Domingo, 30 de Setembro de 2007
Do marxismo-liberal
Ver aqui a comédia do marxismo em versão neoliberal, perdão, libertária.

publicado por Henrique Raposo
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Outros atlânticos
Revista Nação e Defesa (IDN):

Parceria Estratégica Estados Unidos/Índia: Poder e Identidade no Sistema Internacional pós-Atlântico – Henrique Raposo
A Crise Nuclear Iraniana – Vasco Rato e Bernardo Pires de Lima

Revista Relações Internacionais Nº 15 (IPRI):

O Passado e o futuro do blairismo, Bernardo Pires de Lima

Não há Chindia ou BRIC, Henrique Raposo

O Conceito de grande potência na política externa indiana, Constantino Xavier.

A apresentação da revista é dia 3 Outubro, na Fundação Oriente, 18.30

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Outras guerras (III)
Rodrigo,

A questão não é a de saber onde estão as elites. A questão é que a candidatura de Luís Filipe Menezes - e ele próprio - fez da campanha um combate contra o que chamou de elites. Foi uma campanha basista - ou populista - prometendo, por exemplo, entregar às bases as escolhas das listas de deputados. Explorou o pior dos sentimentos que existem nestas mesmas bases: o da inveja de não serem elas as eleitas, "serem sempre os mesmos". Normal, por isso, que personagens como Isaltino Morais rejubilem de alegria e considerem agora possível poder regressar ao partido. Não digo que Marques Mendes não mereça a derrota. O que repito é que Menezes também não merecia a vitória e o facto de ganhar é um mau sintoma do estado em que se encontra o PSD e um péssimo sinal para o país.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Já votei
Na sondagem d' O Insurgente. Estou entre os que respondem não. A vitória de Luís Filipe Menezes não faz aumentar as hipóteses de o PSD vencer em 2009. Bem pelo contrário.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Ler
O engraçado é que, num ápice, Santana blasfemou contra as supremas divindades nacionais: a televisão e o futebol. E os portugueses, em geral atentos e venerandos face a ambas, correram para os blogues e os fóruns "on line" a exaltar Santana, que fez uma carreira à custa das câmaras e da bola, e que acabou a noite como um herói de facto improvável e muito português. À saída, o herói proclamou duas coisas: a) o país está doido; b) o país tem de aprender. A primeira é uma evidência, a segunda uma ilusão.

Alberto Gonçalves, no "DN" de hoje.

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Outras guerras
Não vejo a disputa Menezes/Mendes como uma guerra norte-sul, mas parece-me que existe por aí quem assim a entenda. Nesta versão, o derrotado Mendes era o homem do aparelho, telecomandado à distância pelos barões sulistas e elitistas, do velho eixo Lisboa/Cascais. Menezes é o candidato que veio das berças, o nortenho que até troca os "vs" pelos "bs". Não é essa a minha concepção de elites - as quais, como julgo que todos concordarão, são indispensáveis a qualquer projecto político. Elites, na minha concepção, não é palavrão e não tem a carga negativa que a campanha de Menezes lhe atribui. Sem elites - intelectuais, políticas, culturais, académicas - não se pode pensar em construir uma alternativa credível.

Ou seja, não é por elitismo social ou regional que a vitória de Menezes é uma má notícia para o espaço do "centro-direita" e, sobretudo, para o país. Nem pouco mais ou menos. Concordo ainda que Menezes é tão populista como José Sócrates, pelo menos em campanha eleitoral - e concordo com o RAF ao citar o excelente post de João Miranda. O problema é que não acredito que a alternativa ao populismo de Sócrates e do PS seja mais populismo do PSD - ou/e do CDS. Entre caminhos iguais ou paralelos, o povo português irá preferir o que já conhece.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Pedro Aires Oliveira


Os Despojos da Aliança, pela Tinta da China.

Autoria? Pedro Aires Oliveira, um dos mais talentosos historiadores portugueses. Assunto? Relações entre Portugal e a Grã-Bretanha entre 1945-1975, tendo como pano de fundo a questão colonial portuguesa (hot, hot, hot). Ou seja, não é aquela historia das estruturas que decidem pelos homens e com os gráficos no lugar das ideias. É história política com os homens no sítio certo, isto é, ao centro da narrativa.

Ainda não li, mas já gosto.

publicado por Henrique Raposo
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Nas bancas
Capa.31

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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No comments
Compreende-se que Cavaco Silva se tenha recusado a comentar as directas no PSD. Por razões institucionais, como avisaram de Belém. O Presidente da República não comenta resultados de eleições partidárias, é óbvio. Calcula-se que o resultado não tenha agradado ao ex-presidente do PSD. Os eleitos fazem parte do grupo que o fez perder a paciência e abandonar funções partidárias quando era primeiro-ministro.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Olhar os jornais do dia
Esta é uma daqueles domingos em que vale a pena comprar e ler as diferentes coberturas da vitória de Luís Filipe Menezes no "Diário de Notícias" e no "Público". Ambas são bons produtos jornalísticos: bem escritas, com pluralismo de opiniões. Gostei especialmente da coluna de Paulo Tunhas no "DN". Ambas as edições, sendo claramente diferentes, em contraste de olhares, provam que o bom jornalismo não precisa de ser objectivo.
O "DN" é claramente mais favorável ao novo presidente do PSD, dando-lhe editorial com boas expectativas, voz, pré-programa - e classifica de notáveis Ângelo Correia e Arlindo de Carvalho ou de esperanças o presidente da câmara de Espinho, Ribau Esteves. Assume a sua costela mais popular, adoptada aliás desde que a actual direcção assumiu funções. Isto não deve ser lido como uma crítica. Aliás, é muito consistente o conjunto de peças jornalísticas. Tunhas dá o contraponto na opinião.
O "Público" mantém, nesta escala de valores, o seu elitismo, o que, julgo eu, é coerente com o que os leitores esperam do jornal. Sem menosprezar Menezes, longe disso, reflecte alguma preocupação das "elites" do PSD, nomeadamente de Pacheco Pereira, com a liderança de Menezes no maior partido da oposição. A ler também o editorial de Manuel Carvalho.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A esperança polaca e o pântano social-democrata português
Liberdade e mercado livre. Por LA.

