O João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos chama-lhe "esterco". E, de facto, quem lê o artigo de Clara Ferreira Alves sobre Cavaco Silva vê-se aflito para encontrar outros substantivos. O indício fundamental que leva CFA a pôr o seu indicador em riste na direcção do Presidente de República, apontando a sua essencial pequenez, revelar-lhe-ia sem grande esforço a pergunta óbvia que ela deveria ter colocado a si mesma antes de escrever o que escreveu. Diz CFA que "num grande país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, Cavaco seria um apêndice, nunca um órgão político". Deixemos de parte os seus impressionantes "cosmopolitismo" e "cultura", que no entanto não são suficientes para compreender que, no Ocidente, há pelo menos 900 anos temos esta mania de separar o "homem", ou o "corpo" natural, do órgão político, ou da instituição. Também não vale a pena mencionar que os três grandes países europeus que a maravilham tiveram a sua dose de mediocridade no poder; nalguns casos, há bem pouco tempo. Mas a tal pergunta óbvia a que me referia seria a seguinte: "num país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, o que seria feito da sra. CFA?"
Sempre me pasmei com a ligeireza com que as senhoras e os senhores que botam opinião na comunicação (do) social se queixam tristemente da mediocridade nacional sem ponderar no quinhão que lhes cabe. Justiça seja feita, não é só CFA que sofre da doença. Olhando para Portugal, não custa perceber que, para alguns, a nossa mediocridade é uma espécie de maldição, enquanto que para outros é a infra-estrutura da sua indústria.
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