Mais: se esta cimeira tiver o sucesso que o João aqui descreve, ela demonstra duas coisas essenciais: em primeiro lugar, a importância das relações bilaterais no processo europeu, o que revela a sua vitalidade no mundo politicamente correcto do multilateralismo de fachada; segundo, que o fantasma das iniciativas dos grandes (a que alguns chamam directório) nem sempre são prejudiciais à União. Caso se pautem por um conjunto de princípios políticos como os desta cimeira, são mesmo a forma mais célere e desejável de movimentar uma organização com uma disparidade tão distinta de interesses nacionais em jogo nos processos de decisão.
“A Associação Nacional de Farmácias (ANF) está a recolher informação de receitas médicas com o objectivo de a vender à indústria farmacêutica” (in Expresso, 29 de Março de 2008, p.16).
A notícia vem no Expresso deste sábado, e desenvolve-se ao longo de toda a página, entre explicações das vantagens para a ANF e dos perigos para os médicos, defendidos por Pedro Nunes, Bastionário da Ordem dos Médicos. Mas os perigos que Pedro Nunes aponta são apenas aponta do icebergue.
Com a venda destas informações, os pacientes ficam expostos. Claro que a ANF já reiterou a ideia de que as informações seriam tratadas confidencialmente, mas quem garante que o seja? Para que realmente o fossem, os dados teriam que estar inscritos na Comissão Nacional de Protecção de Dados. E não estão.
O objectivo evidente deste negócio é saber que médicos receitam mais determinados medicamentos de forte interesse comercial para as indústrias farmacêuticas. Não se trata de descobrir quantas caixas do medicamento X foram vendidas. Isso é fácil: bastaria comparar os números da produção com os pedidos das farmácias para renovação de stocks – o que certamente já é feito pelas indústrias farmacêuticas. Trata-se sim de associar os médicos aos medicamentos que vendem. E é aí que reside o perigo, para os médicos e para os pacientes.
(1) Os laboratórios farmacêuticos fazem regularmente congressos médicos de divulgação dos seus novos produtos, muitas vezes fora de Portugal, onde cobrem todos os gastos aos médicos, da estadia às refeições, e até os passeios culturais. Não são férias pagas, mas quase. É uma mistura de marketing com promoção de conhecimento científico. É uma relação susceptível de excessos, mas até prova em contrário, não vejo aí um verdadeiro problema. Mas a partir do momento em que as farmacêuticas têm acesso à informação de receitas de médicos, tudo isto se torna mais grave – a tentação de recompensar os médicos que receitam mais de determinado medicamento é real. A selecção dos médicos convidados para os congressos passará a ser o número de receitas favoráveis, e não a sua especialidade. Permitirá às farmacêuticas medir os resultados das suas acções de formação, mas, igualmente, permitirá a essas mesmas farmacêuticas pressionar os médicos com base nos números.
A IMS (consultora que trabalha com as farmacêuticas) afirma que “não há qualquer hipótese de ser identificado o médico, nem a prescrição que ele faz. A chave que nós temos só nos permite saber qual é a especialidade e relacioná-la com a origem geográfica da receita”. Acredite quem quiser. Como responde Pedro Nunes, “caso não exista protecção dos dados pessoais, os médicos serão alvo de pressões inaceitáveis por parte dos laboratórios, que podem conduzir a um aumento da prescrição e consequentemente do consumo de medicamentos”.
(2) As consequências são evidentes: os médicos ficam pressionados para vender um produto – tipo vendedor de automóveis à comissão. Daí, um médico poderá escolher a medicação por razões outras que não a saúde do seu paciente – o principal prejudicado no processo. Sou um defensor da liberalização dos hospitais e serviços de saúde, se essa liberalização promover um melhoramento desses serviços. Mas a interferência das indústrias farmacêuticas no acto médico troca as prioridades: coloca o lucro à frente do paciente. E isso não pode acontecer.
