Para trabalhar no escritório contratei, há 2 anos, uma nova secretária que se encontrava desempregada há vários meses.
O primeiro serviço que a dita senhora fez foi reabrir actividade na Segurança Social. Quando se dirigiu aos competentes serviços, foi-lhe informado que brevemente receberia em casa ‘a declaração da sua situação contributiva’. O primeiro pagamento teria de ser feito na tesouraria após recepção dessa declaração. Passaram meses até se ter percebido que o processo estava perdido. Após inúmeras insistências foi possível saber quanto era preciso pagar. Com juros, claro está que a reclamação só podia ser feita depois.
Mas há mais: Ao que parece (‘parece’ porque as explicações conseguidas nunca foram muito convincentes) o atraso e ‘perda’ do dito processo deveu-se ao facto de a nova funcionária do escritório ter muitas contribuições por pagar. Na verdade, conforme a pobre senhora ficou a saber, os seus anteriores patrões não lhe fizeram os devidos descontos. Resultado: Uma dívida relativa a 10 meses e juros a contar desde 2003.
Nestas coisas, o melhor é pagar quanto antes. Matar o juro à nascença. Dito e feito, um cheque foi passado e entregue na Tesouraria que emitiu os vários recibos comprovativos do pagamento. Tantos quanto os meses em atraso.
Mas há mais: Fui dando conta que o cheque nunca era levantado até que passados três meses, a nova funcionária recebeu uma carta da Segurança Social informando que este ia ser devolvido. Sem mais explicações.
Nova ida aos competentes serviços e nova descoberta: O cheque (verificado e aceite na Tesouraria) estava mal passado. Ainda hoje ninguém explicou porquê. O novo pagamento (com os juros acrescidos, porque o Estado não brinca em serviço mesmo que a culpa seja sua) só poderia, agora, ser feito por cheque visado e apenas com a entrega dos novos comprovativos de pagamento, o anterior seria devolvido. Como sou um tipo, modéstia à parte muito calmo e calejado nestas burocracias, decido pagar quanto antes. Pela segunda vez. Reclamar, pagar, pôr a boca no trombone e esquecer o sucedido. É o meu lema e a única maneira de não dar em doido neste país. Na verdade, se a Segurança Social não tem pressa para receber um pagamento, menos ainda de dar seguimento a uma reclamação.
Até agora tudo se resume a desorganização com um pouquinho de prepotência à mistura. A partir daqui, a arbitrariedade e arrogância assumem contornos tais que rir é, de facto, o melhor remédio.
Depois de feito novamente o pagamento e com os novos comprovativos emitidos (tantos quanto os meses em atraso) a nossa secretária dirigiu-se à D. Francisco Manuel de Melo, para que lhe fosse devolvido o primeiro cheque. No entanto, tal não seria possível. Por três razões: Em primeiro, lugar, não era função da funcionária que o tinha, fazer atendimento ao público no seu local de trabalho; em segundo, não era sua função descer ao rés-do-chão (a senhora trabalha no segundo andar) para receber os documentos e devolver o cheque; em terceiro, não era função da funcionária da portaria levar os ditos comprovativos de pagamento ao segundo piso e voltar com o referido cheque.
As coisas não podiam ser assim tão simples, caso contrário não teriam piada. Era preciso regressar ao escritório, enviar os comprovativos por fax e apenas então, o cheque seria devolvido por carta registada com aviso de recepção para a casa da beneficiária.
Ainda aguardamos por ele para ser entregue ao banco que o cancelou de imediato e sem perguntas.
Posto isto, acho excelente a regulamentação dos mercados. Que estes sejam regulados por entidades centralizadas. Como todos sabemos e a experiência o prova à saciedade, o dirigismo centralizado da economia é muito mais eficiente.
Também não compreendo por que razão as pessoas poderão querer outro sistema. Se rir é o melhor remédio, para quê mudar?
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