Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Grandes e Pequenos: a Pergunta Óbvia

O João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos chama-lhe "esterco". E, de facto, quem lê o artigo de Clara Ferreira Alves sobre Cavaco Silva vê-se aflito para encontrar outros substantivos. O indício fundamental que leva CFA a pôr o seu indicador em riste na direcção do Presidente de República, apontando a sua essencial pequenez, revelar-lhe-ia sem grande esforço a pergunta óbvia que ela deveria ter colocado a si mesma antes de escrever o que escreveu. Diz CFA que "num grande país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, Cavaco seria um apêndice, nunca um órgão político". Deixemos de parte os seus impressionantes "cosmopolitismo" e "cultura", que no entanto não são suficientes para compreender que, no Ocidente, há pelo menos 900 anos temos esta mania de separar o "homem", ou o "corpo" natural, do órgão político, ou da instituição. Também não vale a pena mencionar que os três grandes países europeus que a maravilham tiveram a sua dose de mediocridade no poder; nalguns casos, há bem pouco tempo. Mas a tal pergunta óbvia a que me referia seria a seguinte: "num país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, o que seria feito da sra. CFA?"

Sempre me pasmei com a ligeireza com que as senhoras e os senhores que botam opinião na comunicação (do) social se queixam tristemente da mediocridade nacional sem ponderar no quinhão que lhes cabe. Justiça seja feita, não é só CFA que sofre da doença. Olhando para Portugal, não custa perceber que, para alguns, a nossa mediocridade é uma espécie de maldição, enquanto que para outros é a infra-estrutura da sua indústria.



publicado por Miguel Morgado
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Comentários:
De Margarida Pereira a 26 de Agosto de 2008 às 02:01
Isso tudo (que lamento) e ainda, ou em especial, o "olha para o que eu escrevo, nem penses em perceber aquilo que eu faço"...
Aí é que a bichinha torceria o apêndice caudal...
Mas é tão antiga a história das públicas virtudes e dos vícios privadíssimos.
Afinal, para imensa pena de tantos opinadores, não são deuses.
Não. Não são.


De Mastoideu a 26 de Agosto de 2008 às 11:45
O artigo da madama Clara é o Mário Soares a falar pela boca dela. E compreende-se porquê.


De Paulo Pinto Mascarenhas a 26 de Agosto de 2008 às 17:19
Espero que a sra. Ferreira Alves não queira agora também processar o João Gonçalves, como fez (ridiculamente) ao VPV.

abraço


De Banzai a 26 de Agosto de 2008 às 18:23
Excelente texto! Agradeço inclusivamente pela gargalhada e, sem dúvida, não diria melhor!


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