"Liberalise or Die" de Philip Collins e Richard Reeves na Prospect de Junho
Está provado: a justiça portuguesa não funciona.


1. Muitos dos ataques ou das críticas a Manuela Ferreira Leite resultam da sua proposta para se repensar as obras públicas em nome da situação de "emergência social" em que supostamente vivemos. O que pergunto é se muitas das críticas não têm a ver com uma perspectiva regionalista, sobretudo a partir do momento em que se começou a falar do TGV - e, mais concretamente, da ligação Porto-Vigo? Porque será que subitamente alguns liberais se transformaram em defensores das grandes obras do Estado e da política de betão?
2. Muitos dos apoiantes de Manuela Ferreira Leite dizem que agora é tempo de oposição e não de propostas concretas. Pacheco Pereira, por exemplo, fala de que não são necessárias grandes ideias, mas sim "inflexões" em relação às políticas do Governo. E deu exemplos no último Quadratura do Círculo, falando da "inflexão" que significou, por exemplo, a defesa da classe média. Ora, se bem me lembro, foi o CDS nas últimas legislativas que "introduziu" o tema - e ouviu-se então a acusação de demagogia, entre outros impropérios. Não só: a proposta de "inflectir" as verbas destinadas ao TGV para o apoio directo às IPSS, com parcerias público-privadas, também teve a sua primeira versão pela pena desse grande vilão da demagogia chamado Paulo Portas. Aliás, a proposta de repensar as obras públicas em nome da "quase emergência social" faz recordar a promessa de Durão Barroso de que não se iria construir o novo aeroporto enquanto existisse uma criança numa fila de hospital. O que pergunto é se a demagogia se transforma em credibilidade consoante o autor.
3. Faço estas perguntas porque me parece que tanto a prática política como o comentário que se faz sobre ela, nomeadamente na blogosfera, estão cada vez mais pessoalizados. Não se registam pelo valor das ideias - se são boas ou se não prestam - mas em função dos seus autores. As ideias não deveriam perder - ou ganhar - validade em função das pessoas que as apresentam. Este país não pode ser uma aldeia.
João Marques de Almeida, no Diário Económico:
Sempre que há um Campeonato Mundial ou Europeu de futebol, o mês de Junho é especial. Para quem gosta de futebol, e especialmente se Portugal está presente, a vida é organizada à volta dos jogos de Portugal. Fazemos tudo o que for possível para que uma reunião, uma viagem ou um jantar não nos impeça de ver jogar a nossa selecção. Para mim, este ano o campeonato europeu foi ainda mais interessante. Tirando o primeiro jogo de Portugal e a final, assisti a tudo o resto em Bruxelas. E posso dizer-vos que o mês de futebol europeu é tempo de nacionalismos e de patriotismos na Comissão. O resto é conversa. Toda a gente, incluindo aqueles e aquelas que ninguém diria que pudessem gostar de futebol, torce pelos seus países e está-se completamente nas tintas para identidades comuns europeias. Ainda bem.
A família Bush está de partida para a China. E eu estive lá na semana passada e fiquei a saber que o presidente Hu Jintao espera ter a honra de receber três gerações da primeira família dos EUA na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. Deve ser um recorde qualquer – e uma dor de cabeça para os serviços secretos.
Pequim tem estima por George W. Bush. São poucos os diplomatas que, nas diferentes capitais do mundo, afirmam genuinamente que vão ter saudades do presidente americano. Pequim é uma importante excepção. Na minha visita à China ouvi dizer por diversas vezes que as relações sino-americanas nunca foram tão estáveis desde que o diálogo foi encetado no início da década de 70.
A inflação na zona euro atingiu valores recordes. Não é só na Europa que a inflação é motivo de preocupação, mas é aqui que os seus estragos vão ser maiores. Devido a uma estrutura laboral muito pouco flexível e à existência de uma Função Pública bastante protegida, que vai manter o emprego e os ordenados de muitas pessoas sem trabalho, não é numa cadeira no nosso local de trabalho que estamos sentados, mas num barril de pólvora. Um barril de pólvora que, mesmo não rebentando, nos vai moer o juízo nos próximos anos.
