João Luís Pinto
Impressões de Pequim a partir de Telheiras (5). Concordo.
Muito interessante a coincidência de pontos de vista entre Cavaco Silva e Luís Amado sobre a independência do Kosovo. Igualmente interessante o artigo de opinião de Paulo Portas no Expresso de ontem - a propósito da situação na Geórgia - em que relembra as sérias dúvidas que sempre teve desde o início do processo de independência do Kosovo, que considerou um preocupante precedente. PS, PSD e CDS de acordo?
O Presidente norte-americano George W. Bush não comparecerá, como estava inicialmente previsto, na Convenção Republicana de amanhã, devido à aproximação do furacão Gustavo da costa sul dos Estados Unidos, anunciou hoje a Casa Branca.
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Justo ou injusto (ler João Pereira Coutinho na revista do Expresso), pode ser melhor assim, sobretudo para McCain e Palin. Mas Bush estará presente via satélite.
MEU CARO BARACK,
A melhor decisão que tomei nos últimos tempos foi a de me inscrever no teu siteoficial, há umas duas semanas. