Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
Eu também tenho um orgulho
Orgulho-me de ter o André Azevedo Alves como colunista e conselheiro editorial desde que sou director da revista Atlântico. De resto, as opiniões de cada um dos autores deste blogue são da responsabilidade exclusiva de cada um dos autores deste blogue. Ao contrário de outros tempos e de outros blogues de Daniel Oliveira, no blogue da Atlântico nunca haverá moscas na sopa, mas - e este "mas" é pluralista, ao contrário de outros - total liberdade de expressão.

PS: Espero não ser insultado por isso, mas na questão dos orgulhos homos e heteros, tanto orgulho para actos tão simples da vida, concordo com o Francisco José Viegas. E raramente estou em em desacordo com o meu amigo João Pereira Coutinho. Posso?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A quem interessar

Este aspirante a patrulheiro subscreve por inteiro este post do Daniel Oliveira e este do Tiago Mendes. É sobretudo um orgulho ter esta nota próxima do texto do Tiago.  



publicado por Pedro Marques Lopes
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A patrulha ideológica da classe dos coitadinhos
Um artigo notável de Francisco José Viegas, com as reacções dos patrulheiros (e aspirantes a patrulheiros) a comprová-lo: Orgulho heteroorgulho gay.

Fica na memória pelas más razões, mas eu não a subscreveria nem imaginaria. Simplesmente, a reacção indignada, quase histérica e cheia de exageros, acusando-a de homofóbica, é mais ridícula do que a campanha propriamente dita e configura uma patrulha sobre toda e qualquer linguagem, engrossando a classe dos coitadinhos e das vítimas de tudo e de nada.

Essa patrulha ideológica, vigiando cada distracção, cada frase mal pronunciada, cada piada ou anedota, cada opinião, cada divergência, cada afrontamento, cada violação das regras linguísticas do "politicamente correcto", é que me parece contraproducente. O ar escandalizado e beatífico com que se condena o humor ou as falhas de humor e se politiza coisas tão banais como uma cerveja razoável são um sinal dos tempos. Afinal, que mal há na declaração ou na reivindicação de "orgulho hetero", à parte a irrelevância do próprio conceito?

Como assinalou João Gonçalves no seu blogue "Portugal dos Pequeninos", "quem é verdadeiramente livre não tem de se 'orgulhar' ou de pedir desculpas por tudo e por nada. E, no limiar do ridículo, de facto a melhor resposta a um 'orgulho homo' é um 'orgulho hetero'."


publicado por André Alves
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As coisas que um gajo aprende


Esta semana fiquei a saber que o deputado Bernardino Soares nasceu em 1971. E eu que não lhe dava mais que 78 anos, ah?

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Acabadinhos de chegar
Cormac McCarthy, Este país não é para velhos, Relógio D'Água.

Zygmunt Bauman, Modernidade e Ambivalência, Relógio D'Água.

Ivo Andric, A ponte sobre o Drina, Cavalo de Ferro.

Dino Buzzati, Pânico na sala, Cavalo de Ferro.

Alain de Botton, Ensaios de Amor, Dom Quixote.

Zadie Smith, Uma Questão de beleza, Dom Quixote.

Orhan Pamuk, O meu nome é vermelho, Presença.

Christopher Hitchens, Deus não é grande, Dom Quixote.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Post que não é sobre o Pavaroti


O tenor não gostou de ser posto num canto.



 

publicado por joao moreira de sá
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Detesto centralismos



Não me agrada a discriminação que se usa quando se referem cidades.

Porque é que há-de ser sempre O Grande Porto, A Grande Lisboa e nunca a Grande Beja, a Grande Amadora, o Grande Entroncamento?



 

publicado por joao moreira de sá
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Post registado com aviso de recepção



Portugal já tem um selo de cortiça.

Agora falta um envelope de gargalo.



 

publicado por joao moreira de sá
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Porque gosto da Spectator


Will Blair become a true Catholic?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Recordar o passado em Caracas
Essencial ver este vídeo do Público para se perceber o que se está a passar na Venezuela. Como se instala um regime ditatorial em nome do povo. Revolução, fuga, censura, ou morte. Espera-se que, como noutras revoluções do passado recente, alguém a atalhe e impeça que seja instalado o "socialismo do séc. XXI" de Hugo Chávez.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
Anúncios absolutamente gratuitos



* Também no 31 da Armada

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A triste greve


Amanhã temos greve da função pública. Os motivos são, para não variar, vagos. Vão desde a exigência de uma “verdadeira” negociação até ao contrariar da destruição dos serviços públicos. Esta última exigência tem um contorno tão evidentemente político que faria corar de vergonha o mais empedernido sindicalista.

Estas greves levam ao pior dos resultados: ao descrédito do movimento sindical, o que é por si próprio algo de profundamente negativo (nunca como hoje foram necessários sindicatos fortes), à vulgarização da greve. Ao não se perceber os motivos, põe-se o resto da população contra os grevistas.

publicado por Pedro Marques Lopes
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Descubra as diferenças
 

clique para ouvir a emissão da europa

Pedro Mexia e Nuno Amaral Jerónimo são os nossos convidados no "Descubra as Diferenças" desta semana, amanhã às sete da tarde na Rádio Europa, com a minha participação e a da directora da estação, Antonieta Lopes da Costa. O insigne colunista do "Público" e o ilustre professor universitário falam em primeiro lugar sobre o que esperar da cimeira de Annapolis - pouco, como sempre, é um facto -, sendo que Pedro Mexia comenta o livro "Israel: Ontem e Hoje", uma colectânea de textos coordenada por Esther Mucznik e Joshua Ruah, com prefácio de Jorge Sampaio. Outros temas, incluindo a greve da Função Pública, podem ser consultados no Jazza-me Muito. Como sempre, o programa volta a passar no domingo, às 11 da manhã e às 19h00.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Sobre os números e os factos
Ainda sobre quem usou como argumento os números de abortos em Portugal:

"Do lado do "Não", nega-se a validade do único estudo ao aborto clandestino existente em Portugal, feito em Outubro pela Associação para o Planeamento da Família (APF), que estimou haver entre 17 mil e 18 interrupções ilegais por ano. E apresentam-se os poucos registos da Direcção-Geral de Saúde (DGS), que numas recolhas fala em 73 internamentos por complicação de abortos clandestinos em 2005, e noutras quantifica 976.