Eu não sei se os nossos colegas europeus da UE têm dinheiro para dispensar com disparates - isso é lá com eles - mas não me deixo de surpreender como a ASAE e Governo consideram dinheiro bem empregue o que paga as fiscalizações da ASAE em que se estraga comida em boas condições para ser consumida. No outro dia, aquele em que a ASAE assombrou as pontes de entrada em Lisboa e Porto, o Inspector-Geral da ASAE (que evidentemente não rejeita o seu quinhão de mediatismo) e os jornalistas das televisões muito satisfeitos anunciavam que se tinham apreendido 445 toneladas de alimentos. Ninguém me esclareceu quanto, dessas 445 toneladas, eram de facto alimentos estragados. Parece que não é importante se a comida está em bom estado ou não; o que interessa é o rotulozinho, as palavrinhas certas todas escritas, os alvarás, as várias vias de cada documento. Também era o que faltava um organismo de fiscalização da segurança económica e alimentar ser obrigada a testar e a provar que os bens alimentares vendidos e transportados não estão em boas condições de consumo antes de multar, apreender, encerrar coercivamente; parece que o método infalível para verificar a qualidade de um alimento é a quantidade de papelada que o acompanha ou não.
Isto a propósito do que João César das Neves escreve hoje do DN. E, se calhar, devemos começar a preparar-nos para o dia em que a ASAE visitar o Banco Alimentar Contra a Fome (que recebe donativos de produtos alimentares cuja validade passou recentemente, estando os produtos em bom estado mas com as qualidades organolépticas menos acentuadas) e confiscar parte da comida doada que lá têm.
Um dos efeitos da entrevista de António Borges ao Público foi o de ofuscar por completo uma outra, no mesmo jornal, no mesmo dia, de um assumido candidato a líder do PSD. Sobre as ideias de Pedro Passos Coelho pouco ou nada se tem dito ou debatido. Muitas delas foram neste blog afincadamente defendidas (não por mim, entenda-se, embora as siga com interesse). O que não deixa de ser curioso é que uma estratégia política de sedimentação no campo eleitoral do centro-direita se dê ao trabalho de nada fazer. Parece que continua a ser mais importante a sistemática preocupação com os vizinhos do que trabalhar no sentido de ampliar uma agenda liberal que o candidato Passos Coelho tentou explicar na televisão e no Público. A não ser que sejam só ideias generosas sabendo à partida que dificilmente ganham umas directas no partido.
O Peixe em Lisboa 2008, cuja primeira edição decorre de 5 a 13 de Abril no Terreiro do Paço-Páteo da Galé, numa iniciativa do Turismo de Lisboa e da Câmara Municipal de Lisboa, vai fazer uma única homenagem e ela será a Maria de Lourdes Modesto.
Sobre a entrevista de António Borges ao jornal Público
Acompanho a Sofia Galvão no que escreve no Geração de 60. Não concordando com tudo o que diz - algumas das ideias que defendeu, por exemplo, na sua intervenção nas Noites à Direita, na Sociedade de Geografia, levantam-me algumas reservas - ainda assim, António Borges agrada-me no conteúdo das suas intervenções, no conhecimento que tem das matérias mais relevantes para o futuro do país e na forma como se posiciona no debate público. Há quem considere que AB, "na hora da verdade, não se chega à frente". Eu acho o contrário: mais claramente disponível é difícil. O cerne da questão talvez seja outro: é que a sua disponibilidade não tem sido aproveitada pelos sucessivos lideres e aspirantes à liderança do PSD, que discretamente o ignoram, por razões que só os próprios saberão explicar.
Os mais recentes defensores do controle estatal da economia
No último debate na Assembleia da República percebeu-se que os conselhos de Marcelo Rebelo de Sousa, sobre qual deve ser o posicionamento político dos partidos da oposição, estão a ser, também, seguidos por Paulo Portas.
Ao solicitar ao Primeiro-Ministro que fosse rigoroso na fiscalização das empresas para ver se elas, efectivamente, baixavam os preços em função da diminuição da taxa do IVA, transmitiu uma mensagem importante: sabemos, agora, que o CDS defende um controle apertado sobre as empresas, nomeadamente na maneira como elas formam os preços.
A reacção dos blogues cubanos à libertação dos microondas:
COMEÇOU UMA bonita briga, a da ditadura cubana com os blogueiros. Os septuagenários veteranos da Sierra Maestra têm uma nova guerrilha pela frente. Em vez de viver escondida no mato, ela está na rede de computadores e seu símbolo mais visível é Yoani Sanchez, uma micreira filóloga de 32 anos que publica a página "Generación Y" (1,2 milhão de visitas em fevereiro). No lugar dos fuzis, cabos, pen-drives e celulares com câmeras.