Maria Teresa Horta (MTH) deixou bem claro que não admite ser satirizada pelo 'Inimigo Público' (suplemento satírico do 'Público'); a escritora diz que o seu "bom-nome" foi ofendido por uma rábula e, em resposta, ameaça processar o jornal. Há três respostas a dar a MTH. Primeira: a nossa feminista de serviço precisa de aprender a diferença conceptual entre sátira e jornalismo. Segunda: a falta de humor é curável. Terceira: este caso revela que MTH não sabe o que é viver em liberdade. A escritora recorre a um mecanismo típico das mentes pouco arejadas: a liberdade, diz ela, não pode dar origem à licenciosidade. Ou seja, quando alguém goza com o feminismo ou com a própria MTH, não estamos perante um acto de liberdade, mas sim perante um acto de mau gosto. Salazar também adorava transformar a liberdade numa questão de gosto.

Atlântico n.º 11 (Fevereiro de 2006)
Roads to Modernity, da autoria da historiadora americana Gertrude Himmelbarb, tem dois propósitos claros: (1) objectivo secundário: resgatar a ideia de ‘Iluminismo’ das garras do irracionalismo pós-moderno; (2) objectivo central: afirmar que existiram diversos iluminismos e não apenas o Iluminismo francês.
Os iluministas do século XVIII projectaram a Razão como forma de emancipação do Homem. No século XX, os pós-modernos inverteram a relação causa-efeito do Iluminismo: a Razão passou a significar não a libertação mas a opressão. Roads to Modernity, numa primeira fase, deve ser entendido como uma recuperação do legado central do iluminismo: a Razão é mesmo um factor de libertação.
Mas o ponto central da obra é, sem dúvida, a defesa da seguinte tese: não existiu um único “projecto iluminista”. A Razão foi projectada com diversas intensidades. Além do habitual Iluminismo Francês, Himmelfarb confere dignidade ao Iluminismo Britânico e ao Iluminismo Americano.
O Iluminismo Francês (Voltaire, Diderot, etc.) é descrito como a “Ideology of Reason”. Em França, a Razão (ainda hoje) tem de ser total e absoluta. Tudo deve obedecer a um projecto racionalista. Aqui, a Razão era (é) mais importante do que os homens reais e está ao serviço de um Homem (que acabará por chegar!). As luzes americanas (“Politics of Liberty”) constituíram-se como a “nova ciência política”, isto é, um projecto político capaz de criar as bases institucionais de uma república liberal. Os EUA simbolizaram a ideia de Direito, quer ao nível do Direito Natural (os «direitos inalienáveis» da Declaração de Independência de 1776 - Thomas Jefferson), quer ao nível do Constitucionalismo Liberal de James Madison e Alexander Hamilton (consubstanciado na Constituição americana - 1787). O Iluminismo britânico é descrito como a “Sociology of Virtue”. As virtudes sociais (compaixão, benevolência, etc.) estão no centro do céptico pensamento inglês. Para Hume ou Burke, a Razão não é um Bem em si mesmo, mas apenas mais um dos instrumentos ao serviço dos homens. De que serve criar um Homem puramente racional, quando, ao mesmo tempo, não existe compaixão pelos homens reais?
[...]
[A "mãe" Kristol é bem melhor do que o marido Irving e do que o filho William]
Devo ter estado, com certeza, distraído, mas, será possível que ninguém no PSD não tenha dito nada sobre o “novo” pacote laboral?
Mas para quem, como eu, andava a dizer que esta nova liderança não trazia nenhuma novidade, tenho que admitir que existe pelo menos uma: é a primeira vez que um Presidente do Conselho Jurisdicional de um partido aparece a fazer de porta-voz de uma liderança e, diga-se de passagem, muito bem alinhado com a nova linha do partido. Aquando da pergunta de Manuela Moura Guedes sobre quais seriam as propostas do PSD para as obras públicas afirmou sem hesitações: “pois, temos de analisar e pensar muito bem”. Também gostei da resposta à pergunta sobre quais as medidas para a crise social. Aí Morais Sarmento foi quase veemente: “pois, temos de estudar”.
Prevêem-se soluções muito, muito pensadas para as questões jurisdicionais no seio do PSD.
Andamos todos preocupados, como é evidente, com as convulsões sociais que estamos a viver. São greves, cortes de estradas, bloqueios, manifestações.
O pior é que a procissão ainda vai muito antes do adro.
Os europeus ainda não perceberam ou ainda, nem sequer, lhes tentaram explicar que o mundo mudou e que a opulência em que viveram nas últimas gerações acabou.
