Sexta-feira, 28 de Março de 2008
Façam o exercício completo, s.f.f.
Ouvi hoje o Primeiro-Ministro dizer que a baixa de IVA de um por cento é boa notícia para os mais pobres, porque os que têm dinheiro não sentem estas diferenças da mesma forma. O PM disse uma coisa óbvia e, por uma vez, acertada. A proporção dos rendimentos gasta em consumo é muito maior para quem tem baixos rendimentos do que para os mais endinheirados - toda a gente, pobre ou rica, tem de almoçar, vestir-se, pagar uma casa e atender a demais necessidades essenciais.
Pela mesma e correctíssima lógica (seria sinal de honestidade reconhecer) a subida do IVA em 2% em 2005 foi uma medida tanto mais penalizadora quanto mais pobres eram os consumidores. Será isto a que o Governo se refere quando apregoa ser o Governo com mais medidas de cariz social desde a criação do mundo?
Cara Maria,
A sua lógica está correcta partindo do mesmo ponto de vista do Senhor Primeiro Ministro.
No entanto, o IVA é algo que se aplica aos bens transaccionados; quem mais transacciona é quem mais dinheiro tem e pode movimentar. Portanto, quem mais desconto terá será quem mais rico for...Certo?
Por outro lado, em cada bem que valha € 1 ( um euro) passará a ser vendido por € 0,99 ( menos um cêntimo - embora a unidade se divida em avos -, alguém adoptou o estrangeirismo). Se esse valor não for corrigido pelos comerciantes, nesse € 1 (um euro) o cêntimo que fica significará um aumento do preço, logo um aumento da inflacção por via dos preços, certo?...
Julgo que nada mudará. Muita publicidade e pouca fruta...ou como diria um famoso autor britânico, tanto barulho para nada.
Com estima,
João
Post Scriptum: A Atlântico está mais verde...será influência do sapo?...
Caro João, a questão (minha e do PM) não era de quem paga mais IVA, se quem compra roupa na H&M ou quem vai às lojas da Av. da Liberdade, porque claro que quem compra produtos mais caros paga mais IVA. A questão é que quem tem rendimentos elevados gasta uma menor proporção desses rendimentos em consumo, mesmo que em termos absolutos consuma muito mais, do que quem tem baixos rendimentos.
Imagine um casal com rendimentos de 2000€ mensais e dois filhos; imagine ainda que pagam 500€ por mês ao banco pelo empréstimo da casa; dos restantes 1500€ provavelmente gastam tudo em cada mês em bens de consumo taxados com IVA. A proporção do consumo no rendimento deste casal é de 75% do rendimento. Agora suponha que o mesmo casal tem rendimentos mensais de 10.000€; mesmo que consuma por mês 4000€ (que é muito mais que os 1500€ da alternativa anterior) a proporção do consumo no seu rendimento é apenas de 40%.
Um imposto que taxe o consumo é mais penalizador para os mais pobres do que para os mais ricos. Isto não implica que um aumento no IVA não torne bens de luxo ou acessórios tão caros que alguns consumidores que tinham acesso a comprá-los deixem de ter e, assim, haja uma contracção (mesmo que pequena) também neste mercado. Em Portugal aconteceu algo nestes moldes.
De
Migas a 31 de Março de 2008 às 11:07
toda a gente, pobre ou rica, tem de almoçar, vestir-se, pagar uma casa e atender a demais necessidades essenciais.
O problema é que a taxa máxima de IVA não incide sobre isso, excepto roupa. Uma baixa de impostos é quase sempre positiva, e até no caso de um imposto indirecto como o IVA isso vai acabar por se repercutir no rendimento disponível das pessoas, mas o argumento de que esta diminuição beneficia especialmente os mais pobres é incorrecto.
Caro Miguel, Só agora li o seu comentário. A lista de bens referidos era ilustrativa de bens que todos têm de adquirir independentemente do nível de rendimentos e não dos bens taxados a 21%.
O resto não entendi. Se, como diz, uma diminuição do IVA (ou de outro imposto) aumenta o rendimento disponível, isso não é particularmente benéfico para quem tem rendimentos mais baixos?! (Além de que quem ganha o salário mínimo paga proporcionalmente ao seu rendimento mais IVA do que quem ganha muito mais.)
De Panaxginseng a 4 de Abril de 2008 às 09:29
Eu fiz eu fiz... estaa aqui:
http://farmaciacentral.wordpress.com/2008/04/04/se-o-iva-fosse-apenas-um-imposto-indirecto-1/
Mas como ee que isto se pode explicar... mmm... ajuda clarificar que o grau de regressividade (injustica social) nao depende da taxa uunica que o teu exerciicio em cima implica?
bem, ee melhor ficar por aqui...
João Pedro, o meu exercício de contas pretendia versar sobre a propensão para o consumo de diferentes níveis de rendimentos. Não pressupunha nenhuma taxa única, pelo que não vejo a necesidade de responderes a um exercício que eu não fiz.
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