A moça tem muita graça. Raúl Castro libera os eletrodomésticos e ela saúda a chegada dos aparelhos de ar refrigerado, lembrando que as torradeiras virão daqui a dois anos: "Nesse ritmo, as antenas parabólicas chegarão lá pela metade do século e meus netos conhecerão os GPS quando estiverem na adolescência". Ouvindo o discurso de posse do comandante Raúl, ela se considerou um Champollion reencarnado, decifrando os hieróglifos da pedra da Roseta, "mais fáceis de desentranhar que o estatismo tedioso da política cubana".
António Borges presenteia-nos, uma vez mais, com o seu raro instinto político: utiliza uma história com 3 anos para anunciar, pela enésima vez, a sua vontade de fazer política partidária.
Porque é que não denunciou na altura, dos supostos factos, a situação? Não lhe convinha a ele ou não era importante para o país?
O novo Boris Johnson, cuidadosamente construído sob orientação de inspiração australiana para concorrer contra Ken Livingstone, parece cada vez mais ter boas hipóteses de ser o próximo Mayor de Londres (não confundir com o bem mais antigo cargo de Lord Mayor da City de Londres).
Ao contrário do que pensa muita esquerda e alguma direita, Boris está longe de ser um idiota. Sendo certo que lhe falta preparação em várias áreas cruciais e que as suas intervenções públicas passadas nem sempre foram apropriadas, nos últimos anos Boris tem feito um esforço notável para corrigir as suas lacunas, aprofundar conhecimentos e ganhar credibilidade.
Se conseguir derrotar Ken Livingstone, será uma boa notícia para Cameron mas será acima de tudo a afirmação de Boris Johnson como um político em posição de destaque no Partido Conservador, por oposição à figura de bobo simpático e politicamente incorrecto que o tornou popular no público em geral e simultaneamente desprezado por parte importante das elites políticas conservadoras.
O Presidente de Cuba, Raúl Castro, autorizou os cubanos a frequentarem hotéis reservados aos turistas estrangeiros, segundo um comunicado emitido pelo governo cubano. Esta nova medida vem juntar-se a outros sinais de abertura ao exterior (...), nomeadamente a autorização de telemóveis, computadores, televisões, vídeos e uso de microondas.
Sondagem: Ex-líder social-democrata recolhe 35,6% das preferências
Marcelo preferido face a Sócrates
Os portugueses acreditam que Marcelo Rebelo de Sousa é o melhor candidato do PSD para disputar as eleições legislativas contra o socialista José Sócrates. Mais, o próprio eleitorado social-democrata coloca o professor de Direito Constitucional na liderança da lista em que Luís Filipe Menezes ocupa o último lugar, abaixo de Santana Lopes, o seu líder parlamentar, e de Rui Rio, o presidente da Câmara do Porto.
Enquanto levava as crianças à escola, ouvi na TSF que na Carolina de Michäelis se preparam para proibir a utilização de telemóveis na sala de aula. Chamam-lhe "tolerância zero" e todos os telemóveis que forem apanhados serão confiscados e entregues mais tarde aos pais. Os que não forem recolhidos pelos encarregados de educação serão entregues a instituições de caridade - a notícia, vejo agora, é do Jornal de Notícias.
Tenho sérias dúvidas sobre a utilidade desta medida. Recordo que se não fosse aquele telemóvel ligado do "denodado documentarista" - na expressão feliz de Rui Ramos - ninguém saberia hoje de mais esta história de agressão a um professor. Para quem, como eu, trabalhou durante alguns meses na Comissão de Educação da Assembleia da República, não é novidade este tipo de comportamento de alunos - há escolas em que, em vez de telemóveis, preferem levar armas brancas para ameaçar e agredir professores, contínuos ou outros alunos. A mim parece-me que o telemóvel teve uma função social em todo este rocambolesco episódio: fez com que muito boa gente deixasse de ignorar uma realidade incontornável das escolas portuguesas. Sim, há violência. Não, a culpa não é dos telemóveis.