publicado por André Alves
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Choque e Pavor (IV)
É certo que Luís Filipe Menezes até já se afirmou "conservador liberal" e fez obra visível em Gaia. Não se pode esquecer é que essa mesma obra foi feita com uma das maiores dívidas camarárias em Portugal: como se lê hoje no "Público" ultrapassou em 11 milhões de euros os limites da capacidade de endividamento. Sobra-lhe em crédito bancário o que lhe falta em credibilidade política?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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As contrapartidas possíveis
Alberto Gonçalves, no Diário de Notícias:

Há muito que os cidadãos desistiram de aguardar contrapartidas pelo seu empenho cívico e lisura. As pessoas votam, elegem representantes, pagam os salários dos representantes, pagam a mando dos representantes impostos directos, indirectos e acumulados, descontam para o que calha e recebem de volta reformas pífias, serviços estatais anedóticos, "desígnios nacionais", um chafariz na praça e indiferença.


Uma brilhante crónica da semana para ler na íntegra aqui.

publicado por André Alves
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Choque e Pavor (III)
Fiquei também surpreendido com o entusiasmo de Rodrigo Adão da Fonseca com a eleição de Menezes. Mas não foi o único: Sócrates também deve ter sorrido. Afinal, foi contra este PSD que ele conquistou a maioria absoluta.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Choque e Pavor (II)
Paula Teixeira da Cruz ameaçou com a "debandada das elites" caso Menezes ganhasse. Quando e por quem é que começa?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Choque e Pavor
O título pode resumir a reacção de alguns amigos meus sociais-democratas à vitória de Menezes: Choque e Pavor. Calculo que a secção do PSD de Maringá - que não votou, segundo informações locais - também estará pelos cabelos, depois de ser confundida com os índios ianomani pelo novo presidente do  partido - não lhe chamo "líder", porque líder é outra coisa muito diferente. Volto ao assunto amanhã no Meia Hora.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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boas e más notícias
Cameron não teve alternativa e no início da convenção anual dos tories correu o risco de pedir eleições antecipadas. Era a única forma de travar a queda nas sondagen e as críticas internas. Agora vai definitivamente à luta.

À luta foi também Luís Filipe Menezes. Ganhou o PSD e horrorizou a "nata" social-democrata. Menezes já apelidou o PS de Sócrates de "conservador", por isso vamos esperar que lhe passe pela esquerda. Portanto, aparentemente, teremos apenas um único partido democrático não de esquerda em Portugal, o CDS. Se terão capacidade para o desafio é outra questão.

Uma má notícia é a desistência de Newt Gingrich, como pré-candidato às primárias republicanas. Antigo speaker da câmara dos representantes e líder da associação política, American Solutions for Winning the Future, era provavelmente o mais sólido em propostas políticas e mais forte do ponto de vista intelectual. Mas como nada disto interessa, o show cinematográfico continua. É pena.

Para a ministra da cultura portuguesa, o marxismo não está enterrado. Preseume-se que está bem vivo na sua brilhante cabeça e demais práticas diárias (o marxismo é diário e nunca morre, convém não esquecer). Sócrates, aparentemente, é conivente com isto. E com muito mais. O marxismo é que jamais seria conivente com Sócrates. Aliás, a esta hora, Sócrates já estaria num região longínqua a tremer de frio. Se estivesse vivo, claro.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Populismo no PSD
Evitei até agora a palavra "populismo", que deve sem dúvida ser utilizada com cuidado. Por exemplo, nunca me pareceu que ela fosse correctamente aplicada a Santana Lopes. Mas a Menezes ela aplica-se, aparentemente, bem. O populismo é, em parte esse pathos justiceiro, feito de ressentimento e apetite voraz do poder.

Paulo Tunhas, no DN

publicado por Henrique Raposo
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China, China
Há duas semanas falou-se da China. Do processo de adaptação das indústrias chinesas aos elevados padrões de qualidade e segurança. Do papel das mulheres nesta nova China. Tudo num único programa conduzido por Fareed Zakaria Where America meets the word!

publicado por aLaíde Costa
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“Ran” Paul
http://www.channel4.com/film/media/images/Channel4/film/R/ran_xl_01--film-B.jpg

publicado por Henrique Raposo
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Ron Paul my ass
Este tal Ron Paul é tão pueril estrategicamente como os paleo-conservadores, estilo P. Buchanan. Andam com Jefferson debaixo do braço, como se a República ainda fosse aquela frágil confederação do XVIII e não a maior potência do mundo moderno. O isolacionismo (isto é, retirar do mundo) que advoga, provocado por uma cegueira ideológica que me dá arrepios na espinha, seria o pior que podia acontecer ao mundo e à própria América. A forma como este tal Ron Paul fala assusta qualquer um. É um evangélico. Uma freira ao quadrado: o homem tem duas religiões monoteístas, a cristã e a libertária. É daqueles americanos que dá vontade de espancar num jogo de hóquei em patins.