Do lado do "Sim", dá-se crédito à amplitude do fenómeno calculado pela APF e usam-se os números da DGS, tratando como "complicações de abortos clandestinos os mais de dez mil registos agrupados sob o item dos internamentos por aborto". E alerta-se para o papel desempenhado pelo fenómeno da imigração na inflação dos números de abortos noutros países."

JN

"O aborto clandestino e inseguro continua a ser praticado, com graves riscos para a saúde das mulheres. Não sendo possível, em termos estatísticos, visualizar a realidade do aborto clandestino em Portugal, existe, no entanto, um estudo realizado por três médicos: Carlos Matias, Isabel Marinho Falcão e José Falcão, que aponta para os 40 mil abortos ilegais por ano.


Eu voto Sim


"Segundo a Associação de Planejamento Familiar, entre 20 mil e 40 mil mulheres fazem abortos ilegais todo ano em Portugal.


De acordo com a agência de notícias Associated Press, estima-se que 10 mil mulheres sejam internadas em hospitais todo ano em Portugal por causa de complicações pós-cirúrgicas de abortos clandestinos."


BBC 


"Já passaram cinco anos desde a realização do referendo sobre o aborto. E nada mudou. O drama do aborto clandestino continua. Estima-se que haja, em Portugal, entre 20 mil a 40 mil abortos ilegais por ano, com tudo o que isto significa de sofrimento acrescido para as mulheres. Com o actual enquadramento legal, apenas um a dois por cento dos abortos são realizados ao abrigo da legislação em vigor. Todos os anos decorrem processos nos tribunais e há pessoas condenadas, dado que Portugal mantém das legislações mais restritivas da Europa."

Ilda Figueiredo, no Comércio do Porto 

Portugal: Abortos clandestinos podem ascender a 30 mil/ano

"Mais de 190 mil abortos por ano em Portugal"

É preciso mais?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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O mistério das células indignadas
 

Antes da divisão entre esquerda e direita - ou de outra qualquer - está para mim a separação entre os que aceitam e cultivam o debate e os que não são capazes de respeitar as opiniões contrárias, preferindo o insulto ou a tentativa de menorização do adversário. Cada vez menos surpreende que Fernanda Câncio, com as suas generalizações absurdas, esteja entre este último grupo, como comprova este poste. Tenho alguma pena que assim seja, mas o problema é dela e das suas células sempre tão indignadas.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Profetas da desgraça?
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O mais curioso nos vaticínios e nas previsões sobre os resultados da conferência de Annapolis, em Maryland, é verificar que alguns antigos pacifistas de esquerda apostam no seu fracasso, apenas porque é Bush o anfitrião. Ver o palestiniano Abbas apertar a mão ao israelita Olmert é um pormenor. São todos uns fracos e é um detalhe sem qualquer importância. O que interessa é aproveitar a deixa para atacar o vilão americano.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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É possível o diálogo?
Bento XVI apela ao diálogo com o Islão
Papa responde a carta de dignatários muçulmanos e lança convite para encontro no Vaticano

Bento XVI convidou os dignatários muçulmanos que lhe enviaram uma carta apelando ao diálogo para uma visita ao Vaticano. O Papa defende o diálogo recíproco "fundado no respeito e no conhecimento recíproco". Esta é a resposta à carta enviada por 138 líderes muçulmanos, no passado dia 13 de Outubro, por ocasião do fim do Ramadão. Na missiva, os signatários lançavam um apelo em nome da paz e da compreensão entre o Islão e o Cristianismo, afirmando que "a própria sobrevivência do mundo pode estar em jogo".



O Papa manifestou o seu "profundo apreço" por este gesto, pelo espírito positivo que inspirou o texto e pelo apelo a um compromisso comum para a promoção da paz no mundo".

A carta de Bento XVI é endereçada ao príncipe Ghazi bin Muhammad bin Talal, presidente do Insitututo Aal al-Bayt para o pensamento islâmico (Jordânia) e é enviada através do Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano.

No texto, hoje divulgado pelo Vaticano, o Papa reafirma "a importância do diálogo baseado no respeito efectivo pela dignidade da pessoa, no conhecimento objectivo da religião do outro, na partilha da experiência religiosa e no compromisso comum de promover o respeito e a aceitação mútuas".

Manifesta-se ainda a disponibilidade do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religiosa para um encontro de trabalho, em colaboração com outros institutos pontifícios especializados nesta matéria.

"Sem ignorar ou desvalorizar as nossas diferenças como cristãos e muçulmanos, podemos e devemos olhar para aquilo que nos une, a fé no Deus único, criador providente e juiz universal que julgará todas as pessoas, no fim dos tempos, segundo as acções cumpridas", aponta a carta enviada pelo Papa.

Bento XVI mostra-se convencido de que, com a promoção do respeito mútuo nas novas gerações, será possível "cooperar de uma forma produtiva, nas áreas da cultura e da sociedade, promovendo a justiça e a paz".


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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O que será que Sarko tem?
Gosto de ler o Rui Tavares. Apesar de nunca ou quase nunca concordar com o que ele escreve, reconheço que defende os seus pontos de vista de uma forma fundamentada, honesta e frontal.

