Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Portugal não é um país laico (graças a Deus somos uma democracia não-confessional!)
Não há grande coisa a acrescentar. Portugal não é um país laico. Isso é um facto. A constituição não diz que Portugal é um país laico, nem tem nenhuma razão para dizer. Os países laicos são uma excepção na Europa e no mundo. E mesmo a França, Turquia e México, se tornaram menos laicos à medida que se democratizaram.
Os Católicos, sejam eles bispos ou publicitários, liberais ou observantes, têm o mesmo direito de procurar influenciar o Estado e a sua legislação do que qualquer outro grupo. Concorde eu (ou qualquer um) com as suas opiniões.
O espaço público não é neutro. Está imparcialmente disponível para qualquer tipo de discurso ou convicções, desde que respeitadas regras mínimas (rejeição da coacção e da violência).
Mesmo um Estado mínimo supostamente exercerá uma função reguladora que é natural que todos queiram influenciar de acordo com as suas convicções.
A ideia de que o Estado Português favoreceu sistematicamente sistematicamente a Igreja Católica nos últimos duzentos anos é bizarra.
Privilégios? Em relação a quem? Aos luteranos na Suécia? Que deixaram de ser Igreja de Estado no ano 2000, mas que evidentemente continuam a ser pagos pelo Estado, pois ele assumiu essa obrigação ao confiscar os bens da Igreja (no século XVI)? Ou será em relação aos Católicos franceses, a quem o Estado Francês pagou uma substancial indemnização pela confiscação de bens de 1905?
Talvez algum dia, algum Estado funcional deixe de atribuir subsídios. Até lá, não há nenhuma razão liberal ou democrática para discriminar contra as instituições religiosas.
No entanto, concordo que pedir a Sócrates que controle o laicismo militante no seio do PS é pedir o impossível (e pouco liberal - também eles têm direito a tentar influenciar o Estado). Ele é um líder tão democrático, de um partido tão plural, que nem consegue controlar os que desafiam a sua liderança.
A Igreja Católica é privilegiada em relação a outras confissões religiosas existentes no nosso país. E a Concordata é a maior prova disso.
Porque é que o relacionamento do Estado Português com a Igreja não se processa através da Lei da Liberdade Religiosa?
Porque é que só no ano passado o casamento religioso noutras confissões passou a ter validade como casamento civil? Porque não foi feito antes?
Porque é que nas aulas de Religião nas Escolas Publicas, as confissões não católicas devem ter um mínimo de 15 inscritos, e a Igreja Católica não necessita de um número mínimo de alunos?
Estas são só algumas questões...
No fundo o catolicismo nunca conseguiu superar a sua vocação de fé única e totalitária. Parece que muitos católicos por estes lados ainda estão a digerir as questões de 1910, aliás ainda estão a digerir a questão de expropriação de bens no século XIX...
De
Pedro Sá a 10 de Abril de 2008 às 09:30
Precisamente por o conteúdo factual do que o Bruno diz ser verdade é que Portugal é um Estado laico ! Não aprenda umas coisinhas que não é preciso...
De Pedro a 10 de Abril de 2008 às 10:04
Bruno, vai-me desculpar, mas andou distraido nos últimos duzentos anos ;). Um dia alguém lhe há-de contar histórias acerca da discriminação das outras religiões em relação à Igreja Católica, não nos últimos duzentos anos, mas nos últimos trinta anos. A começar pelas escolas. Só agora começa a haver (pouco) equilibrio. Sabe porque é que a Igreja Católica em Portugal pouco se tem preocupado com o proselitismo, desde sempre? Porque tem tido o Estado a fazer essa tarefa por ela... Isto para começar.
De
bloom a 10 de Abril de 2008 às 11:47
"A ideia de que o Estado Português favoreceu sistematicamente a Igreja Católica nos últimos duzentos anos é bizarra."
Ao ler isto, ia-se escapando da minha boca um sonoro "meu deus". Mas não escapou, pois seria um pouco, como direi... bizarro.
Ha "apenas" a acrescentar o seguinte :
Em virtude do artigo 41° paragrafo 4° da CRP "As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto."
Portanto Portugal é um pais laico. A laicidade apenas significa que o Estado é neutro e separado das Igrejas, que não pode financia-las, nem desenvolver actividades publicas em seu beneficio (ou dos seus adeptos em razão dessa qualidade).
E um facto.
De Anónimo a 10 de Abril de 2008 às 13:03
Antes de se falar em laicidade deveria saber-se alguma coisa acerca do conceito. Manifestamente, não é o aso do autor deste texto.
De Nuno a 10 de Abril de 2008 às 13:15
Parece opinião disfarçada de factos! O que não deixa de ser legitimo. Portugal não é um país laico, concordo. Uma coisa diferente é o Estado ser laico! E mm assim não é o suficiente!
É mais que óbvio que a ICAR tem privilégios (que acha que são direitos, em relação às outras confissões e outras organizações de carácter social). Há uma anormalidade chamada concordata que concede à ICAR uma serie de privilégios alguns até incostitucionais!
Eu acho que a ICAR deve ocupar o seu espaço na vida pública. Não pode, e contará sp com a minha oposição, é tentar impor legislativamente as suas crenças, a todos os portugueses crentes e não crentes! Ou seja a minha liberdade é mais importante que qq crença! Cpmts
De Nuno a 10 de Abril de 2008 às 13:16
E se é graças a alguém, não será concerteza a deus!
De Anónimo a 10 de Abril de 2008 às 17:34
quando se diz que Portugal é laico, estamos a falar de quê? Do Estado? Da sociedade?
Só para ajudar ao debate, aqui fica um link:
Um Estado Laico numa Sociedade Confessional (http://povodebaha.blogspot.com/2005/12/um-estado-laico-numa-sociedade.html)
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