Mas acaba por ser giro, vá, curioso. Este tipo prova que ainda há muitos americanos que não perdoaram Hamilton e Adams pela sua vitória sobre Jefferson logo no início da República. O que é giro. É como os monárquicos em Portugal. Ainda não perdoaram a implementação da república. À sua maneira, Ron Paul é um profundo reaccionário; quer que a América recue no tempo, saltando fora da história que hoje partilha com o resto do mundo. Representa o pior da América: o desejo de viver sozinha na city upon the hill, longe de tudo e de todos. Pois: têm é medo do hóquei em patins e preferem jogar sozinhos aquela coisa chata com bastões e bonés.

I say again, Ron Paul my ass.

publicado por Henrique Raposo
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Sábado, 29 de Setembro de 2007
A nova sigla do PSD: WTF
O Giddens não percebia nada disto, e de certeza que nunca foi a Gaia. Ontem, o PSD conseguiu a sua derradeira ruptura paradigmática. Em poucas horas, confirmou o salto para a pós-modernidade, a necessária ultrapassagem ideológica. Sejamos francos: nenhum outro partido conseguiu em tão pouco tempo passar da social-democracia para o what-the-fuck.
Em alternativa, podemos sempre tentar ver aqui um momento Monty Python e esperar que, depois, a História retomará o seu curso normal. Ou isso, ou ir a Fátima.

[Ana Margarida Craveiro]

A Ana Margarida Craveiro é a nova contratação da Atlântica. Como podem ver, entra a 300, e sem pedir licença. Também irá aparecer na revista em papel, sobretudo na secção dos livros. E, pela pedalada que mostra, vai aparecer muito.

publicado por Henrique Raposo
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O Kant que veio da Índia

http://img249.imageshack.us/img249/5351/amartyasentn8lb4.jpg


[na Atlântico, 30]


Amartya Sen é um dos grandes intelectuais vivos; Identidade e Violência é um dos grandes ensaios editados neste século. Ponto.


Este livro é normalmente apresentado como a derradeira crítica à teoria do choque de civilizações. É verdade que Sen critica, e bem, Samuel Huntington. Porém, as críticas que Sen lança sobre o seu colega de Harvard não trazem nada de novo. Identidade e Violência é realmente inovador e corajoso nas críticas que lança sobre o multiculturalismo.


Tal como a direita do choque civilizacional, a esquerda do multiculturalismo tem um «problema metodológico básico» (p. 92): eleva a comunidade/religião à condição de identidade única dos homens, desprezando, assim, todas as outras identidades (profissão, ideias políticas e morais, etc.). Se a tese de Huntington reduz o mundo a «uma federação de religiões» (p. 14), o multiculturalismo transformou a Grã-Bretanha numa «federação de comunidades» (p. 160). Para os multiculturalistas, a cultura é uma realidade tão definitiva e imóvel como a biologia e, por isso, o Estado deve financiar o imobilismo cultural. Entre outras coisas, a tribo multiculturalista afirma que «não podemos invocar critérios de comportamento racional que não os que ocorrem na comunidade a que pertencemos (p. 64). Este relativismo foi a base da velha direita romântica, nacionalista e autoritária…


O que é uma política multiculturalista? Aqui fica um exemplo particularmente bárbaro (criticado por Sen ao longo do livro): as crianças muçulmanas que nascem no Reino Unido frequentam escolas de fé (faith schools) patrocinadas pelo Estado. Ou seja, o Estado multiculturalista britânico financia e legitima um ensino baseado na exclusividade da fé. Se nasceu muçulmana, criança X vai para uma escola exclusiva para muçulmanos; a criança é educada no culto da «aceitação acrítica da fé em detrimento de uma ponderação crítica» (p.212). E, de forma bizarra, os multiculturalistas dizem estas políticas servem apenas para defender a liberdade. Identidade e Violência desmonta esta fraude. O multiculturalismo é uma política autoritária e reaccionária que, por artes mágicas, foi revestida como uma aparência libertária e progressista: «apesar das implicações tirânicas de arrumar as pessoas em categorias rígidas que correspondam a comunidades específicas, esta visão é frequentemente interpretada, de forma bastante desconcertante, como aliada da liberdade individual» (p. 207). Os multiculturalistas de hoje, tal como os nacionalistas do passado, privilegiam a pureza da comunidade em detrimento da liberdade individual. São inimigos da liberdade.


No Ocidente, vivemos, à direita e à esquerda, uma época reaccionária e marcada por um espírito contra-iluminista. É curioso que seja um indiano a contestar esta atmosfera. Sen é o humanista, o iluminista, o kantiano que o Ocidente já não tem.





publicado por Henrique Raposo
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Política PSD nos próximos anos
http://www.payer.de/kommkulturen/kultur0802.gif

William "Boss" Tweed

O PSD vai ser uma espécie de Tammany Hall.

