Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Exercícios Políticos

Francisco,

Dizes que quanto ao exercício da política, a Europa tem muito a ensinar aos EUA.
Gostava de não ter que discordar, mas discordo. A meu ver, o fundamental do exercício da política, é a capacidade de decisão. A Europa não decide! Vive ao sabor das decisões dos outros, num convencimento absurdo de que tem mais importância do que realmente tem (o que não quer dizer que não devesse ou pudesse ter). A Europa não emite opinião, mas sim discute e perde-se no meio de opiniões e ideias vagas que nunca, em momento algum, podem colocar em causa o chavão, o dogma, o “Modelo Social Europeu”. A Europa vive refém de ideias minoritárias e extremistas, que faz com que Partidos Comunistas e Fascistas ainda por aqui tenham tempo de antena e, imagine-se, em pleno século XXI, votos! Uma democracia moderna não tem, nem deve, viver refém destas ideias.
 
Por fim, tentando responder à tua pergunta:
Não é importante que da Convenção resultem ideias originais, opções e decisões políticas concretas. É preciso não esquecer que a Convenção é o culminar de um longo combate político (e o início de outro), onde para além de banalidades e de show, também se discutiu e muito ideias (Iraque, Segurança Social, Saúde, etc.). Obviamente que também se discute a pessoa (em termos muitas vezes excessivos, reconheço), os valores, mas não nos podemos esquecer que eles não estão a eleger uma mera figura simbólica, mas sim o principal decisor do mundo. A função desta Convenção é unificar um partido, é transmitir uma imagem de força, de entusiasmo, de esperança. Trata-se de algo fundamental na política e que, no caso deles, foram factores determinantes na superação de crises e na sua elevação a super potência mundial.
É também um espectáculo de televisão com transmissão mundial, pelo que tem que ter o seu lado "artístico".
Na minha modesta opinião, as ideias verdadeiramente importantes, concretas, fabricam-se nos gabinetes e aplicam-se nos cargos políticos. Uma coisa parece-me inegável: boas ou más, as ideias e decisões políticas/económicas mais importantes, que realmente têm impacto no mundo, por lá têm sido e continuarão a ser produzidas.


publicado por Francisco Proença de Carvalho
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Comentários:
De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 14:36
O Francisco Proença de Carvalho indignado por numa parte do mundo deixarem pessoas votar em partidos comunistas e nazis... So much para a liberdade de expressão por aqui tão proclamada. Eu acho mesmo que o Francisco não se iria dar muito bem nos States...

O resto é o chavão de que a Europa não decide e, imagine-se, que só nos Estados Unidos têm origem as ideias que influenciam o mundo e só lá são tomadas decisões politicas importantes.

Rui


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 15:15
Também achei curioso saber que para o Francisco, nos States até há discussão pública de ideias e tal, mas que as ideias "verdadeiramente importante" se ficam pelos gabinetes. Não é verdade, e seria mesmo errado se fosse assim, mas é curiosa esta visão que o Francisco tem da discussão das ideias politicas nos Estados Unidos.

Rui


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 15:43
Não creio que seja tanto indignação, mas mais espanto. Lamento. Também eu e milhões de outros. Depois das provas provadas dessas ideologias, COMO É QUE ainda há quem siga essa música?!
I-na-cre-di-tá-vel.
Quanto aos States, seja pelo que for (devaneio, convicção, amor cego, insanidade mais-ou-menos-perpetuamente-temporária) estou com o Francisco: Hurrah for the USA!


De Margarida Pereira a 28 de Agosto de 2008 às 15:45
Qual "Anónimo", qual carapuça! Escapou-se-me o registo. Fui eu. Sou eu que escrevi e mantenho o comentário supra.
E se abomino essa coisa dos "anónimos", credo!


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 15:49
Anónimo, só se espanta quem não conhece a diversidade humana e a força da liberdade de expressão. Nisso, os Estados Unidos (que você considera o sol na terra, pelos vistos) não ficam atrás da Europa. Felizmente para eles. Até há por lá comunistas, veja lá bem. Houve também por lá quem se espantasse e indignasse com esse facto, mas eles continuam a ter liberdade de se exprimirem, honra ao povo americano.