Infelizmente, escreve hoje no Público uma crónica que põe em causa todos os bons atributos que lhe reconheço e que fazem de mim seu leitor. Desde afirmações gratuitas sobre os eventuais sucessos ou insucessos de Sarkozy enquanto ministro de várias pastas, até ao comentário de que a única coisa que se sabe sobre as politicas de inclusão do presidente francês seriam os drones e as medidas anti-pirataria informática. Com uma passagem de certificado de infâmia a Sarkozy, afirmando que o homem eleito pelos franceses só se importa com os apoiantes e amigos, dando como exemplo o fim do imposto sucessório para os ricos (santo país que tem mais de 50% da população considerada rica) e a devolução de 580 milhões de euros de IRS (sem qualquer tipo de explicação sobre a razão desta devolução, claro está), valeu tudo nesta crónica.

Segundo Rui Tavares “era suposto a Economia responder com um choque de dinamismo que não aconteceu”. O facto de Sarkozy nem um ano levar de presidência é perfeitamente desprezível para Rui Tavares. Mas, ainda segundo ele, não interessa nada o choque não ter acontecido: Sarkozy não está preocupado com a Economia. Nem com nada, presumo agora eu. Como a França é grande, Sarko e os tais amigos podem estar refastelados num qualquer chateau enquanto o povo anda a incendiar carros nos subúrbios. Segundo Rui Tavares, Sarkozy não está nem aí.

(a despropósito: o Arrastão tem nova casa e nova decoração. Parabéns a Daniel Oliveira)

publicado por Pedro Marques Lopes
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Pela nossa saúde?
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.


TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.

-

A reler, na íntegra, a crónica de António Barreto, "Eles estão loucos", no Público do passado sábado (aqui).

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A deposição da ministra
O "caso Tiepolo" continua a enterrar a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima:
Afinal, o "caso Tiepolo" é ainda mais extraordinário do que parecia. Segundo o Público, a leiloeira, a poucas horas de levar o quadro à praça, garante ter um despacho de Isabel Pires de Lima informando que o quadro não está classificado, mas "em vias de classificação".

Pedro Picoito, n' O Cachimbo de Magritte 


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PCP: o partido dos contratos a prazo
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, reafirmou esta tarde que Luísa Mesquita tinha assumido por escrito o "compromisso de honra" com o partido de deixar o lugar de deputada se assim lhe fosse pedido e que não tinha sido negociada qualquer excepção para esta prática instituída entre os comunistas.

Público

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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
De arrastão em arrastão


Daniel Oliveira mudou de endereço, mas não de sermão. Agora é por causa do artigo da "Veja" sobre Che Guevara. Jon Lee Anderson [repórter americano e autor de uma biografia de Che citada no mesmo artigo], não gostou do que foi escrito e enviou um email a criticar um dos autores da peça, Diogo Schelp, editor de internacional da revista brasileira. Não é que desconfie das fontes de DO mas preferia ler a carta no original. Não é a primeira nem será a última vez que um autor de um livro critica a interpretação de um jornalista - e vice-versa. Ou que jornalistas entram em confronto.

[Adenda ao poste corrigido: Li entretanto através do Google as duas versões que correm na net do email de Jon Lee Anderson e também a resposta do editor de internacional da Veja, assim como uma contra-resposta do repórter americano. Diogo Schelp afirma não ter recebido a mensagem inicial de Anderson apesar de o email ter sido distribuído por diversos jornalistas da concorrência. Aconselho ainda a leitura do texto do jornalista e colunista da revista brasileira, Reinaldo Azevedo, que demonstra que a tradução de Pedro Doria, apresentada por Daniel Oliveira no Arrastão, não é fiel ao original. Para além disso, Reinaldo Azevedo, que é entrevistado na próxima edição da Atlântico, lembra que o texto de Diogo Schelp e Duda Teixeira, publicado por ocasião dos 40 anos da morte de Che Guevara, apresentava diversas fontes. E acusa Anderson de se presumir dono da biografia do guerrilheiro.]



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Portugal de…


O regresso do "Portugal de...", assinado por Rui Ramos, continua hoje na RTP1, com Maria Filomena Mónica. A não perder - ou uma nova oportunidade para gravar, porque passa de madrugada, à 1h45.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Como diria o Pedro Marques Lopes
Ou como ele (não) escreve no 31 da Armada, o FC. Porto é tão bom que foi goleado pelo Liverpool. E o Benfica é tão mau que hoje empatou com o Milan num jogo considerado brilhante.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A ler
Um em cada três licenciados ingleses tem um emprego que não requer licenciatura. A sobre-qualificação em determinados desempregos resulta de uma insuficiente procura (ou um excesso de oferta) para essas qualificações. Num estudo da LSE, referido pelo “Financial Times”, critica-se a forma como os governos ingleses têm insistido, desde 1992, na ideia de que mais trabalhadores qualificados são sempre uma coisa boa, quando não essencial à “competição com outros países”. Em Portugal vivemos uma situação de contornos idênticos.

Dois efeitos previsíveis deste tipo de discurso político são a frustração de muitos licenciados, que acabam por ter um retorno do investimento feito inferior ao esperado; e a afectação de outros recursos económicos de forma ineficiente – porque demasiado enviesada e alheia à realidade do país. Aquilo que os ingleses já perceberam é que, por muito “avançado” e “tecnológico” que um país se torne, existirão sempre empregos que exigem baixas ou médias qualificações (aliás, tão dignos quanto os outros, mas talvez os cérebros que desenharam a campanha publicitária das “novas oportunidades” discordem). A cegueira nacional faz-nos temer o pior.


