Terça-feira, 31 de Julho de 2007
Coisas importantes
Brown não é amigo de Bush, mas o Reino Unido continua a ser o mesmo aliado dos Estados Unidos. O importante mantém-se.

publicado por Henrique Burnay
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Os génios morrem em trio
Bergman, Antonioni, ?

publicado por Henrique Raposo
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A estátua e uma martelada
Partindo do meu texto na Atlântico deste mês (comprai a revista), onde, a propósito de uma estátua que foi erguida em Washington às vítimas do comunismo, tento dizer que "os europeus de Bruxelas" não ergueriam uma estátua dessas e que isso - a diferente percepção da realidade, das ameaças e das memórias, é uma enorme dificuldade para a existência de uma política externa comum, o Rebel Rebel diz que: "O problema, caro HB, não reside em os europeus não se entenderem. O problema está na eterna perspectiva norte-americana em dividir o mundo entre “bons” e “maus”. O problema está na rapidez com que os norte-americanos, partindo da visão maniqueísta que têm do mundo, erguerem estátuas. E também as derrubarem."

Más compreensões à parte, e o Rebel Rebel não percebe que eu digo exactamente que em Varsóvia ou em Talin essa estátua poderia ser erguida, o que me importa mais é o costume. Há, entre alguns europeus, a sincera convicção de que os Americanos são o mal. Mesmo, ou sobretudo, entre os que acusam os americanos de serem maniqueístas e de dividirem o mundo em bons e maus (manifestamente por verem mais filmes americanos do que livros sobre a política externa americana).

O que me interessa é que uma parte da Europa, e uma grande parte da "parte esquerda da Europa" não se conforma com a vitória, e sobretudo a derrota, na Guerra Fria, e recusa as memórias da "ex-Europa de Leste" porquanto elas provam esse resultado. Os americanos não são "bons"; é o Ocidente e o nosso estilo de vida, as nossas democracias imperfeitas, as nossas relações internacionais carregadas de contradições, as nossas sociedades defeituosas que são melhores, merecedoras de defesa. E que nos lembremos que já ganhámos uma guerra, em que também tinha adversários do lado de cá.

O nome do blogger e do blog faz-me duvidar de tudo o resto (este aviso tinha de ser feito), mas há aqui alguma coisa que interessa (e não é Zappa). A propósito, o Rebel não compreendeu que é essa "maravilha da diversidade" que torna a Europa a uma só voz difícil, e que é essa contradição que interessa pensar.

publicado por Henrique Burnay
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Prioridades

Recentemente, em conversa com Dana Allin, editor da enorme Survival, ficou para mim mais que evidente o desenho das relações internacionais contemporâneas. O quadro está para ficar, meus amigos. Allin reconheceu uma certa “ignorância” nos círculos políticos e académicos norte-americanos sobre a “Europa”. Quando falamos de “Europa”, diz-me Allin, “falamos de uma concepção algo abstracta e que temos dificuldades em reconhecer”. A UE é, para Washington, um parceiro económico. O parceiro político continua a ser o Estado soberano, os diversos que compõem a União.


Esta visão realista do mundo choca com a sensibilidade de muitos “europeístas”. A realidade é dura, por vezes: muitos gostavam de ser mais importantes no mundo do que são, de voltar às glórias do passado, um complexo pós-imperial que não mata mas mói.


Só que o mundo é bem mais complexo do que estas birras europeias. O mundo, tal como os EUA o querem moldar – legitimamente, acrescente-se – é multipolar. Formado por potências regionais aliadas da América. Ao contrário da intelligensia indígena, a partilha de poder no sistema foi a grande marca dos EUA desde 1945 (ONU, NATO, FMI, Banco Mundial, OMC, UE). Por outras palavras, nunca tanto poder concentrado numa só potência deu origem a tantas organizações internacionais, a tanta repartição de poder. Não serão as organizações perfeitas, mas são as que deram a grande parte do mundo períodos de maior estabilidade.


Ora, este concerto global de potências aliadas (não confundir com “amigas”), traçado após o 11 de Setembro, confronta a UE com a sua génese: um conjunto de Estados soberanos que, por vontade própria, decidiram ir partilhando aspectos da sua soberania. Repito: um conjunto de Estados soberanos.


Matar o Estado soberano é, simultaneamente, acabar com a União e remeter para um canto a relevância dos europeus no concerto de potências (Estados soberanos) global que Washington tem vindo a promover.


Eu sei que a liderança do PSD e a crise no CDS, o caso Charrua e as crianças contratadas como figurantes são demasiado importantes para perdermos tempo com estes assuntos. Mas eu já há muito que tracei as minhas prioridades.



publicado por Bernardo Pires de Lima
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Junkie das fotocópias
http://www.fotoscomhistoria.canalhistoria.com/photo_images/sp/1643_photo.jpg

Prosa antiga, publicada na primeira Atlântico do Paulo Pinto Mascarenhas, a n.11, Fevereiro 2006. Porquê relembrar agora? Porque me apetece, e porque tenho inveja desta gente que tem férias de 4 meses, ou assim.