Aliás, este "processo eleitoral" (muitas aspas na coisa, sff) interno fez-me lembrar as eleições que o Scorsese filmou.


publicado por Henrique Raposo
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Coisas Fascinantes
Francisco Louçã considerou hoje que a vitória de Luís Filipe Menezes, demonstra a vulnerabilidade do nosso sistema político ao populismo. E a representação do BE no parlamento não revela mais ou menos o mesmo?

publicado por Bruno Gonçalves
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Duas correcções e uma teoria
Caro Rodrigo,

Há, no que escreve, um duplo erro. Primeiro, eu nunca disse que tinha esgotado, no caso da eleição de Menezes, os meus “limites de compreensão”. Fico quase envergonhado de ter de o dizer, mas eles ainda vão um bocadinho adiante, e até julgo, como mencionei no post a que se referiu, que compreendo muito bem o que se passa. O que eu disse é que não acho a situação (a eleição de Luís Filipe Menezes) excessivamente grave. Nem o país nem eu vamos sofrer grande coisa com isso – é o principal. Segundo, não tive de modo algum a ambição de inquirir o que se passava na sua excelente cabeça para se regozijar com a eleição em questão. Limitei-me a constatar (pacatissimamente) que não se limitava a uma saudável alegria maligna com o justiceiro castigo da turpitude dos notáveis do PSD. E aí permiti-me exprimir umas (ainda mais pacatas) discordâncias relativamente ao seu entusiasmo.

Acabadas as correcções, uma pequena teoria. Ryszard Kapuscinsky, o óptimo jornalista e escritor polaco morto há pouco, exprime, num livro que está traduzido entre nós, Andanças com Heródoto, a sua fascinação com a ideia do historiador grego segundo a qual o “motor da história” é a vingança. Ora, eu acho que isso exprime magnificamente o impulso por detrás da eleição de Menezes. Há, parece-me, uma muito palpável dose de ressentimento na coisa. Volto a acrescentar que – seja essa a causa, ou seja outra qualquer – não creio que nada disto apresente uma gravidade extraordinária. E, já agora, corrijo: talvez seja exagerado chamar “teoria” àquilo que acabei de referir. “Palpite”, mais uma vez, é bom. Porque é que eu não haveria de emitir palpites nesta matéria? Acha que ela merece verdadeiramente (ou sequer é susceptível de) uma contemplação sub specie aeternitatis? Enfim, pela minha parte não tenho mais doutrina a oferecer no capítulo, e fico-me mesmo por aqui. É uma forma de seguir o seu sábio conselho.

E, quem sabe, talvez o Rodrigo tenha toda a razão do mundo? Talvez Luís Filipe Menezes venha a ser um fulgurante substituto de Marques Mendes e, no futuro, um excelente Primeiro-Ministro? Quem sabe? Eu não. Aqui atinjo realmente os tais “limites de compreensão” a que o Rodrigo se refere. E calo-me. A sério. Não tenho vontade de discutir mais o assunto.

publicado por Paulo Tunhas
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Um palpite
Confesso que não percebo bem a alegria do Rodrigo Adão da Fonseca com a eleição de Menezes. Se fosse apenas Schadenfreude por causa das “elites” do PSD, nada a objectar. A Schadenfreude às vezes faz bem. Mas, patentemente, não é só isso. Ora, a eleição de Menezes – possível apenas pelo facto de não ter havido o forte condicionamento exterior que a visibilidade dos congressos permitia, e que funcionava em parte como “abertura” do PSD ao exterior – é a vitória de um “sindicalista do aparelho do partido”, como Pacheco Pereira escreveu excelentemente no Abrupto. Querer ganhar eleições a todo o custo, sem programa visível que não seja o de oposição encarniçada a Sócrates – nas fábricas, nos hospitais, nas escolas, etc. –, o puro acto pelo acto, parece-me mais uma coisa de extrema-esquerda do que de um partido responsável: reivindicações, mais reivindicações, mais reivindicações. Sem querer ter graça ou exibir superioridades despropositadas, o PSD é, no nosso querido Portugal, demasiado importante para ser deixado completamente aos seus militantes. Enfim, nada disto me tira o sono. Como dizia o outro, a situação é desesperada, mas não é grave. O PS e o CDS são partidos simpáticos, e se uma pessoa acordar virada para a esquerda ou para a direita pode sempre votar neles. Se achar que deve obrigatoriamente votar, é claro. 

Não quero de modo algum polemizar com o Rodrigo. Suponho que ele leva isto muito mais a sério do que eu, e a matéria interessa-lhe mais. Estou só a dar um palpite.

publicado por Paulo Tunhas
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
O declínio ocidental ou como relativizar “1989”

http://www.liberales.be/pics/boek/war.jpg


No Público, domingo passado:


 


As obras de Niall Ferguson (historiador escocês; Harvard) são sempre marcadas por um revisionismo bombástico. Neste The War of the World, Ferguson vira de pernas para o ar a nossa percepção do século XX. O resultado é mais um brilhante exercício de revisionismo.


Reza a lenda que o século XX terminou com a vitória do Ocidente em 1989. Contra esta lenda eurocêntrica, Ferguson argumenta que o século XX marcou o declínio do Ocidente. As causas deste declínio ocidental são as mesmas que provocaram a violência bizantina do século XX: (1) a desagregação dos impérios, (2) a volatilidade económica e (3) o ódio racial. O fim dos impérios europeus (na Europa e no ultramar) originou sempre violência nacionalista/étnica, diz-nos Ferguson. A par desta desagregação política dos impérios, o autor salienta a desagregação económica da globalização. É bom lembrar que a I Guerra Mundial destruiu a primeira globalização, que parecia tão imparável e eterna como a actual segunda globalização. A volatilidade económica instalou-se nos sistemas monetários e o proteccionismo alastrou. Ora, um clima de instabilidade económica e de fragmentação imperial é o habitat preferido dos ódios raciais. Entre 1918 e 1953, a violência étnica foi a imagem de marca da Europa e do Extremo Oriente. Os «empire-states» de má memória (Rússia soviética, Alemanha nazi, Japão imperialista) viviam obcecados com o desejo patológico de homogeneidade étnica como solução para todos os males.


