Domingo, 28 de Setembro de 2008
Magalhães vs OLPC
O Magalhães, que começou por ser um esforço das cachimónias lusas e do génio sócranete e acabou por ser uma versão lusa do Classmate, vai ser vendido à tonelada até no estrangeiro… bom, na Venezuela pelo menos.
No entanto e porque o génio e a originalidade sócranete só existem na cabeça do próprio Primeiro-Ministro, convinha perguntar o seguinte: porque é que o governo escolheu o projecto da Intel e não outro?
Está aqui um comparativo entre duas soluções, faço notar que, como um artigo da Wired, concluo que: Um parece um brinquedo mas já o Magalhães age como um.
O OLPC é mais flexível, mais adaptável, tem melhor tecnologia, trabalha se o ligarmos a qualquer coisa que faça faísca e é mais barato. Concluindo, é um laptop feito para atingir um objectivo One Laptop Per Child, é barato e eficaz, já a solução da Intel parece uma solução baratinha para chegar a um mercado emergente.
Porquê o Classm...desculpem o Magalhães?
Não querendo fazer de advogado da Intel, convém esclarecer que esse comparativo põe frente-a-frente a primeira geração do classmate (magalhães, aqui para os tugas) e o OLPC. Ora, o que está nas escolas portuguesas é um híbrido entre a 2.ª e 3.ª geração desse projecto. Tem 1 giga de memória ram (e não 256mb), tem 30 gigas de disco rígido e o ecrã é maior, passando de 7 para 9 polegadas. Daqui a uns meses terá um novo processador, o atom, e a Intel já mostrou, num fórum em São Francisco, uma versão com o ecrã táctil - semelhante ao do iPhone.
O OLPC era destinado a países do 3.º mundo, com pouca energia disponível e com uma rede de comunicações deficitária. Uma excelente ideia, infelizmente destruída por erros próprios...e pela agressividade comercial da Intel. Aí sim, pode dizer-se que o apoio do governo português a esta empresa - com a economia de escala inerente - foi o definitivo prego no caixão do OLPC.
Caro Pedro, não estão em causa as melhorias introduzidas nos modelos aprovados mas é precisamente no objectivo subjacente ao projecto aprovado que, como você muito bem apontou, era no caso do OLPC, muito claro e definidor. Estes computadores são para países de terceiro mundo, para crianças que querem vivam na Guiné, Portugal ou nos EUA, crescem em condições de pobreza difíceis de contemplar até num país em vias de desenvolvimento.
Parece-me que o OLPC era uma solução mais económica e competente, por muito que a Intel adapte o seu produto para melhor responder às necessidades do mercado.
Abraço
Afonso
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