Não há fome que não dê em fartura e é muito bom verificar que já existem pelo menos quatro candidatos disponíveis para o lugar de Luís Filipe Menezes - pelo seu passado e pelo que escreveu na última Atlântico, José Pedro Aguiar-Branco já fazia parte da lista de nomes capazes de apresentar uma alternativa consistente. Dois deles - Pedro Passos Coelho e António Borges - dão hoje duas interessantes entrevistas ao Público. Passos Coelho, do ponto de vista político; Borges num tom mais tecnocrático. Mas ambos a coincidirem na necessidade urgente de redução do peso do Estado - PPC dá exemplos concretos, como a Caixa Geral de Depósitos, entre outros. Falta ainda algum trabalho de casa, como a apresentação de políticas concretas alternativas a José Sócrates. Não só dizer o que fazer, mas como fazer. Os três são candidatos credíveis para o início de 2009 e criticam duramente o "lapso" - expressão de Borges - que é Menezes na liderança do PSD.
Já o quarto candidato prefere um caminho mais maquiavélico, afirmando ser preciso deixar o actual presidente do partido chegar a 2009. Porque, não se riam por favor, foi eleito pelas "bases". É a velha fórmula do lume brando e sempre poderá dizer mais tarde que nunca fez oposição pela oposição - recebendo o apoio de alguns dos actuais dirigentes, incluindo Ribau Esteves e Ângelo Correia. Estou a falar de Marcelo Rebelo de Sousa, claro, o quarto elemento.
Temos memória curta. Para desdramatizar o caso do telemóvel na escola Carolina Michäelis, alguém se lembrou de um filme, Sementes de Violência. Aprendemos assim que já em 1955, na América, o convívio entre professores e estudantes não era sempre idílico – e ainda não havia telemóveis. Mas com tantos séculos de história à disposição, porque não ir mais longe? Até 363, por exemplo, quando S. Cassiano de Ímola foi morto pelos seus alunos, armados para o devido efeito com os estilos de ferro com que escreviam. E embora muita gente não vá acreditar, a verdade é que o ministro da educação do imperador Juliano não era Maria de Lurdes Rodrigues.
Mas se um filme americano não chegou para pôr em perspectiva o último motivo de alarme nacional, muito menos a lenda de um santo. Tivemos assim de assistir às rábulas do costume, com uns a exigir a restauração urgente da palmatória, e outros a explicar que existem “procedimentos” para gerir a “situação”. Na caixa de comentários de um jornal, alguém sugeriu à professora, com toda a seriedade, que convidasse a aluna para ir ao cinema, de forma a criarem “uma nova relação”. Que fazer, entre os viúvos da “autoridade” e os noivos da “psicologia”? Viajar 200 anos para trás, quando é suposto os professores terem sido deuses para os seus alunos; ou 200 anos para a frente, quando professores e alunos conviverem, em pé de igualdade, numa harmonia sábia?
O mundo já não é como uns imaginam que foi, e ainda não é como outros desejam que venha a ser. E agora? Talvez seja a altura de todos fazermos um esforço para compreender isto: que, só por si, o braço de ferro filmado entre uma professora e uma aluna numa escola do Porto não compromete a democracia nem justifica um golpe de estado. Bem sei que não é assim que os meus contemporâneos gostam de encarar estes episódios. O caso do Porto foi aproveitado para tudo: houve quem nos desse lições de história social, e quem finalmente partilhasse connosco as suas pequenas teorias caseiras sobre o conceito de autoridade. E não faltou, claro, o habitual chorrilho de originalidades: uma delas foi a proposta de tratar a indisciplina nas escolas como um simples aspecto da criminalidade. Se um aluno agredir um professor fará todo o sentido chamar a polícia – mas se um aluno atender uma chamada na aula também? Deveria então o Ministério da Educação trespassar a tutela do “sistema de ensino” ao Ministério da Administração Interna? Uma vez perdido o sentido das proporções, é difícil manter o sentido do ridículo.
É significativo que entre tantos cursos abreviados de sociologia da família, ninguém se tivesse interessado por saber mais sobre a aluna, a professora, ou a escola. E ninguém se interessou por esta razão: o nosso gosto actual é promover cada incidente, por mais restrito ou localizado, a um “grande problema”, de modo a podermos exigir a este ou àquele ministro soluções gerais e definitivas para as dificuldades do “mundo actual”. Onde esperamos chegar por este caminho? Fará sentido esperar de um governo, mesmo tão poderoso e determinado como o nosso, que corrija com uma portaria as últimas décadas de evolução social?
E se decidíssemos ver o caso da Carolina Michäelis, não como um embaraço desta ministra ou mais uma lástima da civilização contemporânea, mas apenas como o problema daqueles alunos, daquela professora, daquela escola – e para ser resolvido a esse nível, independentemente de poder ser lamentado por todos? E postas as coisas assim, talvez devêssemos discutir o seguinte: em vez de estatutos e procedimentos confeccionados no ministério, não seria mais útil dar aos estabelecimentos de ensino do estado a margem de manobra e os meios suficientes para lidarem com cada caso de indisciplina tal como parecesse mais adequado aos responsáveis no local, sem referência a autoridades externas?
É agora hábito falar do ensino opondo o estatal ao privado. A respeito de disciplina, a diferença é esta: numa escola privada há alguém que é suposto tratar da questão, e não simplesmente passá-la burocraticamente para a direcção-regional e o ministério. Porque é que as escolas estatais não hão-de dispor da mesma autonomia e responsabilidade? E se cada escola do estado fosse uma instituição com identidade e vontade próprias, em vez da célula anónima e passiva de um “sistema de ensino” definido e comandado a partir de uma rua de Lisboa? E se cada escola tivesse o seu próprio estatuto do aluno? E se cada escola pudesse escolher os seus alunos, e cada aluno escolher a sua escola?
Em vez de encarar as dificuldades do ensino estatal como um “grande problema”, que ninguém sabe resolver, a não ser reescrevendo o livro do Génesis, porque não dividi-lo em muitos pequenos problemas locais, confiando em que seriam resolvidos da maneira possível pelas pessoas concretas a quem esses problemas dizem directamente respeito?
Não, a “velha” não caiu, ao contrário do que chegou a antecipar o denodado documentarista da Carolina Michäelis. Mas outra “velha” já deveria ter caído: a mania de falar do ensino de um ponto de vista impossível.
A Heads Propaganda, de Curitiba, Brasil, vai levar a Cannes a campanha de imprensa para a Tesa, com as gafes de algumas figuras internacionais, entre as quais o primeiro-ministro português José Sócrates. Nas peças são vistos alguns políticos com a boca tapada por uma fita da Tesa, estando escritas por baixo algumas gafes que George W. Bush, Hugo Chavez ou Silvio Berlusconi cometeram publicamente. A frase destacada para Sócrates foi a utilizada num discurso que este, a propósito da lei da nacionalidade, deixou escapar “que cada um de vós dará o seu melhor para um país mais justo, para um país mais pobre”.
Apesar de ser dedicada à Grã-Bretanha, a imagem da capa da Spectator é apropriada também a Portugal, ou talvez ainda mais. Num país à beira do precipício, Governo e oposição prometem todos os dias dar o passo em frente. Como escreve David Selbourne, o cidadão é tratado como um mero consumidor, a liberdade reduzida à escolha e forças hostis como o islamismo radical acolhidas com políticas de appeasement. Concordando ou discordando, vale a pena ler o artigo.
Em 2005, fui ao Congresso do PSD e apresentei uma moção onde me disponibilizei para ajudar o PSD a ter uma oposição mais activa em relação ao Governo. O congresso teve lugar no fim-de-semana e na segunda-feira, logo de manhã, fui chamado ao gabinete do ministro Manuel Pinho que me comunicou que todos os contratos com a Goldman Sachs estavam cancelados a partir daquele momento.
Esta é a nova ponte que querem fazer em Lisboa. Será a maior do Mundo. Tem um impacte visual que destrói a cidade e o seu património. Vai custar, com acessos, cerca de 3 mil milhões. E não terão nada melhor para fazer ao nosso dinheiro?
Ouvi hoje o Primeiro-Ministro dizer que a baixa de IVA de um por cento é boa notícia para os mais pobres, porque os que têm dinheiro não sentem estas diferenças da mesma forma. O PM disse uma coisa óbvia e, por uma vez, acertada. A proporção dos rendimentos gasta em consumo é muito maior para quem tem baixos rendimentos do que para os mais endinheirados - toda a gente, pobre ou rica, tem de almoçar, vestir-se, pagar uma casa e atender a demais necessidades essenciais.
Pela mesma e correctíssima lógica (seria sinal de honestidade reconhecer) a subida do IVA em 2% em 2005 foi uma medida tanto mais penalizadora quanto mais pobres eram os consumidores. Será isto a que o Governo se refere quando apregoa ser o Governo com mais medidas de cariz social desde a criação do mundo?
A editora da banda Be Your Own Pet censurou três músicas do novo disco do grupo, após os advogados da Universal as terem considerado demasiado violentas. A notícia está na página 4 do Ípsilon do Público de hoje. Convido os leitores do blogue a visitar a página oficial do grupo, ou mesmo a visitar o myspace do grupo e escutar a música "Black Hole", uma das censuradas. Parte da letra da música segue em baixo.
Mais do que apelo à violência, a música dos Be Your Own Pet é uma sátira à sociedade americana, marcada pela violência dos jovens dos grandes centros urbanos. Quando toda a vida humana está controlada e definida, há quem queira lose all control. Enfim, a questão nem se coloca. É indiferente o teor da mensagem.
É certo que foi a editora a proibir, e não o Estado, mas o princípio é mau. Qualquer dia, vou ter de esconder mais de metade da minha discoteca.
Drinking Coca-Cola all night Ooh, baby, wanna get in a fight! Breaking glass bottles is oh-so-fun Let's go and kill someone! Living in this city, I get so bored Wanna kill myself on a telephone cord I guess we could go drive around What's the point in this town?
Always going back and forth Ooh, I'm livin' in a black hole! Sick of all the same lame faces Oh, I'm stuck in this black hole! Always going back and forth Ooh, I'm livin' in a black hole! Tired and there's nowhere to go Oh, I'm stuck in this black hole!
Stayin' out 'til six in the mornin' Trying to find something that's not boring We could go party down the street and show those kids to the beat! Eating pizza is really great! So is destroying everything you hate! I just wanna lose all control ... fucking hell hole
O artigo de hoje de Vasco Pulido Valente no Público sobre a nova lei dos divórcios dá jeito para dizer uma coisa. Irrespectivamente de dúvidas parciais que possam existir em relação ao argumento, há algo que é certo: é que se vale a pena ler os artigos dele, e não vale a pena ler os artigos de quase mais ninguém, é por uma razão simples. Não é por ele escrever melhor do que os outros, ou ser mais informado (informadíssimo ando eu, e nem sequer escrevo mal). É só - ou, pelo menos, é principalmente - por ser mais inteligente. E a inteligência esclarece mais. Estas coisas acontecem.
O casamento era, para o Estado, um compromisso legal e, para a Igreja, um sacramento. Criava deveres, como criava direitos. Mas, segundo Alberto Martins, parece que já não deve assentar na lei, seja ela qual for sempre coactiva. Deve assentar na consoladora liberdade do afecto. Ou, por outras palavras, deve passar de um contrato perpétuo a uma espécie de encontro temporário, logicamente revocável, se o afecto de qualquer das partes, por natureza etéreo e fugidio, deixar de existir. Vasco Pulido Valente
O segundo motivo deriva das declarações de Alberto Martins ao PÚBLICO e da ideia de que o casamento deve assentar nos afectos (o que ninguém contesta) e não nos deveres (o que é um absurdo). Na verdade, afectos e deveres devem conviver num casamento. Excluindo a noção de "dever" do contrato de casamento - o qual, recorde-se, ninguém é obrigado a celebrar, pois pode -se viver em união de facto -, só ficariam direitos, faltando porém saber se do marido, se da mulher. José Manuel Fernandes
Já não é tratar adultos como adolescentes, sujeitos a birras ocasionais. É a completa infantilização da sociedade, com a remoção de qualquer sentido de dever. O que interessa é a felicidade plena no aqui e agora, o carpe diem , de quem goza cada momento como se não houvesse depois. No seu pleno egoísmo, como uma criança de cinco anos, a quem tudo se dá (as consequências desse mimo excessivo não são relevantes). A entrega à emoção, ao gostar intensamente, porque o resto não interessa. As partes difíceis da vida são para ser removidas, numa sociedade de puro gozo. Afinal, não conseguimos já maquilhar a velhice e esconder a morte em locais não-visíveis , longe do nosso eterno presente de absolutos? Retiremos ainda a dor, o sofrimento, porque tudo é uma longa volta num carrossel, neste mundo lollipop .
Hoje, às 19 horas (com repetição Domingo, às 11 e novamente às 19) a não perder no programa ‘Descubra as Diferenças‘ da Rádio Europa, o debate comigo e o Bernardo Pires de Lima, com a moderação habitual de Antonieta Lopes da Costa. Os assuntos em análise e discussão são:
Violência nas escolas: o vídeo da professora agredida na Escola Carolina Michaëlis, no Porto, por parte de uma aluna que aparentava dar a vida pelo telemóvel, foi, esta semana, incontornável. Terão as reacções sido exageradas? Os problemas vêm, na verdade, de fora da escola, como diz o Governo? Esta é que é a geração Morangos com Açúcar? Bué da fixe...
Fuga de Mel: a Direcção Geral dos Impostos enviou cartas a casais recém-casados exigindo-lhes que denunciassem quem organizou o casamento, prometendo coimas a quem não o fizesse. O Governo já veio dizer que as cartas foram excessivas. A saga da intromissão na vida privada das pessoas continua? Ou trata-se, simplesmente, de mais um saque descarado aos bolsos dos portugueses?
Início de campanha? José Sócrates parece ter começado a dar os primeiros passos para a maratona eleitoral de 2009, e resolveu aproveitar uma sessão de propaganda do PS para atacar os "métodos" do PSD de Luís Filipe Menezes. Tiro no pé? Falta de novas soluções políticas? Movimentações dentro do PS?
Ai, Tibete... os chineses dizem que os tibetanos insurgentes são terroristas e apenas pretendem prejudicar os Jogos Olímpicos de Pequim. O Dalai Lama respondeu não ser verdade, afirmando esperar que os Jogos Olímpicos se realizem em paz. Velhas tensões numa nova China? Serão todos os tibetanos pacifistas?
Um debate a 3, esta semana sem Paulo Pinto Mascarenhas, mas com Antonieta Lopes da Costa, Bernardo Pires de Lima e André Abrantes Amaral.
Vou estar daqui a pouco, às 23.30, na Edição Internacional da Rádio Renascença (103.4). Esta semana debate-se a crise no Tibete, a cimeira entre Sarkozy e Brown, os casos nas campanhas de Obama e Clinton e os confrontos em Bassorá.
The Mist lembra os grandes clássicos dos anos 80 e devolve-nos o espírito de espanto, surpresa e inquietação que faz com que amemos coisas como The Thing ou Aliens. E Frank Darabont, até aqui especialista em adaptar a cinema os contos mais doces e realistas de Stephen King, mostra que tem unhas afiadas para tocar a guitarra do medo. E consegue um final surpreendente de que M. Night Shyamalan não desdenharia. Vale a pena aplaudir ainda Marcia Gay Harden num papel que, não fosse a Academia considerar o horror um género menor, lhe poderia ter valido nomeação para o Óscar. Um petisco - ou melhor: todo um banquete - para gourmets do horror fantástico.
Os últimos seis meses revelaram aos militantes do PSD o que esta direcção pode fazer pelo partido: na altura de maior contestação ao Governo, na fase em que o PS demonstrou de forma cabal não querer ou não conseguir realizar as reformas necessárias, quando os portugueses perceberam que os sacrifícios que lhes foram pedidos não terão qualquer contrapartida futura, Menezes não se consegue afirmar como alternativa.
É altura de os militantes social-democratas se interrogarem se querem ou não que o PS ganhe as próximas eleições legislativas. Se estão dispostos a ver o país entregue a uma governação que nada de bom traz aos portugueses.
Com Menezes, está garantido que o PS se manterá no poder. É o próprio Menezes a afirmar que os socialistas não baixarão dos 38%. Maior assunção de derrota é impossível. No fundo, Menezes atira o PSD para um papel subalterno na política portuguesa: o de apenas tentar tirar a maioria absoluta aos socialistas.
É fundamental mudar de direcção. Manter Menezes até às eleições legislativas é comprometer, não só o futuro do PSD, como o do país.