Ao longo do livro, Ferguson descreve a “Guerra do Mundo” (I Guerra Mundial, II Guerra Mundial) que estilhaçou a Europa, e a Guerra-Fria que foi estilhaçando, aos poucos, os impérios coloniais europeus. The War of the World acaba por ser uma espécie de crónica do suicídio ocidental e da emergência asiática – que começa agora a ser evidente. E Ferguson deixa-nos um conselho: fazíamos bem em relativizar a importância de 1989. Na Ásia, o fim da Guerra-Fria é visto como uma questão europeia (1989 não marca qualquer ruptura para os asiáticos). A data que marca a perspectiva oriental é 1979 (início da cavalgada económica chinesa).


O século XX não terminou com o predomínio ocidental (prisma do poder) ou com a vitória indiscutível da democracia liberal (prisma dos valores). O século XX terminou, isso sim, com os asiáticos a convergirem economicamente com os ocidentais e com a China a desenvolver um sistema político alternativo à nossa democracia liberal: o capitalismo iliberal. A China aceitou o capitalismo, mas não aceitou o liberalismo. E isso faz toda a diferença. Mais: se a força asiática comprova o declínio económico e geopolítico do Ocidente, a fraqueza islâmica, recorda Ferguson, não deixa de ser um problema. Porquê? Porque comprova o declínio demográfico dos europeus. Perante a fragilidade demográfica da Europa, o Islão tem exportado para as ruas das cidades europeias o radicalismo islamita através da bomba demográfica. O mundo islâmico não tem força para exportar carros e computadores para o Ocidente, mas exporta gente que tem esse estranho hábito de não gostar da Europa.


Em suma, no seu exterior e no seu interior, os ocidentais – sobretudo os europeus – estão confrontados com algo que não conheciam desde Vasco da Gama: não têm o monopólio da iniciativa; já não estão a jogar sozinhos. Isto não soa nada bem, provoca desconforto intelectual e um friozinho na barriga, mas é mesmo assim. E já é tempo de encararmos esta situação (interna e externa) de forma realista.




publicado por Henrique Raposo
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Primeiro outra vez


Vídeo de Santana Lopes em primeiro lugar a nível mundial entre os mais vistos na categoria News & Politics do YouTube (Via O Insurgente).

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Passos para uma candidatura?
Pedro Passos Coelho, ex-deputado e ex-dirigente do PSD e antigo líder da JSD, pretende estar presente no congresso, que se realiza daqui a quinze dias.

"Público"

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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O preço dos ziguezagues
Curiosamente, isto servirá também para reforçar a mensagem de Brown de que Cameron é um político sem princípios.

publicado por André Alves
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Subscrevo
O que se passava nos “velhos” congressos não era muito bonito e muitos delegados vendiam-se por um lugar no conselho nacional. Mas pelo menos nunca vi num congresso um morto a levantar o boletim de voto. E havia discursos ou projectos que abalavam as salas e as convicções e faziam balançar o resultado. Era, pelo menos, um exercício de democracia representativa em que algumas coisas funcionavam e a política, a retórica e os dons oratórios, tinham espaço. Nas directas muito disputadas nada disso acontece: há jantares de carne assada, quotas pagas e caciquismo na versão “pesca à linha”. E a política fica sem espaço. A não ser para o ridículo e para a suspeita generalizada.

Ricardo Costa, no Diário Económico

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Vade retro, Satanás
http://www.geocities.com/arquivoi/exorcismo.jpg

Peço ao Tiago Cavaco o favor de ser o último a fechar a porta quando terminar a emissão especial das directas do PSD no 31 da Armada, abençoando a casa que também partilho e exorcizando-a de possíveis más influências do Belzebu. Ele, o inominável, já está por lá em acção.

[Adenda: Felizmente também contaremos com a boa influência do Santos, Nuno Costa Santos]

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Mais sexo é mais seguro
"O problema da democracia não é o facto de os políticos lamberem as botas ao poder financeiro e aos lóbis - é o facto de os políticos lamberem as botas aos seus próprios eleitores, gastando o dinheiro dos outros pelo caminho. Por outras palavras, o problema é que os políticos têm poucos incentivos para levar em linha de conta os custos das suas acções"

-

A frase consta do livro "Mais Sexo é Mais Seguro", do economista americano Steven E. Landsburg, agora editado em Portugal pela Guerra & Paz. Marca a estreia de Tiago Mendes na versão impressa da Atlântico, dia 1 nas bancas, com uma recensão sobre este livro e outra sobre "Discover your inner economist", de Tyler Cowen. Os dois textos sobre A Boa e a Má Economia.

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Hélas
Ainda bem que não tenho direito de voto nas eleições americanas e nas directas do PSD.