Junkie da fotocópia

À pergunta “Qual é o negócio que rende?”, respondo sempre “Abre já uma banca de fotocópias”. Portugal deve ser o único país do mundo que tem na fotocópia um dos caminhos certos para a fortuna. Um fenómeno do capitalismo moderno. E qual é a causa deste fenómeno? Toda a gente sabe: o aluno universitário português, o ‘junkie’ da fotocópia.  Funda-se uma universidade; no imediato, com o desembaraço da esperteza, começa a nascer uma matilha de bancas, lojas ou quiosques de fotocópias em redor da dita universidade. Um cerco. Total e absoluto. E eis a mensagem dos sitiantes: se queres ser universitário, tens de ter cartão de fotocópias. [...] estas bancas são como o ácaro em cima da alcatifa [abraço para o MEC, o gajo que melhor escreveu sobre alcatifas, esse fenómeno tão português dos anos 80]. Quem quer tirar um curso tem de estar preparado para chafurdar no pó desta alcatifa empoeirada que é a Universidade portuguesa.

E sabem qual é o resultado? Quem acaba a licenciatura fica com alergia à leitura. Para o resto da vida. É natural: afinal são quatro ou cinco anos a ler pedaços dispersos de livros. Nacos de prosa mortos. Infectos no cheiro, feios no aspecto. "É favor encadernar isto, sff". Fica tudo preso naquelas argolas idiotas que parecem brincos de uma qualquer tribo africana.

Livros? Nem vê-los. Parece que são caros. Para quê um livro quando se pode ter umas fotocópias enroladas num cordel ou presas por um elástico? No final do curso, percebe-se que o aluno português não criou uma biblioteca. Criou, isso sim, um Frankenstein de papel amarelado; um monstro disforme, um puzzle de milhares de páginas mortas armazenadas em caixotes de papelão. E no dia em que recebe o canudo, o aluno atira esses caixotes para a arrecadação. Aquilo que deveria ser motivo de orgulho e satisfação representa apenas náusea e esquecimento. A Leitura, o simples acto de Ler fica, assim, fechado a sete chaves, junto das batatas, das cebolas, dos sapatos velhos da mãe e das garrafas de vinho do pai. Mas a culpa não é dos ácaros. A culpa, na verdade, é de quem não limpa a alcatifa. São os próprios professores que entregam nas bancas os pedaços de livros a fotocopiar. Pior: há lojas de fotocópias dentro das universidades. Não há livrarias, mas há lojas de fotocópias. Lojas com pompa comercial e gente com bata de farmacêutico.

[...] muitas vezes, as fotocópias já vêm sublinhadas e anotadas pelo professor. É o professor que lê pelo aluno. 'Tadinho. Paternalismo? Não. É preciso subir mais um degrau. Humilhação? Certo. A fotocópia é um regurgitar intelectual. A turma é reduzida a um ninho de crias, a um amontoado de passarinhos, piando. E neste ninho, como em todos os ninhos, todos fazem a mesma coisa. Ninguém procura nada diferente. Não se pergunta. Não se pensa. Fotocopia-se a Verdade já digerida por outrem. Somente.

Quem sai desse ninho com os neurónios ainda intactos fica com um sonho para o resto da vida: queimar todas as fotocópias, mesmo todas, numa pira homérica, num auto-de-fé inquisitorial. Que tal? Estão interessados? Seríamos presos como pirómanos, mas valeria a pena. E a cinza não tem ácaro.

publicado por Henrique Raposo
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Madeira
A esquerda é ferro.

A direita é madeira.

O meu pai era carpinteiro. Calma, porque ainda falta muito para os meus 33 anos.  

publicado por Henrique Raposo
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Ainda boas notícias
"Moscou a apporté son soutien à Mahmoud Abbas, lundi 30 juillet, tout en l'appelant à dialoguer avec le Hamas, ce à quoi le président de l'Autorité palestinienne se refuse depuis que le mouvement islamiste a pris le contrôle par la force de la bande de Gaza, le 15 juin."

O quarteto parece estar de acordo. Já vi piores notícias.

publicado por Henrique Burnay
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2007
Meta


É engraçado, sim senhora.  Tal como  Kill Bill, e os demais.  E engraçado é a palavra.  Porque o meta-cinema só pode ser engraçado. Não chega a ser grande. Tarantino poderá ser mais qualquer coisa quando decidir ser um realizador. Já chega desta - longa - fase de meta-realizador. Grow up, motherfucker.


publicado por Henrique Raposo
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Nick Cohen na Atlântico
"O momento principal foram os ataques às Torres Gémeas e, em seguida, o sentimento da falência da esquerda europeia, que deixou de apoiar os socialistas iraquianos ou refugiados iraquianos e passou, pelo contrário, a defender o líder autoritário. Porque razão a BBC não entrevistava os refugiados iraquianos fugidos de Saddam?"

Nick Cohen, homem de esquerda. Mas não da esquerda-beco-sem-saída. A não perder este mês na Atlântico.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Nick Cohen na Atlântico
"A esquerda radical, ao não criticar o radicalismo islâmico, está a mostrar que faliu historicamente e está, na verdade, a comprovar o fim da própria ideologia. É um sinal de exaustão e de morte política".

Atlântico 29. Já nas bancas.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Nick Cohen na Atlântico
"A América e a democracia liberal são os novos inimigos da esquerda".

Nick Cohen, Em entrevista a Nuno Martins, na Atlântico deste mês. Já nas bancas.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Marques Mendes
Vale a pena ler a reportagem do Público de hoje sobre a ida de Marques Mendes à Madeira. Diz ele que lhe "faltava esta no currículo político". A não perder.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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1918-2007


publicado por Bernardo Pires de Lima
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Ou uma coisa ou outra. Tanto realismo pode ser excessivo
Por um lado: "Les États-Unis sont sur le point de conclure un mégacontrat d'armement de 20 milliards de dollars avec l'Arabie saoudite et d'autres pays arabes de la région."

Mas por outro: "The US ambassador at the UN, Zalmay Khalilzad, has accused Saudi Arabia of undermining efforts to stabilise Iraq."

Há várias semanas, ou meses (ou anos), que andamos nisto. Ou há aqui excesso de realismo, ou falta de definição das prioridades. As duas posições ao mesmo  tempo é  que parecem dificilmente conciliáveis.

publicado por Henrique Burnay
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Re banho
É impossível manter as ovelhas fachadas enquanto lá tiver uma cabra à porta.



publicado por joao moreira de sá
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Boas notícias?
"Pakistan's president, Gen. Pervez Musharraf, and former prime minister Benazir Bhutto appeared to draw closer to an improbable alliance Saturday, with a top Musharraf adviser confirming that the two had met and pronouncing the exchange "very successful.""

Se os moderados paquistaneses se juntassem, permitindo uma reacção mais forte contra os radicais, isso seria uma boa notícia. Despejar Musharraf sem mais nada é que não.

publicado por Henrique Burnay
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Antes que comece tudo a gritar
"The nuclear deal is being widely portrayed on the subcontinent as yet another step in warming relations between the United States and India, once a staunch ally of Russia during the last decades of the Cold War and an economic backwater. Before the pact can come to a vote in Congress, however, India must reach agreement with the IAEA on inspections and safeguards and win approval from the 45-nation Nuclear Suppliers Group."

Portanto, ligeiro detalhe, a IAEA vai ser metida ao barulho. Hmm, ahhh, bom, er.. assim é um nadinha diferente, não é?

publicado por Henrique Burnay
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O Irão os amigos e os inimigos
THE SUNDAY TELEGRAPH
July 29, 2007

By Christopher Booker
EU flouts its own highest court to appease Teheran
Why is the British Government so desirous to appease the regime that is supplying arms and men to kill our troops in Iraq and Afghanistant? Why, at British instigation, is our EU government, flagrantly in breach of EU law, ignoring a judgment of its own supreme court, the European Court of Justice, in a way which has no precedent?
Last week, in a courtroom off London's Chancery Lane, a group of senior politicians, including a former home secretary and a former law lord, attended the first week of hearings by a High Court judge into one of the most baffling scandals of contemporary politics. They were among 35 members of both Houses of Parliament, from all parties, who have appealed to the Proscribed Organisations Appeal Commission against the insistence of the Government that the People's Mojahedin Organisation of Iran (PMOI) should be banned as a terrorist organisation.
The PMOI is part of the National Council of Resistance of Iran (NCRI), supported by millions of Iranians both inside that country and abroad. For 30 years the NCRI has been campaigning for a democratic, secular alternative to the theocratic dictatorship which, more than any anything else, is destabilising the Middle East, from Gaza and Lebanon to Basra and Afghanistan. During that time more than 100,000 of its supporters have been murdered, tortured and mutilated by Iran's Revolutionary Guards and their overseas assassination squads.
In 2001, at the urging of Teheran (as he admitted on the Today programme in February 2006), Jack Straw, as home secretary, placed the PMOI on the UK's list of proscribed terrorist organisations. In 2002 the Foreign Office persuaded the EU to add the PMOI to its own list of outlawed organisations, alongside al-Qaeda, Hamas and other terrorist groups.
Last December the ECJ's lower court ruled that the inclusion of the PMOI was unlawful. But in January, in an unprecedented breach of European law, a meeting of EU ministers agreed with Britain that the ECJ's ruling should be ignored. Never before has the Council of Ministers (now confusingly calling itself the "Council of the European Union", in distinction from the "European Council") chosen to flout a judgment by its own court.
At the end of June, despite resolutions by the Danish and Italian parliaments and 234 MEPs that the Council should withdraw its ban on the PMOI, EU ministers, again on British insistence, reaffirmed their decision. On July 1 more than 30,000 Iranians staged a peaceful protest in Paris, addressed by Maryam Rajawi, the NCRI's leader, who lives in exile in France, in constant fear of the death squads of the regime our Government wishes to appease.
Last week a QC representing 35 MPs and peers, including Lord Waddington, former Conservative home secretary, Lord Slynn of Hadley, a former law lord, Lord Archer of Sandwell, a former Labour solicitor-general and Lord Fraser of Carmyllie, a former advocate general, put forcefully to Mr Justice Ognall that the Government had produced not a shred of convincing evidence that the PMOI is engaged in acts of terrorism, and therefore it should be withdrawn from the list of proscribed organisations.
The ultimate irony of this extraordinary story is that, in recent months, ever more evidence has come to light to show that the organisation genuinely involved in international terrorism, on a vast scale, is the Teheran regime itself. A key role in promoting the insurgency in Iraq is said to be played by the Iranian embassy in Baghdad. Iran is the main supplier of arms used against Nato forces in Afghanistan. So why, to put it at its tabloid crudest, is our Government bending over backwards to curry favour with the murderers who want to kill "our boys"?
With every day that passes we travel further into a world George Orwell would have recognised only too well.

publicado por Henrique Burnay
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Lamento por uma tradição perdida
A fazer as malas, e depois de passar algum tempo com a última Atlântico (óptima, de resto) e de procurar saber o que é que os colegas vão ler nas férias (aprovo tudo, sem excepção), dei por mim a pensar que não reparei que neste Verão os jornais tivessem feito aqueles óptimos inquéritos de leitura tradicionais da época.

