Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
O pedestal da moralidade
A ONU chegou à conclusão que a distribuição de alimentos em África é, de facto, essencial para a ajuda nas crises humanitárias, mas que não serve para resolver o problema de fundo da crise de alimentação no continente. E como ficaram preocupados, criaram um gabinete de crise para a alimentação. O objectivo é garantir que os africanos conseguem construir uma rede de produção alimentar. Por seu lado, na UE, a PAC continua a produzir excedentes que, ou são vendidos em África ao preço da uva mijona – e impedem os produtores africanos de vender os seus produtos a preços concorrenciais – ou são destruídos. Já para não referir a euforia com os biocombustíveis que fez aumentar o preço dos cereais. Será que querem realmente resolver o problema de fundo da alimentação em África?
Os africanos apercebem-se, em primeira-mão, que na Europa se vive no pedestal da moralidade, onde só há boas intenções (e poucas medidas). Os europeus podem ter o seu ego cheio, mas isso não enche a barriga de ninguém.

publicado por Alexandre Homem Cristo
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Comentários:
De Abreu a 30 de Abril de 2008 às 22:40
Alexandre,

A questão dos biocombustíveis tem sido muito empolada. Na europa, apenas representam 2% da produção. Como dizes, com tanto excedente (embora a decrescer com a redução dos subsídios à produção), só pode ter pouco impacto. Menor impacto tem no Brasil onde a cana de açúcar não alimenta muita gente (e não milho)...

Uma questão que tem passado ao lado é a dos OGM's. Aí reside pode residir a chave da questão. O problema é que são retratados como massarocas paponas gigantes que transformam tudo em mutantes. Não é o caso, e pode ser parte da solução para África.

Na Europa, onde as regras são muito rígidas, carregamentos de cereais com vestígios de OGM's - sempre inevitáveis - são mandados para trás se tiverem mais de 2% dos tais restos. Impossível evitar dumping dos preços assim.
E as fracas colheitas na Austrália, nos Estados Unidos - mais a mãozinha do Mugabe - ajudam. E o aumento da procura.

É caso para nos martirizarmos? tenho as minhas dúvidas. Mas uma coisa é certa: a UE foi feita sobretudo para conseguir alimentar os seus cidadãos, não podemos fantasiar. E conseguimos. Agora trata-se de corrigir os erros e sair do pedestal, onde também estão os yankees e os japunas.


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