Tiago Mendes, no "Diário Económico" de hoje.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Racismo?
http://www.urru.org/caricaturas/mugiagain.jpg

Concordo com o que escreve hoje Rui Ramos no "Público". Não percebo porque é que se faz tanto alarido com a vinda do proto-ditador Mugabe à cimeira UE-África em Lisboa e se recebeu tão de mansinho e até com manifestações de apoio - ridículas, mas enfim - o proto-ditador Hugo Chávez. Será racismo?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Chamem a polícia?
 

Não é novidade que os portugueses desconfiam das autoridades. Não é surpreendente que a maioria dos inquiridos num estudo conduzido pela Deco (Associação para a Defesa do Consumidor) tenha dado nota 3, numa escala de 1 a 10, às polícias nacionais. Judiciária, PSP e GNR receberam a pior classificação entre os países avaliados - Espanha, Bélgica e Itália foram alvo deste  inquérito produzido em parceria com associações congéneres. Pouca gente apresenta queixa às polícias em Portugal, simplesmente porque não se acredita em resultados práticos. Não chegam a ser novidade nem podem surpreender estas conclusões, mesmo que os níveis de criminalidade pouco tenham crescido. O sentimento de insegurança existe, como decorre também da análise da Deco.

O que tem surpreendido e deve ser considerado novidade é assistirmos nos últimos tempos a um coro de críticas ferozes às polícias por altos funcionários do Estado. O que surpreende é ouvir o Inspector-Geral da Administração Interna, Clemente Lima, há dois anos responsável directo pela inspecção de esquadras e postos da GNR e da PSP, dizer em público num jornal que "há por aí muita cowboyada de filmes americanos na mentalidade de alguns polícias". O que ainda deveria ser notícia é o desinvestimento progressivo por parte do Estado nas forças de segurança. Mal pagos e pior equipados, alheios a choques tecnológicos, os polícias são um retrato do país em que vivemos. São portugueses típicos. Será que não teremos afinal as polícias que merecemos?

[Publicado hoje no diário Meia Hora

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Attention is not enough
Um bom amante (o genero é irrelevante) não está apenas atento aos desejos do outro: tem também de ter muita habilidade. Por mais vontade e dedicação que ele tenha, sem engenho, os lábios da parceira nunca se aproximarão, digamos, de uma Nova Iorque  ou de uma Nova Deli  em pleno Agosto.


publicado por aLaíde Costa
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“Previsto” por quem? E porquê?
Ao ler o artigo assinado hoje por Fernanda Câncio no "Diário de Notícias", verifico com a satisfação possível num drama como este que o número de abortos realizados até agora está "muito abaixo do previsto". Mas "previsto" por quem? E porque razão?
Cito: "Estou convicto de que não vamos ultrapassar os dez mil abortos por ano. Se assim for, teremos uma taxa de 10% em função do número de nascimentos, o que tornaria Portugal um caso excepcional, com uma das mais baixas taxas de aborto no mundo, em termos de países que legalizaram a interrupção da gravidez por vontade da mulher." Para Jorge Branco, o coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, estes cinco meses de vigência da lei serão suficientes para avançar com uma extrapolação. "Pelos dados que temos, a situação está mais ou menos estabilizada. E como português e como médico só posso ficar muito feliz por termos uma taxa de aborto inferior à da generalidade dos países da Europa."

Ainda segundo o texto assinado por Fernanda Câncio, jornalista que legitimamente foi partidária empenhada do "Sim" no último referendo, depois da legalização - ou da despenalização - Portugal está "ao nível de um país como a Irlanda, em que o aborto é rigorosamente proibido (a lei é mais severa que a anterior lei portuguesa) mas onde as mulheres têm a possibilidade de ir ao Reino Unido interromper a gravidez."

O que é singular no referido artigo é que, em momento algum, se faz o devido confronto com a Associação para o Planeamento da Família (APF) ou se recorda de forma taxativa os números de supostos abortos em Portugal que, de acordo com a generalidade dos defensores do "Sim", incluindo Fernanda Câncio e a APF, tinham lugar antes da aprovação da actual lei em referendo.

Ora esses dados indicavam que "todos os anos se realizavam mais de 20 mil abortos" - cheguei a ler "entre 23 mil e 40 mil". Parecia-me relevante confrontar a APF - e não só - com os estudos e os números que apresentou ainda no ano passado - por exemplo neste estudo sobre “A Situação do Aborto em Portugal: Práticas, Contextos e Problemas”. Parecia-me interessante que os defensores mais empenhados do "Sim" reconhecessem e pedissem desculpas pelo erro grosseiro que serviu como um dos principais argumentos de campanha no referendo. É que as percentagens que indicaram aos eleitores simplesmente duplicam o número de abortos que realmente se praticam "todos os anos": 20% era o indicado pela APF, 10% os que são, de facto, realizados. Em que ficamos?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Família e natalidade (2)
O liberalismo enquanto expressão de “óbiquidade”. Por RAF.

Opções. Por HF.

Filhos: liberdade ou privilégio? Por AMN.

Fazer bebés V. Por JM.

publicado por André Alves
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Família e natalidade
The Rise of Family-Friendly Cities

Contrary to popular belief, moreover, the family is far from the brink of extinction. Most Americans, notes the Pew Research Center, still regard marriage as the ideal state. Upwards of 80% still marry, and the vast majority end up having children. Brookings demographer Bill Frey notes that the number of married couples with children has actually been on the rise after decades of decline. Mr. Frey traces this to changing attitudes among the native born, as well as the growth of a largely family-oriented immigrant population.

The rapidly increasing percentage of college educated women, a group that places a high value on marriage and children, are emerging as critical shapers of the future skilled workforce. Two decades ago, these women were less likely than other women to marry. Today, a single, 30-year-old woman with a graduate degree has about a 75% chance of getting married, compared with a single 30-year-old woman with less education, who has about a 66% chance.