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Uma boa razão
Desejo – não ardente, mas suficientemente – que Luís Filipe Menezes fique quietito em Gaia. Não apenas para que o PSD não fique nas mãos de um populista militante (que Santana Lopes, com todos os seus defeitos, nunca foi, diga-se de passagem), mas também porque, vivendo no Porto, guardo ainda umas esperanças sanguíneas naquele projecto que era o dele (pela voz do seu Vice) de transformar Gaia numa “Londres do Mediterrâneo”. Gosto imenso do Atlântico, mas a possibilidade de ter o Mediterrâneo e Londres, até uma Londres substituta, juntos aqui ao lado não se pode perder. Mesmo que a geografia dele seja duvidosa (como aquela coisa da Amazónia mostrou), convém ter esperança.

publicado por Paulo Tunhas
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Pelas sete da tarde


Não perca o confronto entre Rodrigo Moita de Deus e Nuno Ramos de Almeida. No "Descubra as Diferenças" da Rádio Europa. Eu e Antonieta Lopes da Costa tentamos que os convidados não se atropelem mutuamente. Tarefa impossível?
As directas do PSD são o tema inaugural da semana, é claro.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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“Os judeus”
O Paulo Pinto Mascarenhas escreveu um post sobre a profanação do cemitério judaico de Lisboa. Teve comentários que o acusavam de, indiferente a outras formas de racismo, ser unicamente, ou quase, sensível a esta. Não vale provavelmente a pena discutir a má-fé da acusação no que respeita ao Paulo: basta ler o que ele escreveu em ocasiões análogas, e, em geral, qualquer coisa que ele escreva, para perceber o absurdo preconceituoso dos comentários. Em contrapartida, eles são ilustrativos num outro plano. Uma parte não despicienda da esquerda, tal como uma parte não despicienda da direita (embora, esta, menos vocal), vive numa frágil linha entre a detestação de Israel (baptizada “anti-sionismo”, ou, em gente menos aguerrida, sem nome reconhecível) e um anti-semitismo que conhece várias tonalidades. A detestação de Israel é a alavanca para a suspeita levantada sobre quem condena o anti-semitismo. E, nesse sentimento de suspeita, a linha divisória entre “anti-sionismo” e anti-semitismo esbate-se. Falando dos outros, revelam-se a si mesmos. Os comentários feitos ao post do Paulo exibem isso perfeitamente. São, pura e simplesmente, ideológicos. Ideológicos de uma ideologia pouco recomendável.

publicado por Paulo Tunhas
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a-Post que faz bem a tudo


- Alô? É Vera?



 

publicado por joao moreira de sá
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Tá tudo 10-ligado


Pode-se dar uma ajuda ao Restelo mas não se pode dar um restelo à Ajuda.

publicado por joao moreira de sá
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Aqui há peixe…



Dizem que é tão calmo e tranquilo que ainda é dos poucos sítios onde se pode sair de casa e deixar a porta aberta. 


Eu não acredito. Se fosse assim, porque é que se chamaria Comporta?


 



publicado por joao moreira de sá
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Um longo parêntesis
Na mui nobre e não raras vezes achincalhada democracia representativa portuguesa, participei algumas vezes. Não muitas porque, com tempo, pendi para o grupelho dos irresponsáveis e perniciosos abstencionistas por convicção (e a «convicção» aqui é absolutamente pejorativa). Exceptuando as vezes em que votei no Miguel Esteves Cardoso (já não me lembro se uma ou duas vezes), votei sempre PSD. Nunca votei, por exemplo, no CDS ou no PP (ou no CDS-PP). Votei Cavaco (em 1987 e 1991), votei Fernando Nogueira (em 1995), votei Durão Barroso (em 2002) e, finalmente, votei novamente Cavaco (em 2006). Para além destes actos eleitorais, abstive-me sempre. Nalguns círculos, sou considerado um mau cidadão. Noutros, um pária. Seja como for, the damage is done. Não há nada a fazer.

Deixemos o ego e voltemos ao PSD. Em primeiro lugar, o óbvio: o PSD é um partido com uma ideologia difusa – como o são, ou tendem a ser, a generalidade dos partidos de poder, pertencentes ao denominado «centrão». À excepção do grupo dos apoiantes e militantes empedernidos da extrema-esquerda ou da extrema-direita - para quem o nível de afectos e o índice de cumplicidades com os seus partidos é matéria indiscutível - ninguém minimamente sério ou sóbrio poderá afirmar que se «identifica» totalmente com determinado partido. O que existe é, acima de tudo, um conjunto de «simpatias» ou «aproximações» que dão origem a uma espécie de curva de tendência que nos aproxima mais deste ou daquele partido. Dito isto, pode dizer-se, com relativa precisão, que sempre simpatizei – sobretudo por razões que se sobrepõe à mera morfologia ideológica – com o PSD, da mesma forma que, de quando em vez, me irrito (olha aí a úlcera, rapaz) ou me divirto com o que se passa dentro desse partido.