Rui


De Margarida Pereira a 28 de Agosto de 2008 às 15:58
Rui, com todo o respeito pelas ideias de cada um, até - pasme-se! - pelas dos comunistas, dos nazistas, dos fascistas e de todos os 'istas' que queira -, mantenho que lamento o facto deles terem essas ideias. Porque as mesmas já foram colocadas em prática com os tenebrosos resultados que toda a gente conhece. Ou deveria conhecer. Não vai querer que elenque os factos, pois não? Nem sei se caberiam por aqui...
A liberdade de pensamento é inquestionável. A limitação e debilidade do mesmo é que se pode equacionar. E, repito, lamentar.
Não faltam evidências, resultados, provas, rastos de sofrimento e aniquilação.
Pensar, idealizar, desejar, são uma coisa bem distinta de querer ver em prática ignomínias sem nome.
Ou com todos os nomes.
Feios.

Margarida.


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 16:05
Margarida, pode lamentar que outros pensem de forma diferente de si. É um seu direito. Não me parece é razoável espantar-se ou indignar-se que outros pensem de forma diferente. Repito que nisso, felizmente, os Estados Unidos são um bom exemplo. E se tanto ama os Estados Unidos, como diz, será concerteza também (ou sobretudo?) por causa da diversididade de pensamento e expressão, com todos os ismos possíveis e todos os radicalismos possíveis. Ou não?

Rui


De Margarida Pereira a 28 de Agosto de 2008 às 16:14
Rui, imaginei que isso tivesse ficado claro. Mas às vezes quanto mais escrevemos, menos nos fazemos entender.
Sim, a liberdade, com tudo o que ela implica, é um dos fascínios do ocidente.
E os EUA, múltiplos, contraditórios, complementares, questionáveis, secretivos, expostos, coloridos e inspiradores (entre tantos outros qualificativos) são um dos melhores exemplos de tolerância, criatividade e possibilidades de crescimento e luta que se pode encontrar.
'Amar' não significa não saber o que não está bem.
Pelo contrário, sabendo o que não é perfeito, é potenciar e destacar o que o é.
E eles são infinitamente mais 'perfeitos' do que o contrário. Para mim, é claro...


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 16:31
Margarida, eu só acrescento que esses qualificativos que aponta aos Estados Unidos servem perfeitamente à Europa. Mas esquecemo-nos disso com frequência. Aliás, em nenhum lado do mundo, nem mesmo nos Estados Unidos, encontra tanta diversidade de pensamento, estou certo.

Rui


De Margarida Pereira a 28 de Agosto de 2008 às 16:39
Pois é, tem razão, sim. Mas também escrevi 'ocidente' e 'é um dos exemplos', reparou?
A questão (velha) é que 'a galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha'...
Eles são um produto da confluência de povos e culturas, a começar pelas europeias. Facto.
A europa está é um bocadinho à toa com tantos egos (de pouco carisma), com o 'projecto europeu' e com os vizinhos desavindos e traumatizados.
Os EUA têm esse brilho 'cinematográfico' e essa patine do engajamento militante nas causas nobres, o que, recordemos, salvou a Europa por mais do que uma vez.
Abençoados.
E por aqui me fico.
May God bless America. And the world, digo eu...


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 17:40
Pois, Margarida. Eu não sei se a Europa está um bocadito à toa com tantos egos. Acho que é um bocado um lugar comum dizer-se isso. Mas repare que a Europa são muitos paises (é essa também a sua riqueza), ao contrário dos Estados Unidos.

Rui


De Antonio a 28 de Agosto de 2008 às 16:34
Francisco,

Não posso deixar de concordar com o Rui, que identifica alguma incoerência no seu post.

Se por um lado elogia o debate político (ideias) que existe nos EUA, quando confrontado com a pergunta do FMS acaba por negar a importância que lhes havia dado no post anterior, transferindo-a para a tomada de decisões.

Para além disso, ao pretender desviar as atenções sobre as "ideias" efectivamente discutidas na convenção (lembro, era sobre esta que versava o seu post anterior), resolve pôr tudo no mesmo saco -entenda-se parentesis - e minimizar a importância da convenção, afirmando que esta, afinal, mais não é que um fase de passagem, entre o debate das primárias e aquele que ainda está por vir.