Uma rápida viagem ao passado fez-me lamentar o facto. É que havia coisas bem interessantes. De repente, vieram-me à memória duas. Lembrei-me do já desaparecido poeta Luís Veiga Leitão, que recomendava a leitura dos sonetos de Camões, uma ideia simpática mas dificilmente praticável na praia, ainda para mais com a possibilidade de um célebre cacófato de um não menos célebre soneto inspirar pensamentos pecaminosos e eventuais conflitos entre veraneantes forçados a ocuparem espaços muito próximos em areais sobrepovoados. E, sobretudo, lembrei-me de Edite Estrela. O que é que Edite Estrela anunciava, há já vários anos – o tempo passa… -, como sua leitura estival? Ora bem, nada mais, nada menos que A origem da obra de arte, de Heidegger. Como se pode ver, a leitura que convém mesmo ao tempinho entre dois mergulhos, com a fatal criança choramingona ao lado e a senhora que berra: “Miguel, anda à mãe!” dez centímetros acima. A política precisa de gente assim. 

E já não tem. Não tem? Se os jornais respeitassem os bons costumes, tinha, e muita. Nenhum político (com a previsível excepção de Alberto João Jardim) resiste a esta tentação, porque lhe permite insinuar profundidade de alma, amor pela cultura – e, de caminho, arranjar algum amigo escritor agradecido. Cada um pode fazer uma lista imaginária de políticos que gostaria de ver responderem ao inquérito. Luís Filipe Menezes, por exemplo, interessava-me enormemente.  

É uma pena que as tradições se percam. As férias podiam ser bem mais divertidas. Esquecemos demasiadas vezes que uma das funções (e não das menores) dos políticos é divertirem-nos. Eu, pelo menos, ia-me rir dia sim, dia não. No mínimo.

publicado por Paulo Tunhas
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Domingo, 29 de Julho de 2007
Prioridade absoluta ao aborto a pedido
Prioridades. Por Carlos Guimarães Pinto.

publicado por André Alves
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Confusão entre partido e Estado
Diário Digital

O presidente da Federação Distrital do PS/Porto, Renato Sampaio, afirmou este domingo que a directora regional de Educação do Norte não ficou fragilizada com o caso Charrua, revelando que não será demitida porque «está a fazer um bom trabalho».


publicado por Miguel Noronha
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No rescaldo das intercalares em Lisboa
Recomendo a leitura dos vários comentários do Miguel Noronha: Reflexões offline; Reflexões offline (II); Reflexões offline (III); Reflexões offline (IV).

publicado por André Alves
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Para reflectir
Uma perspectiva de que discordo em alguns aspectos mas com várias ideias pertinentes para reflexão: Foram os liberais que perderam as eleições. Por MC.

Penso que chegou a altura de liberais e conservadores assumirem a responsabilidade por não terem feito o suficiente para quebrar a hegemonia socialista no pensamento corrente. Cabe em grande parte aos liberais, porque verdadeiros conservadores parecem ser ainda mais raros que estes, trabalhar no sentido de criar uma corrente de fundo suficiente para que não seja suicida a estratégia dos partidos de direita e até da esquerda moderada a adopção de práticas liberais.


publicado por André Alves
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007
Não vale rir

Paga-se jantar a jornalista que pergunte a Francisco Balsemão e a Alexandre “Cavaco” Silva se pensam que Marques Mendes seria um bom Primeiro-Ministro. Ficam também credores, os referidos cavalheiros, se conseguirem responder que sim, sem se rirem.



publicado por Pedro Marques Lopes
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Voltei a curtir Seattle


publicado por Henrique Raposo
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Menezes e o futuro do PSD
O Problema de Menezes. Por Bruno Alves.

Luís Filipe Menezes (2). Por André Abrantes Amaral.

publicado por André Alves
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O fim
 

Desde 1995 que sou fã do Atlético de Madrid. Não só porque me fazia lembrar o meu Sporting, mas por ter tido Schuster e Manolo numa era de glória, que contou também com um tal de Paulo Futre. Mas foi 1995-96 a época que me marcou. A equipa não teve lesões e praticava um futebol daqueles, com a Frente Atlético na retaguarda. Antic levou o clube ao título (19 anos desde o último) e à vitória na Taça do Rei, numa equipa que começava em Molina e acabava em Kiko, passando pelo cerebral Caminero, pelo genial Pantic, pelo mítico Simeone, pelo gigante Penev e na prata da casa, Santi, Toni, Geli ou Vizcaíno.

A partir de hoje, obviamente, deixo de ser colchonero. Não preciso explicar porquê.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Uma outra perspectiva
O DIREITO À VIDA (E À DEMOCRACIA) DAS CRIANÇAS MADEIRENSES. Por João Noronha.

publicado por André Alves
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Henrique Burnay e Adolfo Mesquita Nunes no “Descubra”

Hoje, pelas 19h, na Rádio Europa (90.4), Henrique Burnay e Adolfo Mesquita Nunes falam dos meninos e meninas que o governo contratou para figurantes da política mediática. Depois, o Burnay não esconde a sua admiração pelo papel de Sarkozy na questão dos búlgaros da Líbia e o Adolfo apresenta uma posição curiosa sobre o não da Madeira à lei do aborto. Fala-se ainda do livro da Zita Seabra e, por breves segundos, discute-se o PSD (este PSD merece mais?). A Antonieta foi o nosso bad cop habitual. Eu fiz de perguntador.



publicado por Henrique Raposo
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O precedente turco
Uma adesão da Turquia à UE traria não só custos políticos à lógica da organização, como alteraria radicalmente os equilíbrios de poder que a vêm sustentando desde a fundação. A Turquia seria a médio prazo o país mais populoso da UE, a primeira força no Conselho Europeu e o Estado membro com o maior número de deputados no Parlamento Europeu. Convém não fugir à realidade e mesmo que os principais decisores políticos europeus não o queiram assumir por razões óbvias, são estas as verdadeiras razões daqueles que se opõem à sua entrada.