Pouco há a dizer sobre o que se passa actualmente no PSD. O partido entrou num longo parêntesis existencial, durante o qual dúzia e meia de crianças se diverte aos índios e cowboys. Entendamo-nos: por muito afável e «moderado» que Marques Mendes seja, não sairá dele nada de substancial ou relevante para o futuro do partido. Não sendo uma nulidade, é uma inconsequência. Por muito voluntarista, dinâmico ou «rijo» que Luis Felipe Menezes seja, ninguém dele espera grande seriedade programática ou um conjunto homogéneo de ideias com aplicação concreta. A retórica de ambos é, aliás, clarividente: nenhuma ideia de fundo – transformadora, diferenciadora do modo socrático, realista e com objectivos de médio-longo prazo – foi produzida. Nenhum deles apresenta um raciocínio coerente e estruturado. Pelo contrário: o conservadorismo medroso e cinzentão de um – Mendes – e a postura de liberal franco-atirador, circunstancial e acessória, de outro – Menezes – não deixam marca alguma a não ser a de um profundo vazio. Um vazio que ambos tentam preencher com o pior de ambos e o pior dos partidos: as guerrinhas internas, os temas mesquinhos, as vendettas alheias ao país e ao mundo.

O PSD vai ter que esperar. Quer queiram (como parece ser o caso), quer não queiram, Mendes e Menezes não passam de figuras menores. O PSD seguirá dentro de momentos.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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O sentido de um debate
Rui Ramos
[Público de ontem]



O debate televisivo entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, na semana passada, terá sido porventura o episódio político simultaneamente mais patético e mais esclarecedor dos últimos anos. Aqueles cuja paciência é mais resistente, puderam fazer uma descoberta: ao contrário do que é moda dizer, Mendes e Menezes têm ideias. Mais: ideias divergentes, não só do PS, mas um do outro. Simplesmente, vimos também esta coisa curiosa: nenhum deles, ao longo da penosa hora e meia do “agora dizes tu, agora digo eu”, pareceu dar-se conta disso. Menezes atacou a política de Sócrates em nome do investimento público. Mendes atacou a política de Sócrates em nome do investimento privado. E quando esperávamos que, na ausência de Sócrates, os dois confrontassem os méritos das respectivas filosofias, ei-los a evadir a sua incompatibilidade, para tratarem do pechisbeque da política: contradições, atestadas por recortes de jornais velhos.





O problema de Mendes e Menezes não está em qualquer identificação ideológica entre si e com o PS, mas na incapacidade para tirarem as devidas consequências das suas diferenças. E isso é tanto mais curioso quanto, nos dias seguintes, Menezes renegou os “pactos de regime”, como forma de acabar com a impressão de que “se está de acordo em tudo”. Não deveria ter começado em casa, isto é, no partido? Não, e a razão é óbvia: Mendes e Menezes pertencem a um partido sem estômago para suportar um outro tipo de debate, que não o joguinho da “coerência e contradição”.

Não há que culpar o peso dessa indefinida “social-democracia à portuguesa”, manhosamente adoptada pelo velho PPD no fim de 1975. Devemos antes olhar para o que Menezes, referindo-se à situação partidária, descreveu como um “definhamento que já dura desde 1990-1991”. E aqui, o PSD não é muito diferente dos outros partidos parlamentares, sem excepção. Os partidos portugueses são uma espécie de indústrias falidas, protegidas pelos subsídios do Estado e por um sistema eleitoral que lhes tem garantido o mercado dos votos. A militância partidária é quase sempre, em países democráticos, animada pela recolha de fundos. Financiados e confundidos com o Estado, os partidos portugueses dispensam militantes. No PSD, só um terço dos inscritos pagou as quotas, e uma parte desses nos últimos dias antes das “directas”.

Não fossem as “directas” e o PSD seria feliz sem militantes. O seu funcionamento ficou retratado pelas próprias candidaturas. Mendes reconheceu a urgência de “moralizar práticas internas do partido”. O mandatário de Menezes já sugeriu a possibilidade de interpretar a eleição como um “acto sem valor moral, político e jurídico”. Na falta de uma verdadeira democracia interna, isto é, de um povo militante interessado em discutir com transparência a orientação do partido, os candidatos vivem de arrebatar “estruturas locais”, seduzir barões, ou impressionar jornalistas. A este nível, pode-se discutir pessoas e procedimentos, mas não projectos políticos, que são naturalmente indiferentes para burocracias partidárias, notáveis movidos por considerações pessoais, ou uma imprensa com fome de indiscrições.

Nada disto teria importância, fora das páginas de crónica política, se bastasse aos Portugueses deixar o Estado aumentar impostos e conter despesas. Acontece que não basta. Talvez não seja excessivo insistir na situação excepcional do país. Pela primeira vez nos últimos cinquenta anos, Portugal diverge consistentemente da Europa, já por si uma das regiões menos dinâmicas do mundo. O governo de José Sócrates tem um plano: consiste, entre outras coisas, em distribuir computadores. E se essa distribuição não chegar? Convinha que houvesse outro plano dentro deste regime, protagonizado por um dos grandes partidos. Há trinta anos, quando uma grande parte da esquerda queria fazer passar o futuro do país pelo desfiladeiro das nacionalizações e do poder militar, o PSD representou esse outro plano.

Hoje, é considerado de bom tom dizer que não há espaço para alternativas, por causa do apego da população às larguezas do Estado social. Talvez esse apego exista, mas os Portugueses, como se viu nos últimos anos, não o podem pagar, senão à força de empobrecerem. Se o PSD fosse um outro tipo de partido, poderia tentar envolver os cidadãos na construção prudente de um outro modelo social, que combinasse com maior eficácia e justiça a criação de riqueza e a garantia de uma vida digna. Mas o PSD é o que é – o mesmo que os outros partidos. E se no caso dos outros, daí não vem mal ao mundo – no caso do PSD, vem um pequeno mal ao país.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Sorry Mrs Thatcher, Ferguson just arrived
Paulo,

Não é relevante, na minha opinião, se Santana Lopes foi Presidente do Sporting, se aparece em revistas cor-de-rosa ou se se dá bem com esse mundo ou não.