Mais grave, no meu entender, é acabar por dizer que afinal as verdadeiras ideias são discutidas nos gabinetes, quando pouco acima elogiava o debate das mesmas.

Por outro lado, e aqui concordo consigo, é importante discutir a pessoa. Principalmente num sistema presidencialista como o dos EUA. Com as devidas reservas, claro, por isso também aqui concordo consigo ao dizer que por vezes o ênfase dado à pessoa é excessivo.

Mas importa perceber a fronteira e quem a poderá traçar. Se for a opinião pública (desejosa de circo) então o mais certo é sabermos a cor das cuecas do Obama antes do sol de S. Martinho. Aqui entra o urbanidade política. Isto é, devem ser os políticos a definir a sua própria agenda e não a opinião pública ou publicada.

Dir-me-ão que aos políticos não é exigido carácter, educação ou até mesmo (e a escolha acima não foi despiciente) urbanidade. É pena.
Pela minha parte, enquanto eleitor, exijo (pelo menos aquela última).

Agora (e o comentário já vai chato e longo) onde concordo absolutamente consigo, é na inveja da atitude. Do optimismo, do entusiasmo.
Que pena não termos um político activo com carisma em portugal. De vez em quando vemos uns fogachos, mas não o suficiente para nos contagiar o entusiasmo (que por sinal, não se vê, e.g. Ferreira Leite aquando da sua candidatura à liderança).
Que pena não termos um slogan "yes we can" cantarolado por meio Portugal.
Propaganda vazia ou não, é assim que se mudam mentalidades e é assim que, como o Francisco disse, e bem, se superam crises.

Um abraço,

António


De Francisco Proença de Carvalho a 28 de Agosto de 2008 às 16:44
Caro Rui,
Respeito a sua opinião.
No entanto, como é óbvio, eu não acho mal que se deixe as pessoas votar em quem bem quiserem. O que acho estranho é que por aqui ainda se vote e atribua importância a Partidos Comunistas e companhia. O que eu acho estranho é que a Europa ainda viva refém de ideias extremistas e comprovadamente desastrosas para a humanidade. Pelo contrário, nos E.U.A., seguramente que há de tudo: fascistas, comunistas, anarquistas... A diferença é que eles não vivem reféns disso, não condicionam as suas políticas por esses dogmas totalmente ultrapassados. Nem Republicanos nem Democratas. Portanto, o que aqui estamos a discutir, lá já nem se discute. Estão noutro patamar, lamento.

Cumprimentos


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 17:49
A Europa refém dos comunistas e dos nazis? Eu não sei de onde tirou isso, Francisco, mas se assim pensa, acredito que viva angustiado com isso e queira fugir rapidamente para outras passagens. É muito grave.

Eu, pela minha parte, europeu tranquilo, não me sinto refém de nenhuma ideia extremista, vivo com normalidade, digo o que penso e tenho total liberdade de pensamento. Ainda cá não chegaram em força (ainda que já haja sinais disso) os prúridos do politicamente correcto desse farol da liberdade de expressão que são os States, os tais que não estão reféns de extremismos.

E muito mais haveria que se dizer àcerca da importância que de um lado e de outro se dá a extremismos (há muitos extremismos, como sabe) e sobre quem é que está refém de quê.

E sobre o debate de ideias nos "gabinetes", ó Francisco, que nos diz mais?

Rui


De Francisco Proença de Carvalho a 28 de Agosto de 2008 às 18:05
Caro Rui,
Só lhe digo mais uma coisa: leia o texto... Eu digo "fabricam-se", não digo "debatem-se". Penso que seja diferente.


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 19:56
Eu não penso que seja diferente. Fabricar ou debater, são preciosismos linguisticos. De qualquer forma, o Francisco opôe as ideias que se fabricam em debates abertos, às ideias, muito mais importantes, que se fabricam nos gabinetes. Não acho que isso deva caracterizar uma sociedade democratica e aberta.


Rui


De Anónimo a 28 de Agosto de 2008 às 19:56
Eu não penso que seja diferente. Fabricar ou debater, são preciosismos linguisticos. De qualquer forma, o Francisco opôe as ideias que se fabricam em debates abertos, às ideias, muito mais importantes, que se fabricam nos gabinetes. Não acho que isso deva caracterizar uma sociedade democratica e aberta.


Rui


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