando para a frente, outra recuando brutalmente), embalado numa estranha anestesia, de simultânea ignorância em relação à realidade e resignação com o que temos.



publicado por Ana Margarida Craveiro
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Comentários:
De Vicissitude(s) a 28 de Fevereiro de 2008 às 10:57
Ana, acrescente que é o País que mais se lamuria da sua "pobreza" e que mais subsidia a pobreza alheia ao invés de lutar e se emancipar do Estado.

Essa do Ranking, Ranking, Ranking, pão aumenta, leite aumenta é converseta para cafés.


De maradona a 28 de Fevereiro de 2008 às 11:07
Moro na margem sul. Quando entrei na faculdade, 1992, demorava 2 horas a chegar ao campo grande. Tinha um colega que, morando em alcochete, que precisava de 2 horas e 45 minutos. Outro, de Setúbal, levava tanto tempo que nem sabia se não era melhor pagar um quarto em lisboa.

Quando acábamos a faculdade, tudo se passava em metade do tempo, no caso do gajo de Setúbal o percurso ficava em 20 por cento do tempo. Nem vamos falar da experiencia com o analfabetismo, ou da saúde o velho hospital de Almada....)

A distância entre a realidade sentida e concretizada com factos, a experiência das pessoas na margem sul (ou de qualquer parte do país) quando pensam daquilo que era e aquilo que é, e o que a comunidade lisboeta, meio intelectual meio a viver num mundo que é só seu, feito mais de estilo que de um esforço de pensar, sinceramente...

A professora doutora ana margarido craveiro que me perdoe, não quero ofender ninguém e respeito toda a gente. Mas, porra, quando é que deixamos e "sentir" o país e essa merdas?


De Manuel Leão. a 28 de Fevereiro de 2008 às 11:27
O problema é que esse país imaginário não é só "propriedade" do Sr. Sócrates. Se fosse não seria dramático.

O pior é que é do Sócrates, do Santana, do Barroso, do Guterres, do Nogueira e muitos mais.


De balde-de-cal a 28 de Fevereiro de 2008 às 11:29
eu e o encenheiro dominical, o grande lider do largo dos ratos (novo flautista de Hamlin), o supra sumo da estética das maisons de vacances, não vivemos no mesmo país. o pobre homenzinho é um neflibata


De maradona a 28 de Fevereiro de 2008 às 11:30
A sério que não queria parecer agressivo e que respeito toda a gente. Relendo o que escrevi, vejo que, além da inundação de gralhas, está com um tom que eu não desejei, por deus, acreditem. Só que como pessoa da margem sul e tal (e não era preciso, basta olhar para as coisas), li o texto do Ana Margarida Craveirocomo uma obra de ficção, como um desejo, com o propósito, meritório mas mesquinho, de atacar Sócrates. Uma pessoa concordará que Sócrates será um pateta, mas é preciso inventar um país e uma história para o país para atacar aquilo que, por ventura, é o primeiro ministro menos dotado de sempre? Não seria vantajoso, primeiro que tdo, olhar e, principalmente, comparar? Muitas vezes é o peixe que não percebe vê a água; neste caso, é o contrário: é a elite de lisboa que não consegue observar o que mudou no país. E são coisas simples, não é preciso distinguir os grandes movimentos da história ou nada dessas merdas.

Com mil respeitos, sinceros
maradona


De maradona a 28 de Fevereiro de 2008 às 11:33
A sério que não queria parecer agressivo e que respeito toda a gente. Relendo o que escrevi, vejo que, além da inundação de gralhas, está com um tom que eu não desejei; por deus, acreditem. Só que como pessoa da margem sul e tal (e não era preciso se-lo, basta olhar para as coisas), li o texto da Ana Margarida Craveiro como uma obra de ficção, como um desejo, com o propósito, meritório, talvez útil, mas, por ter sido concretizado desta maneira, mesquinho, de atacar Sócrates. Uma pessoa concordará que Sócrates será um pateta, mas é preciso inventar um país e uma história para o país para atacar aquilo que, por ventura, é o primeiro ministro menos dotado de sempre? Não seria vantajoso, primeiro que tudo, olhar, e, principalmente, comparar? Muitas vezes é o peixe que não percebe, que não de dá conta, da água; neste caso, é o contrário: é a elite de lisboa que não consegue observar o que mudou no país. E são coisas simples, não é preciso distinguir os grandes movimentos da história ou nada dessas merdas.

Com mil respeitos, sinceros
maradona


De Vicissitude(s) a 28 de Fevereiro de 2008 às 11:50
Eu acredito, já que é por "Deus".

Não ligue muito ao que a Anita escreve, porque ela vive disto Maradona.
Há muito que esta classe vive do "tiro ao Ministro", sabe que todos ganham, falar mal do Governo é negócio em alta, lucra e todos se identificam.


De Carlos Fernandes a 28 de Fevereiro de 2008 às 12:14
Caros,

Já aqui comentei neste interessante Blog por diversas vezes. Ora neste caso deste Post, com o qual concordo, importa é ir ao fundo da questão: e a questão é que de facto Socrátes não presta, mas não se vislumbram alternativas de políticas (porque de caras, é fácil, basta mudar os protogonistas).

E a grande questão é: não há verdadeiras alternativas de políticas, porque a grande comunicação social, como as tv´s e os jornais nacionais, que é quem manda neste país, só apoia candidatos a Primeiros Ministros que comportem políticas balizadas nos carris que ela (comunicação social) define.

Assim sendo, hoje em dia só vejo uma real alternativa a esta situação, que já não tem a ver com o Partido A ou B, mas vai mais fundo: essa alternativa chama-se Alberto João Jardim, manifestamente o único político português que compreende e não se acobarda perante a ditadura que hoje os Me(r)dia impuseram a Portugal ( e não só, passa-se o mesmo em muitos países).

Donde, se o dono deste Blog o permitir, daqui lhe faço um apelo, caso na Madeira também leiam este Blog, Dr. A.J.Jardim venha aqui para Lisboa meter isto nos eixos!


De Vicissitude(s) a 28 de Fevereiro de 2008 às 12:29
AHHHH GRANDA CARLOS!!!!!!

Descobriu OURO.

E sim, vamos mudar de protagonistas e vamos criar um tribunal popular, com cadafalso!
Sabe o que custa mudar um Ministro?
Sabe que instabilidade provoca MAIS instabilidade? Sabe que leva à desresponsabilização?

Essa de que os media mandam todos nos sabemos, temos é de identificar e a partir de agora AVANÇAR, pedra sobre pedra. Tirar ministros como este caso dos professores que têm o rabo a arder não leva a nada, porque as medidas são as mesmas.


De Jorge Silva a 28 de Fevereiro de 2008 às 12:59
Parabéns pelo texto à autora. De resto, fora o generoso maradona, vê-se que os assessores do costume andam por aqui a defender a sua dama, perdão, o seu primeiro-ministro Sócrates. Vergonha na cara!


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