Mas, para além destes pontos relativos à geografia do poder, uma outra consequência teria de ser assumida pelos restantes Estados: como negar que países como a Argélia, Marrocos, Tunísia e sobretudo Israel, possam ser membros de pleno direito da UE? De facto, abrir o precedente da adesão turca seria, em primeiro lugar, assumir que a União não tem limitações geográficas, culturais, históricas ou religiosas; em segundo, que tem ambições territoriais fora do continente europeu e que deseja estar no coração do Médio Oriente como actor principal. Estará preparada para tal?

Foquemo-nos em Israel. Democracia mais consolidada que a turca, goza de uma ligação umbilical bem mais forte com os principais Estados europeus. Além de ter sido abençoada por estes, tem hoje em dia na UE o seu parceiro comercial mais importante. A própria União atribuiu ao Estado judaico um “estatuto especial” na declaração de Essen (1994) e um ano depois, na de Barcelona, alargou o âmbito a outros países da orla Mediterrânea, incluindo a Turquia. Sondagens nos últimos três anos apontam para uma média de 75% de apoiantes israelitas à adesão, bem mais do que aqueles que em Ancara ou Istambul exultam com a ideia. Se a União recusa limitar-se aos valores católicos, não há razão nenhuma para recusar entradas de países em vias de democratização – ou democráticos, como Israel -, sejam eles de maiorias muçulmana ou judaica. Mais: se o propósito da UE é extender o seu âmbito além-continente, então Israel cumpre critérios de adesão que a Turquia talvez não faça.

O meu ponto é, contudo, bastante mais realista. A UE tem de se concentrar na consolidação dos seus últimos alargamentos e criar condições para a adesão dos restantes Estados balcânicos. Estrategicamente, são estas as zonas vitais de sedimentação da construção europeia e todas aquelas fora do âmbito continental devem ser alvo de atenção no plano de associação multilateral. Uma organização que teima em exagerar no idealismo corre o risco de ter dissabores pouco agradáveis.

[Atlântico 28, Julho 07]

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Professor Carambola rules


Só há uma conclusão que se pode tirar, face a estes candidatos a líder do PSD: o partido já assumiu que Sócrates ganhará as próximas legislativas.


Cavaco Silva está de parabéns: os seus desejos estão a um pequeno passo de se tornarem realidade.  



publicado por Pedro Marques Lopes
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
O Zyklon-B é bom, é bom, é
Numa caixa de comentários, mais abaixo:
Os mártires que morreram (e que não deixarão de ser vingados a seu tempo com juros elevados) eram PATRIOTAS DA RESISTÊNCIA que cumpriam o dever moral e patriótico de atacar as forças ocupantes das SS Tsahal. Do ponto de vista do direito internacional, a resistência ARMADA ao ocupante é sempre legítima (defesa) ao passo que a ocupação é sempre um crime de guerra passível de forca. É isso que acontecerá: os criminosos nazi-sionistas-apartheidescos serão justiçados…mas talvez pelo sabre, segundo os costumes locais ! Porque Deus é grande !
Euroliberal

Caríssimo Euroliberal,

Começo pelo óbvio: V. Exa. é o máximo. Em apenas oito linhas, V. Exa. revelou uma macedónia de emoções e sentimentos: o seu radicalismo, a sua intolerância, a sua falta de sentido de justiça e de equidade, uma profunda ignorância da História e, em jeito de cereja em cima do bolo, a boa da tese da «ocupação», fazendo crer que a comunidade judaica que ali se instalou, mais o seu Estado de Israel, ocupou outro país, num território que lhe era estranhíssimo (tendo expulsado, para o efeito, um povo homogéneo chamado de «palestiniano»). Em apenas oito linhas, é obra. E foi tanta a informação que V. Exa. nem reparou que a sua lógica – a da resistência – serve da mesmíssima forma como argumento o outro lado, ou seja, Israel. Eles também tentam «resistir» aos agressores, não é? Ah, pois, já sei: Israel é que é a «potência ocupante»! Tem V. Exa. toda a razão. Israel está ali a mais. Caramba!: aos judeus poder-lhe-ia ter sido entregue outro pedaço de terra em local bem mais familiar como, sei lá, Portugal, Alemanha, Itália, Tunísia, Mónaco, Luxemburgo, etc., não acha? Mas também já viu a chatice que era para os portugueses, alemães, italianos, tunisinos, monegascos, luxemburgueses, etc., serem «ocupados» por aquela corja? Vá, V. Exa. confesse: eles deveriam ter sido dizimados e pronto, não é? Hitler ficou aquém do desejável para a humanidade, não foi? Estes judeus só têm feito merda ao longo de séculos, não é? São um empecilho do caraças, não são? Por que carga de água se lembraram eles de sonhar com um local de acolhimento, com uma pátria, quando poderiam belamente continuar a viver nas suas comunidadezinhas em cada país? Bom, é certo que, e V. Exa. certamente concordará, essas comunidadezinhas, apinhadas de judeus, também só davam chatices. Sobretudo porque eles até eram bons naquilo que faziam - acumulavam riqueza, eram inteligentes, destacavam-se nas artes, etc. – e isso, às vezes, acabava por revelar a mediocridade vigente ou despoletar a cobiça e a inveja. Só chatices. Portanto, só nos resta uma alternativa. Para que é que havemos de andar aqui a perder tempo? Com sabre, diz V. Exa.? Pouco prático. Arcaico, até. Eu aconselharia o Zyklon-B. Já se revelou bastante eficaz, no passado. O que é que acha?

