Segunda-feira, 31 de Março de 2008
Em defesa da função social do telemóvel


Enquanto levava as crianças à escola, ouvi na TSF que na Carolina de Michäelis se preparam para proibir a utilização de telemóveis na sala de aula. Chamam-lhe "tolerância zero" e todos os telemóveis que forem apanhados serão confiscados e entregues mais tarde aos pais. Os que não forem recolhidos pelos encarregados de educação  serão entregues a instituições de caridade - a notícia, vejo agora, é do Jornal de Notícias.

Tenho sérias dúvidas sobre a utilidade desta medida. Recordo que se não fosse aquele telemóvel ligado do "denodado documentarista" - na expressão feliz de Rui Ramos - ninguém saberia hoje de mais esta história de agressão a um professor. Para quem, como eu, trabalhou durante alguns meses na Comissão de Educação da Assembleia da República, não é novidade este tipo de comportamento de alunos - há escolas em que, em vez de telemóveis, preferem levar armas brancas para ameaçar e agredir professores, contínuos ou outros alunos. A mim parece-me que o telemóvel teve uma função social em todo este rocambolesco episódio: fez com que muito boa gente deixasse de ignorar uma realidade incontornável das escolas portuguesas. Sim, há violência. Não, a culpa não é dos telemóveis.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Comentários:
De jmvfaria a 31 de Março de 2008 às 11:20
Foi um oportuno telemóvel. É uma medida radical.


De António Carlos a 31 de Março de 2008 às 12:22
Caro PPM,
"Sim, há violência. Não, a culpa não é dos telemóveis."
Tal como no teatro, no cinema ou en conferências os telemóveis são acima de tudo uma fonte de perturbação. Para lidar com essa perturbação na sala de aula é necessário o exercício de autoridade (numa conferência, por exemplo, costuma ser suficiente a crítica social) e desse exercício pode resultar o conflito, que por sua vez pode resultar em violência.
Assim, a utilização do telemóvel na sala de aula, para além de ser uma falta de educação, é um factor potencial (como muitos outros) de violência.

"Recordo que se não fosse aquele telemóvel ligado do "denodado documentarista" - na expressão feliz de Rui Ramos - ninguém saberia hoje de mais esta história de agressão a um professor."

Se se pretende a utilização filmagens da sala de aula como factor dissuasor/divulgador da violência, então que se assuma a necessidade de instalação de equipamento de filmagem nas salas.
Apesar de todos as questões que esta medida encerra (inclusivamente éticos) talvez assim alguns pais passassem a acreditar no comportamento reportado pelos professores dos seus filhos.


De Paulo Pinto Mascarenhas a 31 de Março de 2008 às 12:37
Concordo com o que diz no essencial, caro António Carlos. Espero porém que não se arranjem pretextos para instalar câmaras de filmagem nas salas de aula. O que eu escrevo é que o culpado não é o telemóvel. Se quiserem arranjar culpados têm de procurar no interior do Ministério da Educação, por exemplo.

Cumprimentos.


De Anónimo a 31 de Março de 2008 às 15:29
Acha,portanto,que aquilo foi uma cena de violencia?


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