A tarefa dos políticos é titânica. Vão ter de explicar aos pais e mães europeus que os seus filhos já não vão ter coisas que eles tinham como, praticamente, direitos fundamentais: saúde e educação praticamente gratuitas, forte protecção no desemprego, taxas de juro que permitiam a quase toda a gente ter casa própria.
Todas estas coisas, que nunca na história do mundo as pessoas julgaram ser possíveis, foram hasteados em duas gerações a direitos inalienáveis e eternos.
No fundo, alguém vai ter de nos dizer que os nossos filhos vão viver pior, muito pior, que nós e que há pouco a fazer contra isso.
Muitos mensageiros/políticos vão “morrer” até que alguém acredite que a culpa não é deles.
Uma loja em Amesterdão, na noite de 8 de junho.
E na manhã seguinte. A mesma cidade, a mesma loja. Um certo sentimento de liberdade. Da liberdade comezinha, mas saborosa.
Jaime Silva é um daqueles ministros que não são políticos; um daqueles políticos de um governo socialista que não são socialistas e que não cumprem um programa partidário, mas sim um programa nacional, sem preferências políticas, sem doutrina, só para bem do país. Ainda há criaturas assim. Julga-se impoluto e pensa que os outros são parvos. Este ministro tem brilhado pela sua dedicação a Bruxelas e às políticas europeias. Vindo de lá, para lá deve voltar, um dia, com a satisfação do dever cumprido. Sabe tanto da política comum que se transformou numa espécie de embaixador da União.

Isto é bom que se farta. Gótico com orquestra na retaguarda.
A SIC passou agora uma pequena peça sobre um novo software para detectar plágios nos trabalhos universitários, um óbvio atentado ao "direito ao sucesso" dos estudantes, visando a criação de um clima de "microterror". Mas o Presidente Bush (que está, é claro, por detrás disto) não vai ter a vida fácil. Dos quatro alunos (universitários) entrevistados que vi, só uma (brasileira) disse que se recusava a plagiar o que quer que fosse. Os outros três admitiram, com bonomia extraordinária, que praticavam o plágio abundantemente e que não concebiam deixar de o fazer. Um deles declarou mesmo que não tinha paciência para fazer trabalhos. Aposto que se tivesse de responder por escrito, dizia que "pelagiava", sim, que "pelágios" eram com ele. Uma nota optimista: todos sabiam o que queria dizer "plágio". No Ministério da Educação isto deve ser considerado suficiente para aprovação. A não-dissimulação prova, além disso, boas disposições morais

Livro do mês, Atlântico n.º11 (Fevereiro de 2006)
Os americanos são de Marte e os Europeus são de Vénus; a América vive num mundo de Poder e a Europa vive num paraíso pós-moderno. Em traços largos, é esta a célebre tese de Robert Kagan; uma tese que entrou no ouvido e nos hábitos da imprensa. Kagan não foi inocente: revestiu a sua tese com evidentes capacidades ao nível do sound byte.
Tod Lindberg (editor da Policy Review) reúne neste livro um conjunto de artigos sobre as relações transatlânticas, da autoria de pensadores americanos e europeus. Objectivo? Aperfeiçoar a tese de Kagan; oferecer-lhe maior solidez estratégica/teórica e retirar-lhe um pouco da retórica destinada a ecoar no ouvido da comunicação social. Do conjunto de artigos, destacamos “Imperial Loose Talk” (Gilles Andréani), “The End of Atlanticism” (Ivo Daalder), “American Endurance” (Walter Russell Mead).
Gilles Andréani critica o constante uso da ideia de “Império Americano”. No século XXI, a utilização do conceito “Império” é, diz-nos o diplomata francês, um anacronismo. Dada a complexa realidade estratégica da política mundial de hoje, a América não pode ser considerada um Império. [...] ideia de “América imperial” é um mito que nasce dos medos desta nossa Europa. Na Ásia, não se fala
Ivo Daalder declara o “fim do Atlantismo”. Não se trata de uma declaração ideológica, mas de uma constatação estratégica. Durante a Guerra-Fria, a política externa americana esteve centrada no Atlântico. A Europa foi o palco, por excelência, do braço de ferro entre EUA e URSS. Com o desaparecimento da URSS, esta centralidade estratégica da Europa e do Atlântico desapareceu. Neste momento, os americanos deslocam o seu centro de gravidade estratégico para o Pacífico. Acrescentamos: durante a Guerra-Fria, a Aliança Atlântica foi uma ‘imposição’ estratégica. Não havia escolha. Hoje, a Aliança depende da ‘vontade’ ideológica. Por outro lado, o Pacífico sempre foi o palco de eleição da América. Ao contrário do que reza a lenda, a América nunca foi isolacionista. Até à II Guerra Mundial, Washington secundarizou o Atlântico – dominado pelas potências europeias –, mas apostou em força na conquista do Pacífico e na construção de uma esfera de influência em todo o hemisfério americano. Portanto, a centralidade do Pacífico e a secundarização do Atlântico não são novidades na estratégia americana.