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Henrique Burnay e Adolfo Mesquita Nunes no “Descubra”
Amanhã, pelas 19h, na Rádio Europa (90.4), Henrique Burnay e Adolfo Mesquita Nunes falam dos meninos e meninas que o governo contratou para figurantes da política mediática. Depois, o Burnay não esconde a sua admiração pelo papel de Sarkozy na questão dos búlgaros da Líbia e o Adolfo apresenta uma posição curiosa sobre o não da Madeira à lei do aborto. Fala-se ainda do livro da Zita Seabra e, por breves segundos, discute-se o PSD (este PSD merece mais?). A Antonieta foi o nosso bad cop habitual. Eu fiz de perguntador.

Este será o último "Descubra as Diferenças" desta temporada. Voltamos em Setembro.

PS: A música desta semana - Sinatra - é dedicada à senhora da DREN, Margarida Moreira. Espero que Sinatra nos perdoe.

publicado por Henrique Raposo
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Work work work


Já só falta um dia para começar o trabalho a sério.

publicado por Pedro Marques Lopes
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Eles já sabiam…
No BCP há qualquer coisa a contecer que poderemos definir por 'luta de poder'. É muito difícil seguir o fio à meada e imagino que haja umas dez pessoas em todo o mundo que sabem verdadeiramente tudo sobre esta disputa. Como é de calcular, a imprensa económica e sobretudo os (imensos) colunistas da imprensa económica abordam o assunto. Em praticamente todos os textos há um parágrafo que lamenta o que se passa (a disputa) face ao passado (fulgurante e excelente) do BCP.

Bem à portuguesa, estes colunistas não lamentam coisíssima nenhuma. Bem à portuguesa, adoram areia nas engrenagens porque isso torna mortais e humanos aqueles que eram reputados de serem deuses.

Para os milhões de colunistas e jornalistas com espaço para serem colunistas it's payback time!. 

Um dia, quando se inventar uma roda que aperfeiçoe a roda, os colunistas portugueses vão escrever que é de lamentar o triste o fim da roda. E vão escrever: "A roda, determinante para a Humanidade, conhece um triste fim aos pés da roda que aperfeiçoa a roda".

publicado por Pedro Boucherie Mendes
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007
Manuel Alegre e a ilusão socialista
O fio da navalha. Por André Abrantes Amaral.

publicado por André Alves
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Agora sim, um problema
Countrywide Financial, the nation’s largest mortgage lender, said yesterday that more borrowers with good credit were falling behind on their loans and that the housing market might not begin recovering until 2009 because of a decline in house prices that goes beyond anything experienced in decades.

publicado por Henrique Burnay
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Oportunidade de negócio político
Homeless. Por João Noronha.

Ora, cerca de 1,5 milhões de eleitores votaram “Não” no último referendo. (Curiosamente, a percentagem de votantes no “Não” (40%) foi superior à soma da percentagem de votos obtidos pelo CDS e pelo PSD nas últimas legislativas (36%), enquanto que a percentagem de votantes no sim foi quase idêntica à soma dos votos do PS, PCP e Bloco de Extrema Esquerda).

Suponhamos que existe uma pequena percentagem destes votantes (5%, por exemplo), que se sentem suficientemente motivados para votar de acordo com as suas posições sobre a vida e a família. Suponhamos ainda que esta minoria está minimamente organizada e pode, desta forma, ser mobilizada eleitoralmente. Estas hipóteses são bastante conservadoras… ;)

Suponhamos ainda que existe um empreendedor político suficientemente astuto para compreender que existe aqui uma “oportunidade de negócio político” – sempre seriam cerca de 75.000 votos…


publicado por André Alves
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Resignação colectiva e servidão
Dez Dias em Londres. Por CMF.

No dia 1 de Julho deste ano tudo mudou. A infame lei antitabaco chegou às ruas de Londres como um rolo compressor e ignorou tradições, acorrentou a liberdade e a responsabilidade individual. A interdição invadiu aos pubs, sem transigência ou excepções. É triste. Uma cervejaria sem fumo é como uma cerveja sem álcool, é como tremoços sem sal. Eu não fumo, as minhas roupas agradecem no dia seguinte, mas frequentar um pub sem tabaco é uma experiência coxa. A plenitude está perto, mas a beleza da madeira escura, o sabor agreste das ale ou anacronismo das alcatifas não são suficientes para fazer esquecer a ideia do verdadeiro pub. Alguns, enfastiados, e do alto de uma putativa sabedoria, dizem que noutros lugares, como Nova Iorque, já nem se discute esta questão: não se fuma nos bares e ponto final. É verdade, mas essa resignação colectiva não é argumento para encerrar a revolta. E.O. Wilson disse, Doutrinar os seres humanos é de uma facilidade absurda. A resignação de fumadores e não-fumadores é apenas um reforço de peso desta tese.


publicado por André Alves
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Sobre a histeria ambiental em que vivemos
A grande bebedeira. Por FCG.

