Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
O nojo do etanol
O subsídio agrícola é um prática que enoja. Dá asco.

Uma vaca europeia recebe cerca de $900 por ano.  É mais do que o per capita  de um africano. Além de impedir a importação de leite africano para a europa, estes subsídios têm outro efeito: os europeus exportam ao preço da uva mijona leite em pó para África. Os africanos que - numa primeira fase - são impedidos de exportar para a Europa sofrem - numa segunda fase - o golpe final: nem sequer conseguem vender leite nos seus mercados internos. O leite em pó europeu é mais barato do que o leite "normal" africano. Mas os Bové anti-globalização acham tudo bem. Parece que conseguem dormir bem à noite e tudo.

Os americanos destroem a capacidade africana para produzir algodão através dos subsídios aos agricultores americanos. Os EUA pagam aos agricultores de algodão americanos aquilo que eles nunca conseguiriam fazer no mercado. Com o dinheirinho do estado no bolso, estes agricultores exportam depois o algodão ao preço da uva mijona. Resultado: inundam o mercado mundial com algodão barato, destruindo assim a capacidade dos produtores africanos. Mercado é bom, mas desde que seja a malta a ganhar com isso. Mercado aberto? Só o deles, que o nosso fica fechado...
Estes são os subsídios do nojo convencional.

Agora começa a chegar uma nova geração de subsídios do nojo. Nojo reloaded, portanto: os subsídios para a produção de etanol. E o nojo é este: encher um tanque de gasolina com etanol implica "consumir" o milho suficiente para alimentar uma pessoa durante um ano.
As agências de ajuda alimentar já estão a lançar o SOS: está tudo mais caro (na ordem dos 75%) e as reservas estão a desaparecer. As reservas estão a ir para os tanques de gasolina dos ocidentais preocupados com o sacrossanto Ambiente, mas despreocupados com o destino dos outros homens.

publicado por Henrique Raposo
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