Um dos exemplos que fazem de Portugal um país do medo e do respeitinho salazarento é a falta de livros sobre os principais rostos políticos da nossa democracia. Não há boas biografias, livros de memórias políticas (sem exames à coluna em anexo ou auto elogios baratos, como o último de Freitas ou os dois volumes de Cavaco), testemunhos de assessores ou conselheiros sobre a nossa história recente. Nada. Zero. Toda a gente tem muito respeitinho pelos vivos e pais da pátria, donos do regime. A característica mais abjecta desta portugalidade é o "receio das consequências", o medo de confrontar alguém vivo com determinadas opiniões ou factos. Tudo num clima típico de uma sociedade caduca, bafienta e medrosa. Merdosa, é mais o termo. Medo de debate. Medo de suscitar reacções. Medo.
Tirando dois ou três casos por razões tácticas de calendário, pouco ou nada se escreveu sobre Sá Carneiro (um ou dois fraquinhos), Amaro da Costa, Balsemão, Lucas Pires, Eanes, Barroso, Soares (queremos mais), Cavaco (por alguém que não ele ou do seu eterno círculo), Sampaio, Jaime Gama, Sócrates, Portas, etc etc.
É por estas e por outras que eu gosto tanto dos EUA e de Inglaterra. Países com tomates.
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