A dúvida científica. Por André Abrantes Amaral.

publicado por André Alves
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O medo
Helena Matos fala hoje optimamente, no Público, de “antropofobia”, a propósito de Sócrates e do espectáculo recente da apresentação da escola do futuro: o medo dos seres humanos, tal como eles inconvenientemente e sem aviso aparecem, por exemplo, na escola. Realmente e não virtualmente. E Manuel Alegre, no mesmo jornal, “escreve contra o medo”, como se lê na primeira página. Descontando o estilo, Alegre tem um bocado de razão, e Helena Matos, sem descontar nada, tem toda.  

O que se pode acrescentar é que esse medo dos seres humanos (e a sua concomitante detestação) está intimamente ligado à micrologia, que também é uma especialidade deste governo. A ERC regulamenta ridículos pormenores. Vários organismos adoptam diferentes especialidades. Nada é indiferente, nem as bolas de Berlim. O vasto mundo exterior precisa de ser ordenado nos mais ínfimos detalhes para nossa segurança, e as novas tecnologias a vir dão-nos coragem no escuro. Tudo isto é perfeitamente imaginário e distante da empiria, mas percebe-se: protege. Um mundo quadriculado é mais seguro, afasta o que não passa pela rede. Não é, é claro, uma coisa original portuguesa, vem de fora. Mas, adaptado assim, tem um sabor nacional. Por detrás do seu didactismo militante, o primeiro-ministro esconde um verdadeiro micrólogo antropofóbico, uma máquina minuciosa de afastar a realidade por decreto. Infelizmente, somos nós a realidade. Infelizmente para nós – e para ele, porque a furar redes somos óptimos.

publicado por Paulo Tunhas
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Uma hipótese?
Tendo em conta a história, é sempre cedo para ser optimista nesta história, mas o facto de a Europa estar convictamente comprometida no Quarteto, por causa de Blair; o facto de a Liga Árabe admitir o que nunca tinha admitido a maioria dos Estados Árabes (reconhecer Israel) e o que se pede em trocar ser suficientemente razoável para ser discutido (o maior problema é de segurança). Tudo isto pode permitir uma espécie de esperança? Esperemos que sim.

publicado por Henrique Burnay
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Preocupado, moi?
Jornalista: Sabes o que é que estás aqui a fazer?
«Aluno»: Chamaram-me para uma publicidade - uma agência - e estou aqui, agora.

No mínimo, brilhante. Assisti, num misto de estarrecimento pré-comatoso e incredulidade delirante (a caminho da baba), à reportagem do lançamento do Plano Tecnológico da Educação (juro que é ipsis verbis). Um momento de ouro da SIC-Notícias. Graças à inspirada verve da repórter e à rara circunstância de observarmos José Sócrates sem rede e em postura coloquial, assisti, pela primeira vez na televisão, à queda de um mito. Entregue a si mesmo e ao seu sorriso de laca, o nosso Primeiro caiu do pedestal de enfatuamento saloio a que se habituou a dirigir-se aos «portugueses e às portuguesas». E caiu estrondosamente. Um estrondo mudo proveniente de uma performance penosa, quase aviltante. Foi patética a forma como José Sócrates reagiu atrapalhadamente às perguntas do jornalista, revelando uma plastificante falta de à-vontade e um sub-reptício enfado por certo tipo de perguntas lhe estarem a ser dirigidas - ao invés das perguntinhas da praxe que mais não passam do que deixas para um discurso pré-fabricado e pré-formatado.

Desassombradamente e de forma profissional, a jornalista soube ardilosamente desmontar a farsa – não só os alunos eram fictícios, contratados por uma agência, como tudo aquilo tresandava a show-off propagandista – e contar a história. Mas o facto da história ser mais do mesmo – propaganda barata sobre temas sérios elevados a utopias à lá Aldous Huxley – não me preocupa. O que me preocupa é eles – primeiro-ministro, ministros e responsável pelo emblemático Plano Tecnológico – acreditarem naquilo. O que me preocupa é eles acreditarem piamente que são aqueles meios – que supostamente corrigirão a mão azelha do professor que ao tentar desenhar um equilátero no quadro de ardósia lhe sai um T0 na Musgueira – que irão melhorar o ensino em Portugal. Pensar que são aqueles écrans espalhados pela sala de aula - mais o quadro mágico que desenha as figuras geométricas na perfeição, mais o programinha que indica logo quantos erraram - que irão resolver os problemas do ensino e substituir a «escola do passado» pela «escola do futuro». Pensar que a «escola do futuro» é aquilo. Um dos mais brilhantes professores que encontrei no antigo Preparatório, e em toda a minha vida, dava aulas de matemática num quadro de ardósia. Ali, na André de Resende (em Évora). Tinha uma caligrafia horrenda e um jeito para o desenho equivalente ao do Dr. House para a diplomacia. Era desajeitado e desorganizado. Odiava calculadoras. E, contudo, ensinou-me matemática como mais ninguém. E ensinou-me a gostar de matemática – mania que eu ainda hoje cultivo e aprecio. É inútil e escusado explicar isto ao Sr. Primeiro-Ministro e à Sra. Ministra da Educação. Pelo que se viu na reportagem, estúpido, até.
José Sócrates: Então não acha isto o máximo? Está a ver? Todos podem responder no mesmo momento e parece imediatamente no quadro quantos é que responderam bem e quantos é que responderam mal.
Jornalista: Está muito atento, também é um aluno atento, Sr. Primeiro-Ministro...




publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Será?

