Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
A próxima vítima

Alguma blogosfera anda por aí ao rubro porque o Rodrigo Adão da Fonseca lamentou, como leitor que é - ou que era até hoje - do Público, que a Sonae gaste parte dos seus proventos com as prosas de Rui Tavares. O João Galamba, que se entusiasma com tudo isto, já se vê a combater torquemadas ao teclado. Cita mesmo comentários miseráveis sobre jornais que foram à falência para comprovar teses, no mínimo, disparatadas. Já Tavares apela à mais antiga das profissões de fé e vitimiza-se. Ai que o querem despedir! Galamba, por seu lado, que ficou deveras preocupado com a dita perseguição a Tavares, não se importa, pelos escritos, com todos aqueles que foram para o desemprego em razão de falências de outros meios de comunicação social. Finalmente, a grande vítima do Público ainda não parece ter percebido que já não está a escrever no Barnabé mas num jornal impresso e faz dos seus artigos furiosos ping-pong's contra seja quem for. Agora, parece ter encontrado um adversário que lhe responde à letra, o RAF, zangando-se ainda assim por um leitor não gostar de o ler e querer dispensá-lo do seu diário habitual. Tudo visto e revisto, aconselho o RAF a manter a sua opinião mas a fazer como eu: continuar a comprar o Público mas evitar ler a vítima. De Constança Cunha e Sá a Rui Ramos, passando por Vasco Pulido Valente e Pedro Magalhães, entre outros, há lá colunistas que valem bem o preço do jornal.



publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Comentários:
De Rodrigo Adão da Fonseca a 23 de Setembro de 2008 às 00:14
Ena, Paulo, obrigado, ao menos tu percebeste que aquilo era um desabafo de leitor. Como diria o Henrique Raposo, devo ter mesmo dito uma coisa muito acertada, para se avespinhares todos daquela maneira.
Thanks,
RAF


De Paulo Pinto Mascarenhas a 23 de Setembro de 2008 às 00:25
Eles podem dizer tudo e nós temos de ficar calados - se não concordarmos, claro. É toda uma noção de debate democrático em perspectiva. Abraço.


De livra a 23 de Setembro de 2008 às 00:56
Tiagos Mendes, Galambas, Tavares, toda uma espécie de pessoas muito cheias de si mesmas, e todos muito do agrado da esquerda idiota. Isso é um dado adquirido. Mas vivemos em Portugal e aqui a Esquerda manda. É portanto bastante lógico manter ignorantes económicos como o Tavares, o mercado assim o quer.



De livra a 23 de Setembro de 2008 às 00:58
«« Ai que o querem despedir! »»

O que eu dava para que o despedissem mesmo.

!!!


De Nuno Ramos de Almeida a 23 de Setembro de 2008 às 11:08
Paulo,
O RAF deve andar mal disposto ou é alérgico ao Voltaire (RAF a parábula com o personagem do iluminista francês não é obrigatoriamente para ti- Percebeste, tu também, Paulo). A direita neoliberal anda mal habituada, tem quase todos os colunistas e não valoriza aqueles que a confrontam. Eu que venho de uma tradição política com poquíssimos fretes na imprensa gosto de ler tipos inteligentes com que não concordo.


De Nuno Ramos de Almeida a 23 de Setembro de 2008 às 12:10
Correcção: é óbvio que é "parábola" e não "parábula"


De Paulo Pinto Mascarenhas a 23 de Setembro de 2008 às 12:42
Nuno, eu também gosto de ler colunistas com os quais não concordo. Não é isso que está em causa aqui.


De joao galamba a 23 de Setembro de 2008 às 12:58
Paulo,

se tu gostas ou não, não sei. Mas parece que o RAF é de outra opinião. Deixa lá a vitimização. Fica-te mal e soa a barricada ideológica pura e dura.

O RAF acha que o Rui Tavares é extremista e não devia ter lugar no Público. Concordas? Até responderes a isto, estás a desconversar

abraço,
joao


De livra a 23 de Setembro de 2008 às 14:22
««O RAF acha que o Rui Tavares é extremista e não devia ter lugar no Público. Concordas? Até responderes a isto, estás a desconversar»»

Quem define o que deve ou não estar no Publico é o director. Se este quiser arriscar a falência, poderá ignorar o mercado.

Coisa diferente é um leitor querer que haja mais inteligência e rigor dentro do seu jornal de preferência. Ora, se a inteligência e o rigor são uma procura do mercado ou não, isso é um assunto completamente à parte.

O Rui Tavares é um mero peão nesta história. Está nas mãos do director (e claro da SONAE).

A sua ignorância económica tem, a meu ver, imenso mercado por aí (inclusive, e SOBRETUDO, entre "intelectuais" e elites), e por isso acho que seria inteligente por parte do director guardar o Rui Tavares se o objectivo é maximizar as vendas.


De FuckItAll a 26 de Setembro de 2008 às 10:59
Ena, o Rui Tavares é mesmo importante, até decisivo nas opções de leitura das pessoas. Grande Rui. Mais um leitor libertado do Público. I'm all for that.


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