Domingo, 18 de Maio de 2008
Nem privacidade nem segurança

CCTV boom has failed to slash crime, say police

 

A notícia parece-me uma boa oportunidade para republicar o que escrevi sobre a proliferação de câmaras de vigilância em Londres na Atlântico 32, de Novembro de 2007:

 

Nem privacidade nem segurança

 

No seguimento de um pedido de informação por parte do Partido Liberal Democrata, ao abrigo do Freedom of Information Act, foi revelado que o número de câmaras de vigilância financiadas com fundos públicos supera já as 10000, com um custo estimado de cerca de 300 milhões de euros. São números que não deverão constituir surpresa para quem conheça a capital do Reino Unido (a enorme quantidade de câmaras de vigilância foi, aliás, tema desta coluna na Atlântico 16).

 

Mas ainda que os números revelados – que não incluem as muitas câmaras de vigilância privadas – sejam em si mesmos significativos, o dado mais interessante é que a taxa de resolução de crimes nas áreas com mais câmaras de vigilância nas ruas é similar à das áreas que têm menos. Mais sugestivo ainda é o facto de quatro das cinco zonas de Londres com mais câmaras de vigilância terem uma percentagem de crimes resolvidos pelas autoridades inferior à média global da cidade.

 

É certo que estes dados, só por si, são insuficientes para argumentar que a multiplicação das câmaras de vigilância não contribui para melhorar a taxa de resolução de crimes, até porque alguns estudos anteriores apontam para alguns efeitos em zonas onde foram instaladas câmaras. Mas não é menos verdade que as câmaras de vigilância dificilmente poderão ser meios eficazes de dissuasão do crime se não fizerem aumentar o número de casos em que os criminosos são apanhados, diminuindo dessa forma a percepção de impunidade. Assim sendo, os dados agora revelados deveriam levar os mais entusiastas defensores da colocação de sistemas de vídeo-vigilância nas ruas a pelo menos questionar a sua crença nesses mecanismos. Face à invasão de privacidade que os milhares de câmaras nas ruas acarretam e à magnitude dos seus custos, é difícil não pensar que os recursos poderiam ser melhor investidos no aumento do policiamento efectivo dessas mesmas ruas.



publicado por andreazevedoalves
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Comentários:
De Mário a 19 de Maio de 2008 às 00:37
No jornal do Instituto Superior Técnico, também se fala sobre isso.

O artigo: http://diferencial.ist.utl.pt/?p=231

E o editorial: http://diferencial.ist.utl.pt/?p=226


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