(...)

The family's enduring supremacy is also apparent in the attitudes of young people, the so-called millennials. As Morley Winograd and Michael Hais suggest in their upcoming book, "Millennial Mainstream," this new generation is twice as numerous as Generation X, and far more family-oriented. They display markedly less proclivity for teen pregnancy, abortion and juvenile crime. They also tend to have more favorable relations with their parents, with half staying in daily touch and almost all in weekly contact.

The evidence thus suggests that the obsession with luring singles to cities is misplaced. Instead, suggests Paul Levy, president of Philadelphia's Center City district association, the emphasis should be on retaining young people as they grow up, marry, start families and continue to raise them.


(via O Insurgente)

publicado por André Alves
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Eu acho


O Camões era um lírico.



 

publicado por joao moreira de sá
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Descubra as Diferenças II



O "período" é muito masculino. 

Chateia meses a fio mas assim que sabe que a gaja está grávida, deixa de aparecer.



 

publicado por joao moreira de sá
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Descubra as diferenças I



As mulheres são mais organizadas 

Os homens nunca teriam “período”. Quanto muito teríamos “ocasional”.



 

publicado por joao moreira de sá
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O partido dos despedimentos selvagens
Deputada Luísa Mesquita expulsa do PCP.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Uma excelente notícia
 http://jornal.publico.clix.pt/imgCronFull/vascoPulidoValente.jpg

"Portugal de..." está de regresso à RTP 1. Se os horários estiverem correctos recomeça ainda hoje de madrugada, às 2h00 em ponto. E logo com Vasco Pulido Valente. A entrevista é conduzida por Rui Ramos e a produção é de João Barrigana.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Não há mulheres frias

Andava a pensar no Kishore Muhbabani e no Raja Mohan (e na forma com os asiáticos nos vão lixar entrando na América pelo Pacífico), quando, naquelas telas do Metropolitano, oiço o seguinte: “30% mulheres portugueses sofrem de falta de desejo sexual”. Lamento, mas isso está errado. Não há mulheres frígidas, só homens desatentos.



publicado por Henrique Raposo
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
Fama e proveito
Miguel Sousa Tavares diz hoje ao “24 Horas” que já tem fama de sobra. Eu concordo. Não sei é se o “24 Horas” será o meio indicado para o confessar.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Petição
PETIÇÃO EM PROL DAS CRIANÇAS VÍTIMAS DE CRIMES SEXUAIS

Para estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal.

(Via Curiosa, numa caixa de comentários)

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Chamem a polícia?
O "Público" divulga hoje um estudo da Deco em que os portugueses dão nota 3 às polícias portuguesas, numa escala de 1 a 10. É a pior classificação no inquérito que também inclui Espanha, Bélgica e Itália. Os portugueses queixam-se de que não vale a pena queixarem-se de crimes à polícia. Mas será que não se deveriam queixar do desinvestimento progressivo do Estado nas forças de segurança? Será que afinal os polícias que temos correspondem apenas ao retrato do país em que vivemos? Amanhã escrevo sobre o assunto no Meia Hora.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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O que está em causa em Annapolis


O novo míssil balístico do Irão, com 2000 Km de alcance. Anunciado hoje, pelo ministro da Defesa iraniano. Tudo para fins pacíficos, não se esqueçam. 

publicado por Bernardo Pires de Lima
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O novo mapa cor-de-rosa?
Edição do dia © Meia Hora

Clique na imagem para ler o Meia Hora (em pdf), sobre o possível acordo autárquico entre PS e PSD.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Entre o 25 de Novembro e o 4 de Dezembro
http://enciclopedia.com.pt/images/sacarneiro.jpg

O desafio à revolução:
Sá Carneiro e o 25 de Novembro


Por RUI RAMOS

É curioso que as direitas comemorem, simultaneamente, o golpe de 25 de Novembro de 1975 e a memória de Francisco Sá Carneiro. O 25 de Novembro evitou uma guerra civil? Sem dúvida. Mas evitou também, através de um pacto de transição, a ruptura com o património do Período Revolucionário Em Curso (PREC), logo a seguir constitucionalizado. A revolução parou, mas não recuou. Foi contra esse património revolucionário, naquilo que significava de tutela militar e limitação da iniciativa dos cidadãos, que lutou Sá Carneiro. Aqueles que nele se revêem deveriam talvez comemorar outro Novembro, o de 1977, quando Sá Carneiro, ao abandonar a presidência do PSD, iniciou a ruptura com o pacto de transição instituído em Novembro de 1975. Uma ruptura que a morte de Sá Carneiro, a 4 de Dezembro de 1980, impediu fosse totalmente consumada.

[Publicado na Atlântico de Dezembro de 2006] 



http://dn.sapo.pt/2005/12/04/822984.jpg

O fracasso de um “partido dominante”

