Sábado, 30 de Agosto de 2008
A Geórgia e a Europa
Se o conflito na Geórgia baixou a fasquia da inimizade entre a Rússia, por um lado, e Estados como a Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia, por outro, então os restantes Estados-membros da União Europeia só podem fazer um julgamento político dos acontecimentos no Cáucaso. São estas as regras da vida numa União política. Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia não são "eles"; somos "nós". O "seu" inimigo é o "nosso" também, ou para ser mais suave, uma ameaça a esses Estados é uma ameaça a toda a União, incluindo naturalmente Portugal. Por muito que se censure o "aventureirismo" do Presidente georgiano, ou por mais atenuantes que se encontrem para o comportamento imperial(ista) da Rússia, não há alternativas. Ou melhor, há alternativa, mas não me parece que os europeístas convictos a considerem seriamente. Não podem é ter as duas coisas.
Os novos estados membros da União Europeia, sobretudo os que outrora pertenceram à defunta União Soviética, têm uma relação com a Rússia que tende para o conflito. Compreende-se, por que o passado em que havia subordinação a Moscovo ainda é muito recente. As gerações dirigentes, nesses países, estão ainda muito traumatizadas pelos tempos do imperialismo soviético. Mas não podemos deixar condicionar uma relação tão fundamental para a União Europeia, a parceria com a Rússia, por comportamentos políticos que se inspiram numa espécie de ajuste de contas. Há que promover uma certa moderação e uma visão estratégica dos interesses da União Europeia.
Quem começou foi a Geórgia. A Rússia tem toda a razão. E O Kosovo?
Se os USA e a UE reconheceram o Kosovo porque carga de água se hão-de pôr na ponta dos pés por a Rússia reconhecer a Ossétia do Sul e a Abkatia?
E quem é que invadiu quem?
Os Georgianos sabe-se bem como são.
É de caras de se ver!
De Bravo a 30 de Agosto de 2008 às 22:24
Aleluia.
Por haver quem acredite. Na Europa.
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