Tem um metro e noventa e pesa oitenta quilos. Fosse jogadora de Andebol e seria pivô, o chamado «boi». Mas joga ténis. Há quinze anos profissional, num jogo em que as melhores não se aguentam mais do que um preto no Texas. Já foi a principal adversária de Graf, Hingis, das Williams (Vénus e a outra que se engasga nos próprios glúteos), do Homem Mauresmo e Clijsters. Já sem a esquerda mais bonita da história do jogo (homens ou mulheres) de Justine Henin, Davenport regressa após um ano em trabalho de parto para ensinar e derrotar Sharapova e Ivanović. Que também um dia se retirarão, para ficar Davenport, a ensinar e derrotar gerações futuras. O ténis feminino tem-se vindo a tornar um jogo essencialmente de força e velocidade. Davenport, cuja velocidade só tem paralelismo na capacidade locomoção dos meus avós (e alguns estão mortos), baseia todo o seu jogo no serviço, resposta ao serviço e inteligência de escolher a pancada certa no momento certo, sendo que esse momento tem de ocorrer entre a primeira ou terceira pancada ou ela é obrigada a dar um passo na direcção oposta à capacidade do seu corpo e o ponto está perdido. A tenista mais regular das últimas duas décadas é SÓ inteligência. Tem 32 anos. Aproveitem que só temos jogadora por mais uns dez.
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