Para compreender o 25 de Novembro de 1975 e Sá Carneiro é necessário começar por rever a história do chamado PREC. Esta história existiu, durante anos, sob a forma oficial de uma lenda heróica. Álvaro Cunhal, a cavalo do mítico poder do seu partido, o “único partido com organização”, teria tentado tomar o poder. Mário Soares resistiu-lhe. O 25 de Novembro representaria a derrota final do PCP no último minuto. Sá Carneiro não faz parte desta saga. De facto, esta história oficial impede de perceber Sá Carneiro. Para isso, será preciso outro ponto de vista. De facto, nem o desvio revolucionário dependeu simplesmente da força do PCP, nem o 25 de Novembro se traduziu por uma verdadeira “normalização”, no sentido da consagração definitiva do modelo de sociedade europeu e ocidental.
Curiosamente, se havia um político com futuro promissor em 1974, a seguir ao golpe de 25 de Abril, parecia ser Sá Carneiro. Braço direito do chefe do governo provisório, Adelino Palma Carlos, e por essa via do general Spínola, foi o primeiro político, em democracia, a viver na residência oficial do primeiro-ministro em S. Bento. Aos 39 anos, ficara famoso com a sua guerrilha parlamentar a favor de um Estado de direito e do pluralismo político na Assembleia Nacional, entre 1970 e 1972. O seu novo partido, o PPD, parecia capaz de unir uma parte da elite oposicionista, sobretudo velhos republicanos, e uma parte da elite do Estado Novo, especialmente jovens tecnocratas e notabilidades locais, numa força reformista não-marxista. Houve quem, por isso, visse antecipadamente o PPD como o “partido dominante” de uma “transição democrática” em que se esperava do “voto popular” a determinação do destino do “ultramar”, e as grandes “opções sócio-económicas”.
Nada se passou assim. Sá Carneiro passou dois meses no governo, em Maio e Junho de 1974. Ficou então identificado com o projecto de arranjar para Spínola um mandato eleitoral, que permitisse ao general ultrapassar os oficiais revolucionários do MFA. Este esforço sujeitou-o à sua primeira derrota. O problema de Sá Carneiro é que Spínola, em relação ao ultramar, alimentava aspirações que não garantiam o fim da guerra em África. Os oficiais do MFA desejavam pôr termo às operações militares em África. Acabaram assim por se identificar com os partidos da esquerda marxista, os únicos dispostos a subscrever a retirada imediata do ultramar. Até 1974, a esquerda marxista estivera mais ou menos isolada e confinada a alguns sindicalistas, profissionais liberais e estudantes universitários. A força que subitamente adquiriu derivou do modo como uma opção militar em África lhe abriu as portas do Estado. O “centro” concebido por Sá Carneiro falhou pela dificuldade de aceitar a solução expedita da questão ultramarina. E ainda por outra razão. Depois da alta dos preços do petróleo, parecia previsível uma fase de austeridade. A esse tipo de governação, convinha a cumplicidade dos partidos marxistas, que controlavam os sindicatos. Sá Carneiro pareceu assim fora de todas as jogadas. Na direcção do PPD, muita gente atribuiu o fracasso ao seu feitio assomadiço e ao seu “pessimismo” sobre o MFA. Sá Carneiro demitiu-se uma primeira vez da direcção do PPD a 17 de Julho. Não lhe aceitaram a demissão, mas ficou claro que o partido não era inteiramente seu.

Em busca de uma “transição pacífica”

Fora de Portugal por doença, Sá Carneiro não acompanhou o PREC entre Fevereiro e Setembro de 1975. Quando regressou, já Vasco Gonçalves tinha sido liquidado pela conjugação, em Agosto-Setembro, das facções representados por Otelo (o grupo do COPCON) e Melo Antunes (o grupo dos Nove). Toda a luta política parecia então determinada pela dança das facções do MFA: unidas contra Spínola, tinham-se dividido perante o PCP. O domínio do Estado dependia então das boas graças dos militares. O fim de Vasco Gonçalves deveria ter significado a baixa da maré do PCP, e a ascensão do PS, vencedor das eleições para a Assembleia Constituinte. Em desespero, o PCP tentou manipular Otelo. No 25 de Novembro, o PCP perdeu mais essa carta. Mas não perdeu logo o jogo.

Melo Antunes e o PS beneficiaram sempre do facto de os conservadores estarem disponíveis para os secundar em posição ancilar e sem reclamarem créditos: foi a Igreja quem levantou o norte em Julho, mas Mário Soares que chefiou a luta; foram os spinolistas que deram força operacional a Melo Antunes em Novembro, mas este que apareceu na televisão a definir o rumo dos acontecimentos. Isso correspondia também à opção dos inimigos externos do PCP na América e na Europa ocidental, que preferiram conter a revolução em Portugal investindo em Soares.

Por isso, Sá Carneiro não foi exactamente bem-vindo nos arraiais da resistência ao PCP e a Otelo. Mais do que um reforço, pareceu uma distracção para o arranjo estabelecido, em que o “bom” MFA, de Melo Antunes, e a “boa” esquerda, de Mário Soares, se tinham reservado os papéis principais na “libertação” de Portugal.

Em Setembro, na sua primeira conferência de imprensa em Lisboa, Sá Carneiro exaltou a “reacção popular” contra o “domínio comunista”, que foi “um evento histórico dos mais notáveis dos últimos tempos”. Era um tabu, porque os adversários dos comunistas em Lisboa não costumavam congratular-se com o incêndio das sedes do PCP no norte. Pior do que isso, Sá Carneiro atreveu-se a exigir que se retirassem as consequências lógicas da resistência ao PCP: se era verdade que conspirara para tomar o poder, o PCP devia ser expulso do governo; tendo facilitado a deriva revolucionária, a tutela do MFA, expressa pelo pacto com os partidos, devia acabar; havendo-se disposto a encabeçar as manifestações contra o “gonçalvismo”, o PS devia declarar claramente a sua ruptura com a restante “família marxista”, e optar pelo campo democrático ocidentalista. Ora, não estava no guião do filme que se chegasse tão longe. A lógica de Sá Carneiro foi recebida como uma loucura.

No início do rescaldo do 25 de Novembro, Melo Antunes declarou logo que o PCP mantinha o seu lugar. Porquê? Porque Melo Antunes, tal como o PS, temiam perder o seu papel de árbitros do poder, se deixassem os seus auxiliares de direita liquidar o PCP. Apresentavam-se como uma força de charneira, o intermediário entre dois blocos, a direita e o PCP, que sem eles se lançariam numa pavorosa guerra civil.