Walter Russell Mead critica um cliché europeu: a ideia de que os europeus possuem o “manto de legitimidade” da política internacional. Washington, aos olhos dos europeus, deve actuar no mundo a coberto deste manto. Por outras palavras, os americanos têm de pensar como europeus e seguir uma política externa ditada pelas ideologias europeias. Mead recorda uma evidência: a Europa não é senhora da moral mundial e não garante um acréscimo de legitimidade à acção americana, sobretudo na região asiática. É um pouco difícil aceitar, mas a verdade é que os asiáticos concebem o século XXI como o século do Pacífico. E não andam longe da verdade. Se a segunda metade do século XX ficou marcada pelas relações transatlânticas, a primeira metade do século XXI ameaça transformar-se na época da hegemonia trans-pacífica.
[...]

Uma crítica mui inteligente ao ateismo tontinho de Dawkins.
Os portugueses produzem pouco para o que gastam (muito). Os filhos dos portugueses estudam pouco para os resultados escolares que têm (excelentes). Suponho que há nisto uma espécie de coerência social.
A notícia de hoje de que os professores mais exigentes vão ser afastados do processo de correcção dos exames nada tem de extraordinário. Depois dos exames das últimas semanas, da publicação dos critérios de correcção (sugiro que procurem os critérios relativos aos exames de Português; qualquer receio face ao Acordo Ortográfico fica logo relativizado, que a ameaça à língua é bem mais séria), já vale tudo. O ministério da Deseducação perdeu toda a vergonha e assumiu finalmente que o objectivo é passar gente sem saber ler nem escrever. Criar uma geração igualitária na mediocridade, devidamente nivelada pelo pior, em que o melhor aluno é a verdadeira aberração a abater, e o mau aluno a finalidade de todo o sistema.
Socialismos… Por Michael Seufert.
Father Knows Best. Por Manuel Pinheiro.
A Mobicomp fazia parte do acordo ? Por Carlos Andrade.
O socratismo de powerpoint paga-se caro. Por João Luís Pinto.
O sequestro dos senhorios. Por Fernanda Câncio.
Helena Roseta, no Congresso Feminista a decorrer em Lisboa, afirmou que “é preciso um novo contrato social – o contrato social sem as mulheres é incompleto. Liberdade, igualdade, fraternidade e paridade”.
É, no mínimo, muito curiosa esta observação. Eu que andei a ler os contratualistas nunca pensei que a “igualdade entre os homens” fosse a “igualdade entre machos”, mas de certeza que sou eu que estou errado. Assim sendo, deduzo que as mulheres não assinaram o contrato social, pois o reconhecimento pela sua igualdade não existe, e por isso não pertencem à sociedade política. Hobbes, Locke, Rousseau e muitos outros nunca pensaram nisto. Mas, lá está, eram machos.
Sim, António Sala, amanhã na Rádio Renascença, das 10h às 11h. Porquê? Porque o convidado é Bernardo Pires de Lima. E vai falar sobre o quê? Sala dixit: "numa altura em que o Mundo enfrenta novos desafios, o que poderá dizer sobre o lugar de Portugal?" Imperdível.
Henrique Raposo e João Galamba com Antonieta Lopes da Costa e comigo no Descubra as Diferenças da Rádio Europa. Temas: Justiça, ou a falta dela, a propósito dos episódios mediáticos de Vale e Azevedo no seu exílio dourado, mas também Zimbabué, Obras Públicas, Manuela Ferreira Leite e o estado da Agricultura e do País.

