No seguimento deste meu ‘post’ de anteontem, não posso deixar de salientar que os partidos de direita não podem cair no erro de exigir descida de impostos (nem agora, nem em 2009) sob o risco de perderem a pouca credibilidade que ainda lhes resta.
A única forma de o país ultrapassar a crise em que se encontra é com menos Estado. No entanto, para que esse objectivo seja alcançado, é preciso que se comece por reduzir, não a receita, mas a despesa pública. Cortar, cortar, cortar. Só mais tarde (um, dois ou três anos depois, conforme a dimensão do corte na despesa) baixar os impostos.
Enquanto não se reduzir a despesa pública, uma descida dos impostos vai onerar ainda mais os cidadãos. Os défices das contas públicas dão origem à inflação que é um imposto, pelo que reduzir impostos sem descer despesa é trocar um imposto por outro. Pior: por um imposto desigual e injusto, porque a inflação varia de produto para produto e de região para região.
A inflação é grande ameaça dos nossos dias. Um governo de direita que não tenha cuidado com isto pagará muito caro por cortar, sem mais, nas receitas. Um partido de direita que queira adoptar medidas liberais não se deve ficar pelo corte dos impostos. Isso é fácil. O liberalismo é menos Estado, o que significa, antes de mais, menos despesa.
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