A esta tese, juntava-se outra, que o PCP também subscrevia: a de que a democracia, em Portugal, visto o compromisso das direitas com o salazarismo, apenas poderia ser alcançada desde que fosse garantido o domínio político da esquerda, com a socialização da riqueza. Só que este processo deveria ser concebido como uma “transição”, gradual, prudente, até pluralista, evitando-se as brutalidades que o PS e Melo Antunes atribuíam ao PCP. Melo Antunes explicou que, depois do 25 de Novembro, estavam “restauradas as condições” para o “MFA ser o portador de um projecto nacional de transição pacífica para o socialismo, no qual colaborem todos os partidos”. E nos meses seguintes, esforçou-se para que os partidos aceitassem a tutela do MFA.

A tutela não passou sob a sua forma mais grosseira de 1975, mas os partidos não lhe resistiram sob um aspecto mais respeitável: um presidente da república com vastas competências e prerrogativas, ficando o lugar reservado para um militar; e o exercício pelo MFA das funções de tribunal constitucional, sob a forma de Conselho da Revolução. A constituição, entretanto, sacralizava o “gonçalvismo”, das nacionalizações à reforma agrária. Por isso, Cunhal não se sentiu obrigado a confessar uma derrota no 25 de Novembro. Manteve o seu ministro e os seus seis secretários de estado. E Portugal, como explicou repetidamente nos anos seguintes, não ficara a ser uma “democracia burguesa”. Tal como ele tinha prometido que nunca seria em 1975.

O “perturbador da harmonia democrática”

No dia 25 de Novembro, Sá Carneiro não estava em Portugal. Estava na Alemanha, a tentar convencer o governo alemão a investir no PPD. Todos os partidos – incluindo o PCP, apesar dos mitos – tinham sido montados com dinheiro estrangeiro a partir de posições no Estado. O PPD andara no governo, mas era o único grande partido português sem enquadramento em internacionais partidárias – e isto queria dizer, em primeiro lugar, sem dinheiro. Não era também um grande instrumento para subir ao poder. Tinha ficado em segundo lugar nas eleições de Abril de 1975, mas era um partido regional: 80 por cento dos seus 10 mil militantes eram do norte e das ilhas. Muitos dos seus dirigentes estavam convencidos de que a companhia do MFA e do PS era a única forma de granjear influência. Sá Carneiro, que rapidamente se incompatibilizou com Mário Soares e começou a atacar o “melo antunismo”, não parecia capaz de absorver essa óbvia sabedoria. Foi forçado a recuar. Deixou-se convencer por um delegado de Melo Antunes de que o PPD não deveria sair do governo em protesto pela permanência do PCP. Em Dezembro, uma parte dos seus correligionários abandonaram-no, na primeira das duas grandes cisões do PPD.

Mesmo os que ficaram ao seu lado se recusaram a segui-lo, quando ele lhes sugeriu votar contra a constituição. Não queriam correr riscos. Nem o país, no fundo. Sá Carneiro foi, por isso, o maior derrotado da eleição de Abril de 1976, que revelou um país que queria preservar os equilíbrios de 1975, e ainda via no PS o árbitro desses equilíbrios.

Sá Carneiro viveu no momento de maior mudança de Portugal no século XX, o momento em que chegava ao fim a antiga sociedade rural e o império, e começava uma democracia de massas. Essa democracia foi, porém, inicialmente concebida como uma democracia de facção, em que um grupo de iluminados, sob protecção militar, se permitia mediar entre ideias opostas, e assim poupar aos portugueses a responsabilidade e os riscos do debate. Em 1975, a sociedade portuguesa exibira o seu pluralismo. O novembrismo assentou no esforço de constituir uma vida política imune ao conflito e à tensão que poderiam daí derivar. O salazarismo eliminara o conflito através da repressão. O novembrismo propunha-se eliminá-lo pela capacidade de mediação dos seus protagonistas, Soares e o novo presidente da república, o coronel Eanes. Partia do princípio de que a direita estaria disposta a admitir esse protagonismo, desde que os seus tecnocratas e empresários fossem alcançando posições e fazendo negócios, convencidos de que não podiam dispensar o guarda-chuva de esquerda.

Desde Fevereiro de 1977,  a economia do país assentou na tentativa de ganhar competitividade externa à custa do embaratecimento do trabalho. Como desenvolver uma política dessas sem caução da esquerda? De um lado, havia a constituição, do outro o pedido de adesão à CEE. Uma apontava para o socialismo completo, o outro para o Estado social com economia de mercado. O truque era, sob a guarda da esquerda militar e civil, fazer de conta que não havia contradição. Quando falavam do “socialismo”, os homens da esquerda militar e civil do novembrismo recusavam todas as comparações, da Escandinávia à URSS. O socialismo deles era um sistema tão original que ainda não existia em lado nenhum do mundo. Parecia-se com tudo – e com nada. À vontade do freguês.

Sá Carneiro contrariou tudo isto. Foi, como o classificou Eduardo Lourenço em Setembro de 1978, o “perturbador nato da harmonia democrática”. Para romper o bloqueio imposto à vida política pelo pacto de transição, apostou nas mais variadas miragens: uma maioria presidencial sob Eanes, um bloco central com o PS, e um bloco de direita com o CDS. Tudo foi falhando, e ele foi insistindo. É sempre tentador examinar estas manobras como um mero jogo. Ou como uma questão de carácter: Sá Carneiro seria alguém que gostava de “rupturas” e de “confrontos”. Mas não é exacto reduzi-lo a um percurso ditado por contingências externas e instabilidades íntimas. Numa ditadura pode-se talvez fazer carreira assim, mas não numa democracia, onde é preciso convencer e liderar massas de cidadãos. Sá Carneiro tinha uma visão das coisas. Foi essa visão que acabou por inspirar e formar a maioria eleitoral de Dezembro de 1979.