Depois de saber que gradualmente os apoiantes de Hillary Clinton vão desistindo da hostilidade para consigo que cresceu durante a campanha, Obama provocou mais perturbações noutro segmento do eleitorado americano. Ao que parece, muitos black republicans ou conservadores negros estão relutantes em apoiar McCain. A figura de Obama fá-los hesitar. Há mesmo quem se deixe entusiasmar. Mas o caso mais sintomático é o de Armstrong Williams, um dos mais famosos conservadores negros dos EUA. 
Williams, segundo as suas próprias palavras, sempre foi conservador, nunca votou num candidato Democrata, foi agraciado por George W. Bush, envolveu-se em todas as controvérsias pelo lado conservador, não tem simpatia pelas causas Democratas. Porém, desta vez, há algo que lhe diz que o seu voto não está vinculado ao partido de sempre. Há algo que lhe diz - ou como o próprio refere, "a História empurra-me..." - que Obama talvez mereça o seu voto. Serão as suas propostas? Williams diz que "não gosta muito das suas propostas". Serão as ideias que Obama advoga? Williams confirma que também não gosta particularmente delas. E nem uma palavrinha de apreço pela "esperança" ou pela "mudança". Nada. Williams encolhe os ombros e refugia-se por detrás do H maiúsculo da palavra História para não ter de dar razões dos seus julgamentos.
Mas talvez eu possa ajudar o pobre Armstrong Williams a perceber o que transformou a sua atitude e o seu juízo político. É que parece que não sobra mais nenhuma explicação senão esta: as razões de Williams escondem-se por detrás de um grande R - e não é o R de razão. O racismo tem muitas faces.


Foi esta manhã apresentado no Parlamento um voto de condenação sobre a situação vergonhosa e calamitosa do Zimbabué. A iniciativa foi do CDS e todos os partidos votaram favoravelmente. Todos menos um.
O PCP absteve-se.
O que é que uma pessoa pode desejar? Um liberal salvífico que o venha substituir [a José Sócrates]? Quem o deseje que o deseje. Até porque o podem desejar muito intensamente que ele não aparece de certeza, nem numa noite de nevoeiro, pelo menos antes de a China se tornar uma democracia liberal, o que ainda deve demorar uns tempos. Mais modestamente, pode-se desejar alguém com bom senso e que perceba que os galos de Barcelos são diferentes dos relógios de cuco suíços e que faça o melhor que pode com o que tem. Parecendo que não, fazia uma certa diferença. Não delirar faz uma certa diferença. Manuela Ferreira Leite fazia. Espero que faça.
O Kuwait anunciou esta semana que se propõe aumentar, durante o ano de 2009, a extracção de petróleo em 300 mil barris diários. Tal aumento acarreta inúmeros investimentos, a que se somam a quantia de 55 mil milhões de dólares, repartidos nos próximos 5 anos, em projectos que visam aumentar ainda mais a capacidade extractora daquele país.
Estes dados são muito interessantes quando por todo o lado se fala da necessidade em encontrar alternativas ao petróleo. Se o mundo procura outras fontes de energia, por que razão o Kuwait insiste em gastar mais e mais dinheiro na extracção de um produto do qual os compradores procuram fugir?
Existem várias explicações. Entre elas está a vontade de o Kuwait aproveitar as enormes quantidades de dinheiro que estão a entrar nos seus cofres para fazer investimentos que lhe permitam, mais tarde, extrair petróleo de poços de acesso mais difícil, não sofrendo, dessa forma, quebras na sua extracção. Mas existe outra razão que é fazer baixar o preço. Com a subida constante do custo do petróleo, os países ocidentais pensam em alternativas possíveis. Com a possibilidade de o petróleo atingir os 150 ou até mesmo os 200 dólares, outras fontes de energia poderão ser atractivas, no que se traduziria num duro golpe para a economia do Kuwait.
É a eventualidade de um investimento ocidental em energias alternativas que o Kuwait quer desmotivar. Para isso, terá de vender petróleo mais barato, aumentando a produção, num aumento que vem ainda demonstrar como o peak oil está longe do seu horizonte. Estamos a assistir a um outro elemento na busca do novo equilíbrio petrolífero: Depois do aumento da procura, é o lado da oferta a reagir.
...se o cinismo pode acabar com um professor, o cinismo como política pode destruir uma geração inteira. Os que passaram pelas escolas portuguesas no último ano não sabem ainda, mas depressa hão-de dar conta que as suas notas falsas não têm crédito na universidade e no mercado de trabalho. Feliz ou infelizmente, quando perguntarem de quem é a culpa, Maria Lurdes Rodrigues e os outros cínicos não estarão por cá para lhes responder.