Pedro Santana Lopes foi Primeiro-Ministro e líder do PSD (e já agora, Presidente da Câmara de Lisboa). O exercício dessas funções ultrapassa a pessoa. Tem de haver respeito institucional.

Como alguém comentou na caixa de comentários não me parece que a TVE, por exemplo, interrompesse Aznar para dar em directo a chegada de Camacho a Barajas.

Mas as atitudes desrespeitosas não ficaram por aqui: um pivô teve o supino descaramento de dizer uma graçola infeliz sobre a capacidade de Lopes levar as coisas até ao fim e Ricardo Costa apelidou a atitude do ex-Primeiro-Ministro de despropositada e precipitada.

Teria sido bem melhor que Ricardo Costa tivesse assumido o erro que seria bem justificável pela normal tensão dos directos e pela necessidade de tomar uma decisão em questão de segundos.

publicado por Pedro Marques Lopes
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Choque educacional
Formação Cívica, Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Educação Sexual, Educação para a Saúde e Alimentação, Educação de Género e o que mais se verá não traduzem apenas a instrumentalização do sistema de ensino como meio de doutrinação e propaganda progressista. Algumas das pseudo-disciplinas que vêm sendo gradualmente introduzidas nos currículos servem também para dar mais poder às diversas clientelas de extrema-esquerda que controlam as áreas respectivas (especialmente a nível universitário, onde as novas pseudo-disciplinas são essencialmente uma coutada de bloquistas e outros socialistas progressistas).

Ironicamente, as pseudo-disciplinas e a mediocridade educacional em que se inserem - juntamente com a ausência de efectiva liberdade de educação - são também as melhores garantias de que os colégios privados dirigidos a segmentos com poder de compra suficiente para pagar duplamente a educação (impostos mais propinas do ensino não estatal) funcionarão cada vez mais como um poderoso factor de distinção social e profissional.

A ausência de liberdade de escolha na educação e o triunfo da longa marcha progressista sobre as instituições de ensino são dois dos mais poderosos inimigos da mobilidade social.

publicado por André Alves
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O interrompido da questão
Estou de acordo com o primeiro ponto de Pedro Marques Lopes: "Santana Lopes teve uma atitude de senhor" ontem na SIC/Notícias ao levantar-se da mesa onde estava a ser entrevistado, depois de interrompido para entrar o directo do Mourinho a chegar a Lisboa. Quanto ao critério editorial da direcção do canal já não diria tanto: afinal este mundo - ou país - de loucos é aquele em que vivemos todos há já algum tempo, incluindo as televisões. Pedro Santana Lopes sempre se deu bem com este mundo, pelo menos desde o momento em que foi presidente do Sporting. A diferença é que, agora, foi ele o interrompido.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Dia 1 nas bancas


Segunda-feira está nas bancas e teremos aqui a capa da edição 31. Posso ainda adiantar que o Bruno Cardoso Reis escreve sobre a efeméride em Outubro das últimas aparições de Fátima; Rui Ramos sobre o lado esquecido de Che; João Pereira Coutinho e Rui Ramos sobre Eduardo Prado Coelho; e António Carrapatoso sobre o que estão - ou não estão - os partidos a fazer para se apresentarem a eleições daqui a dois anos. O resto fica para o dia 1.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Publicado no Meia Hora de hoje
 


Sem alternativa

Se as directas do PSD fossem um filme estaria entre o “Next – Sem Alternativa” e o “Ultimato”. Prefiro o “Next – Sem Alternativa” não porque Luís Marques Mendes tenha alguma semelhança com Nicolas Cage, ainda que não seja de desperdiçar a capacidade de antever alguns minutos do futuro, pelo menos antes dos debates parlamentares com Sócrates. “Sem Alternativa” é como na prática se encontra Marques Mendes no interior do PSD. “Next” porque depois de 2009 as contas serão saldadas e o cenário será muito diferente para o líder do maior partido da oposição.

Luís Filipe Menezes não tem também qualquer comparação com Matt Damon, mas “Ultimato” é o que a sua candidatura está disposta a apresentar ao próprio PSD perante as alegadas irregularidades no processo das directas. A forma como Menezes actua demonstra que não tem perfil para líder da oposição a Marques Mendes no PSD, quanto mais a José Sócrates. Mais relevante é que este modo populista de agir produz danos graves na imagem do partido. É pena. É pena porque seria bastante mais importante para o futuro que o processo das directas fosse notícia pelas ideias e não pela baixa política. Como escreve António Carrapatoso na revista “Atlântico” de Outubro, “o que se verifica é que, de um modo geral, os partidos investem pouco tempo e esforço a desenvolver e a aprofundar os seus projectos políticos”.

Com todo o esforço gasto na pouco digna troca de ataques pessoais, é impossível construir uma alternativa credível ao PS. É pena, sobretudo, porque os portugueses precisam de um projecto político diferente do do actual Governo. Um projecto liberal, que retire o nosso País deste filme.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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O livro do Deus


Não sei se será por amiguismo, mas a mim apetece-me mais ler o Rodrigo Moita de Deus do que o Júlio Isidro. Uma coisa é certa: há que comprar este livro.

[também publicado no 31 da Armada]

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A marquise da França


publicado por Henrique Raposo
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