A longa marcha para essa vitória começou no Outono de 1977. Foi um ano de enorme desalento, com a crise da balança de pagamentos, inflação e desemprego. Subitamente, os compromissos do novembrismo tornaram-se insuportáveis para muita gente. No entanto, os correligionários de Sá Carneiro no PPD (então já PSD) queriam-no ver ainda a mendigar atenções a Eanes e ao PS. A 15 de Outubro, o presidente Eanes anunciou a “democracia socialista” como objectivo nacional.  Foi então que Sá Carneiro  rompeu. A 7 de Novembro, decidiu abandonar o PSD. No Conselho Nacional do partido, de 12 de Novembro, em Lisboa, deixou a presidência. Explicou que não voltaria a dirigir o PSD sem que o partido tivesse como objectivos a revisão da constituição, e a eleição de outro presidente da república. No mesmo momento, o coronel Pires Veloso saiu do comando da região militar do norte. Sentiu-se então o reacender da “reacção popular” de 1975. Sá Carneiro identificou-se com essa reacção. Foi o momento da sua verdadeira emergência. Em 1974, tinha sido o conselheiro de um general, como tantos outros quiseram ser. Em 1977, tornou-se um líder popular, identificado pelas sondagens como o chefe de partido mais estimado do país.

De onde veio esta popularidade? Segundo Eduardo Lourenço, escrevendo numa cada vez mais melancólica revista de esquerda, do facto de Sá Carneiro ser o único político português que sabia o que queria, ou melhor, que sabia o que não queria: “o que ele não quer é o socialismo, mesmo sob a forma travestida e irreconhecível que ele tem assumido entre nós”. E reconhecia: “deve-se agradecer a Sá Carneiro ter tido a coragem de desafiar a revolução”. Lourenço dizia isto esperando vagamente que, do lado da esquerda, surgisse uma resposta à altura. Não surgiu. As esquerdas limitaram-se a fugir para junto de Eanes, o representante último da transição à maneira do 25 de Novembro. Mas mesmo os companheiros de Sá Carneiro desconfiaram do “desafio”. Também eles sabiam o que não queriam: os riscos de desafiar a “harmonia democrática”.

O manifesto eleitoral da Aliança Democrática de 1980 esclareceu o novo rumo: “contra a burocracia socialista, pela mudança libertadora”. A grande ideia era a de que “não há liberdade política sem um amplo espaço de liberdade social e económica”. A “iniciativa privada na sociedade e na economia tem de encontrar condições para exprimir a sua criatividade, para exercer o sentido do risco e da responsabilidade, para se confrontar com um clima de sã concorrência”. Ora, isto era a inversão de tudo aquilo que os intelectuais portugueses sempre haviam dito no século XX. Ainda em 1974, acreditara-se que a liberdade política dependia da socialização e do condicionamento estatal da iniciativa privada. A AD sugeria ainda, contra a sabedoria ancestral do regime, que numa “sociedade aberta e pluralista”, a “existência de tensões” deveria ser encarada positivamente, “de modo construtivo”. Por isso, propunha-se “pôr um ponto final no regime de transição em que temos vivido, e que só em parte se pode considerar democrático”. A actualidade de tudo isto é um triste sinal do que ficou por fazer.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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desapareceu de forma abrupta…
 ... e dito isto, desapareceu!!!

publicado por joao moreira de sá
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E agora uma história para crianças: era uma vez Maomé, o ursinho de peluche ofensivo


Gillian Gibbons, uma professora inglesa de 54 anos radicada no Sudão, foi presa pelas autoridades sudanesas, sob acusação de ter deixado a sua turma do 2º ano baptizar um urso de peluche com o nome de Mohammed. Este exercício foi considerado “um insulto” ao profeta muçulmano e poderá valer a Gillian até três meses de prisão.

No "Público"

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Post escrito


Pediu-me um bloco de notas mas eu só tinha uns trocos.



 

publicado por joao moreira de sá
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Que remédio


Desde que me disseram que tinha que tomar partido ando indeciso entre tomar 500mg de BE, uma colher de xarope de PP, 1 saqueta de PCP, uma injecção de PSD ou um supositório de PS.



 

publicado por joao moreira de sá
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Declaração de Principio


Façam o que fizerem, recuso-me a ouvir músicas de natal em Novembro.



publicado por joao moreira de sá
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
That’s a fact
O embaixador dos Estados Unidos em Lisboa lamentou hoje o anúncio de uma redução do contingente militar português no Afeganistão e acusou o Governo português de se preocupar mais com as sondagens do que com a segurança global.

"Os líderes europeus parecem mais intimidados pelas sondagens do que determinados a convencer as suas opiniões públicas de que os combates contra os taliban devem prosseguir”, disse o embaixador dos EUA em Lisboa.

Lusa (via Público)

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O embaixador Alfred Hoffman vai embora no sábado e talvez por isso possa finalmente utilizar a franqueza que não é comum nos diplomatas. O tempo que por cá passou foi suficiente para perceber o estado de espírito político dominante em Portugal e na maior parte da Europa. Retomando a minha classificação, nem a esquerda-bebé (aquela que, tal como os bebés, sabe distinguir os inimigos dos amigos), a que sem dúvida pertencem dois ministros deste Governo, o dos Negócios Estrangeiros e o da Defesa, consegue resistir ao canto das sereias da esquerda-cheché, que acredita ser a democracia a soma das sondagens e dos referendos.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Fórmula para Paulo Tunhas, João Galamba e Miguel Morgado
Habermas, ao fugir tanto de Jünger, destruiu Kant.

publicado por Henrique Raposo
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