Pedro Picoito, no Cachimbo de Magritte
Interessante o regresso da Quadratura do Círculo ao seu formato original: Pacheco Pereira a defender com grande fervor a nova direcção do PSD. Gostei da ideia de que o importante é a "inflexão". A partir de hoje, o mais importante não são as propostas concretas, mas as "inflexões". É no inflectir que está o ganho.
Muito boa a apresentação do livro de Bernardo Pires de Lima (ao centro, na má fotografia, com Carlos Gaspar e Rui Ramos), "Blair, a moral e o poder", na Byblos das Amoreiras. Sala cheia, alguns dirigentes do CDS - Diogo Feio, Teresa Caeiro e Luís Pedro Mota Soares, entre outros - mas também do PSD, entre os quais se destacava Pedro Passos Coelho (e é por estas e por outras que eu digo que ele vai chegar lá). Mais importante: muita gente nova, em dia e hora de futebol, o que prova que os "jovens" são interessados, desde que o assunto realmente tenha interesse. O que foi o caso. Excelente a apresentação de Carlos Gaspar e, depois, de Rui Ramos, como excelente foi o agradecimento de Bernardo Pires de Lima - um grande homem de que me honro de ser amigo, para além de todas as qualidades académicas, literárias e intelectuais. Ele também vai onde quiser ir. Momento especial no fim, com o Bernardo a passar no ecrã da sala de conferências da Byblos - vamos lá fazer mais coisas bonitas - parte do programa "Portugal de..." com Miguel Esteves Cardoso a falar sobre a importância de se ensinar desde pequeninas as crianças portuguesas a ler. E a gostar de escrever. Do melhor.
Michael Seufert propõe uma interessante adivinha: Adivinhe qual destes aeroportos vai ser substituído pelo seu governo às custas dos contribuintes…
Desde que se estabeleceram as directas, a conquista do poder no PSD não se faz numa, nem sequer em duas, mas sim em três voltas. A primeira volta são as directas propriamente ditas, em que os militantes escolhem o Presidente do Partido. A segunda volta é o Congresso, em que se afere da capacidade do líder eleito de constituir uma equipa e de consolidar uma base de apoio. A terceira volta é definida pela posição que tomam as elites mediáticas afectas ao PSD relativamente à liderança saída do Congresso.
É que, como Marina Costa Lobo explica aqui, "de nada adianta vencer [n]o partido se não se contar com esta gente." Sistema perverso, este.
Com tantos argumentos à disposição na blogosfera para rebater a posição assumida por Manuela Ferreira Leite no que diz respeito aos grandes investimentos em obras públicas, Mário Lino podia fazer uma festa. Mas preferiu invocar o único argumento que o bom-senso lhe vedava: o de que o PSD está mas é roidinho de inveja.
E assim, da mesma forma que Monsieur Jourdain fazia prosa, Mário Lino confessa que o governo usa as obras públicas para dopar "o crescimento do PIB e para baixar o desemprego". Não em qualquer momento, que o maná não dura sempre: mais ou menos ali por 2009. Só assim se compreende a suposta inveja do PSD...
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post previamente publicado aqui.
Uma pessoa manda vir livros ou cds da Amazon americana (são muito mais baratos). Espera e espera, e depois reclama, porque não chegam. Escreve-se, e respondem que na nossa "região" é vulgar as coisas demorarem mais. Demoraram, na querida alfândega, pelo menos um mês para além da data limite suposta da chegada. Há uns dias foram uns livros de Rawls. Hoje foram quatro cds (Patsy Cline, John McCormack, Gracie Fields e Hutch, "The Prince of Melody" - a Patsy Cline é óptima) que tinha encomendado por causa de um artigo da Spectator. Dezassete euros suplementares (não protesto) - e, muito sobretudo, um mês a mais. A alfândega está cá para nos lixar sem problemas de consciência. O meu carteiro, que me costuma advertir de casos mais graves, diz que têm pouco pessoal e aconselha paciência. Eu tenho. O meu bilhete de identidade testemunha a nacionalidade portuguesa.
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RUI RAMOS E CARLOS GASPAR APRESENTAM 'BLAIR, A MORAL E O PODER' |
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Dia 26 de Junho, 18h30
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