Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
Na Segurança Social as reformas estão bem entregues

Para trabalhar no escritório contratei, há 2 anos, uma nova secretária que se encontrava desempregada há vários meses.

O primeiro serviço que a dita senhora fez foi reabrir actividade na Segurança Social. Quando se dirigiu aos competentes serviços, foi-lhe informado que brevemente receberia em casa ‘a declaração da sua situação contributiva’. O primeiro pagamento teria de ser feito na tesouraria após recepção dessa declaração. Passaram meses até se ter percebido que o processo estava perdido. Após inúmeras insistências foi possível saber quanto era preciso pagar. Com juros, claro está que a reclamação só podia ser feita depois.

Mas há mais: Ao que parece (‘parece’ porque as explicações conseguidas nunca foram muito convincentes) o atraso e ‘perda’ do dito processo deveu-se ao facto de a nova funcionária do escritório ter muitas contribuições por pagar. Na verdade, conforme a pobre senhora ficou a saber, os seus anteriores patrões não lhe fizeram os devidos descontos. Resultado: Uma dívida relativa a 10 meses e juros a contar desde 2003.

Nestas coisas, o melhor é pagar quanto antes. Matar o juro à nascença. Dito e feito, um cheque foi passado e entregue na Tesouraria que emitiu os vários recibos comprovativos do pagamento. Tantos quanto os meses em atraso.

Mas há mais: Fui dando conta que o cheque nunca era levantado até que passados três meses, a nova funcionária recebeu uma carta da Segurança Social informando que este ia ser devolvido. Sem mais explicações.

Nova ida aos competentes serviços e nova descoberta: O cheque (verificado e  aceite na Tesouraria) estava mal passado. Ainda hoje ninguém explicou porquê. O novo pagamento (com os juros acrescidos, porque o Estado não brinca em serviço mesmo que a culpa seja sua) só poderia, agora, ser feito por cheque visado e apenas com a entrega dos novos comprovativos de pagamento, o anterior seria devolvido. Como sou um tipo, modéstia à parte muito calmo e calejado nestas burocracias, decido pagar quanto antes. Pela segunda vez. Reclamar, pagar, pôr a boca no trombone e esquecer o sucedido. É o meu lema e a única maneira de não dar em doido neste país. Na verdade, se a Segurança Social não tem pressa para receber um pagamento, menos ainda de dar seguimento a uma reclamação.

Até agora tudo se resume a desorganização com um pouquinho de prepotência à mistura. A partir daqui, a arbitrariedade e arrogância assumem contornos tais que rir é, de facto, o melhor remédio.

Depois de feito novamente o pagamento e com os novos comprovativos emitidos (tantos quanto os meses em atraso) a nossa secretária dirigiu-se à D. Francisco Manuel de Melo, para que lhe fosse devolvido o primeiro cheque. No entanto, tal não seria possível. Por três razões: Em primeiro, lugar, não era função da funcionária que o tinha, fazer atendimento ao público no seu local de trabalho; em segundo, não era sua função descer ao rés-do-chão (a senhora trabalha no segundo andar) para receber os documentos e devolver o cheque; em terceiro, não era função da funcionária da portaria levar os ditos comprovativos de pagamento ao segundo piso e voltar com o referido cheque.

As coisas não podiam ser assim tão simples, caso contrário não teriam piada. Era preciso regressar ao escritório, enviar os comprovativos por fax e apenas então, o cheque seria devolvido por carta registada com aviso de recepção para a casa da beneficiária.

Ainda aguardamos por ele para ser entregue ao banco que o cancelou de imediato e sem perguntas. 
 
Posto isto, acho excelente a regulamentação dos mercados. Que estes sejam regulados por entidades centralizadas. Como todos sabemos e a experiência o prova à saciedade, o dirigismo centralizado da economia é muito mais eficiente.

Também não compreendo por que razão as pessoas poderão querer outro sistema. Se rir é o melhor remédio, para quê mudar?
 



publicado por André Abrantes Amaral
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Comentários:
De Blondewithaphd a 22 de Setembro de 2008 às 18:14
C'um caneco! E ainda gozam com o país! Humor e boa-disposição com fartura, cada qual nas suas funções respectivas, nem cobranças, nem créditos, onde é que há outra país igual?


De Anónimo a 22 de Setembro de 2008 às 18:18
É de facto uma história hilariante. Uma dúvida: quando refere que a senhora foi reabrir a actividade, está a dizer o quê concretamente? Como profisional liberal ou trabalhadora por conta de outrem?


De Anónimo a 23 de Setembro de 2008 às 01:31
Xiça, fiquei com os nervos em franja só de ler o post.


De alf a 23 de Setembro de 2008 às 12:46
Não há livro de reclamações para os serviços públicos? O melhor é tratar de prencher uma reclamação... é capaz de ainda se rir muito mais...


De Ricardo Sebastião a 23 de Setembro de 2008 às 15:02
LINDOOOO!


De Fernando a 23 de Setembro de 2008 às 19:54
Shit happens, get over it and hope it improves !


De carol a 23 de Setembro de 2008 às 22:48
E ainda dizem que este país não é um espectáculo! Sinceramente, uma comédia do melhor e sem pagar bilhete! O que mais pode um cidadão pedir?!


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