Acho muito curioso o argumento da insuficiência orçamental para justificar a não aplicação da lei da IVG no arquipélago da Madeira. Será que Alberto João Jardim se prepara para pedir mais dinheiro devido ao previsível aumento de nascimentos provocado pelos novos incentivos à natalidade?



publicado por Pedro Marques Lopes
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Descubra as diferenças
Curiosidades do jornalismo made in Portugal, no seio da imprensa dita «séria». No Domingo, na sua edição online, podia ler-se esta notícia no Público:
Israel mata quatro pessoas em ataques em Gaza (22.07.2007 - 23h17 )
Israel matou hoje quatro homens armados palestinianos na Faixa de Gaza, dois num assalto terrestre e dois num ataque aéreo a militantes que lançavam “rockets” contra o Estado judaico, disseram testemunhas palestinianas e médicos (...).

Na segunda-feira, por volta das 11 da matina, a mesma notícia sofria uma metamorfose digna de registo:
Exército de Israel mata quatro homens armados em Gaza (22.07.2007 - 23h17)
O Exército de Israel matou hoje quatro homens armados palestinianos na Faixa de Gaza, dois num assalto terrestre e dois num ataque aéreo contra militantes que lançavam "rockets" contra o Estado judaico, disseram testemunhas palestinianas e médicos (...).

Diferenças? No título, as quatro pessoas passaram a ser chamadas de «homens armados». No corpo da notícia, a tenebrosa e abstracta entidade «Israel» passou a «o Exército de Israel». Ena. A coisa está a evoluir favoravelmente. Há uns meses, ou há uns anos atrás, as «pessoas» continuariam a ser «pessoas», e o carrasco seria obviamente o mesmo: «Israel». Não haveria lugar a correcções. «Israel» (ou seja, toda aquela «canalha») matava «pessoas». Ponto final.

Hoje, há já alguém que repara na coisa e se digna a corrigir as palavras, concorrendo para a verdade: as «pessoas», afinal, são, ou podem ser, uns gajos armados que até andam a lançar uns «rockets» contra o Estado judaico (ainda assim, estou em crer, coisa pouca, tendo em conta que estamos a lidar com o gigante Israel e a pequerrucha e inocente Palestina). Seja como for, já não era sem tempo. Eu, que sou um pessimista em relação a quase tudo – inclusivamente em relação ao futuro de Israel –, acredito que vai chegar o dia em que finalmente uma notícia deste tipo receberá, desde logo, ou seja, desde o minuto x da hora y do dia z, um tratamento correcto. A dispensar correctivos.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Terça-feira, 24 de Julho de 2007
Haja decência

Vamos imaginar que uma ex-namorada ou ex-namorado do Nicolau Breyner ou da Margarida Vila Nova escrevia um livro sobre eles. Nesse livro, diria coisas que qualquer um destes dois apelidaria de rotunda mentira – que a Margarida ou o Nicolau Breyner seriam vigaristas ou toxicodependentes ou contrabandeariam obras de arte ou qualquer disparate do género. Na sequência disso, claro está, qualquer uma destas pessoas poria esse ex-companheiro ou companheira em tribunal por difamação. 


Aproveitando-se do alarde, que esse possível livro - com certeza - traria, um qualquer oportunista resolvia fazer um filme ampliando ainda mais a calúnia. Para esse filme, claro está, seriam convidados actores. Qual seria a reacção do Nicolau Breyner e da Margarida Vila Nova a isso?


 


 



publicado por Pedro Marques Lopes
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Quando a chantagem resulta
ota e tgv: uma solução prática. Por Rui A.

Estranha diplomacia. Por Filipe Melo Sousa.

publicado por André Alves
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A escola do futuro
José Sócrates, numa apresentação do que será a escola do futuro, com uns computadores óptimos e rodeado por alunos que eram figurantes contratados numa agência recebendo 30 euros pelo desempenho, contentíssimo e sem vontade de voltar ao tempo em que os professores desenhavam figuras geométricas nos quadros, porque o futuro, gloriosíssimo, vem já aí, e os computadores resolvem tudo - é o trivial.  

Agora o que não é trivial é ele ter ficado meio interdito por duas vezes: quando uma jornalista lhe notou que os alunos eram figurantes e quando a mesma ou outra jornalista comentou – depois de uma declaração sua particularmente entusiasta sobre o prodígio tecnológico - que ele era um aluno atento. Até foi simpático vê-lo assim: percebia-se que, no fundo, ele próprio era sensível ao fantástico fictício da coisa. Um vago sentido do ridículo e a suspeita que os outros podem não o estar a levar muito a sério apreciam-se num primeiro-ministro.

publicado por Paulo Tunhas
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Argumentos a favor de Menezes
Luís Filipe Menezes. Por André Abrantes Amaral.

publicado por André Alves
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Avaliação em causa própria
GABINETE DE AUTO-AVALIAÇÃO EDUCACIONAL. Por João Miranda.

Dado que o GAVE é ao mesmo tempo um departamento do Ministério da Educação e a instituição que avalia os resultados do trabalho desse ministério, existe o risco de manipulação política dos exames. Como a opinião pública associa notas elevadas à competência da ministra, o Governo tem um incentivo para premiar um departamento de avaliação que inflacione as notas dos exames. Por outro lado, o GAVE pode adulterar a avaliação através da produção de exames mais fáceis e da fixação de critérios de correcção mais benevolentes. O público não tem nenhuma garantia de que o GAVE não recorre a estes estratagemas, por um lado porque o GAVE tem interesse em agradar ao Governo e, por outro, porque o GAVE não é auditado por entidades externas nem segue procedimentos transparentes.


publicado por André Alves
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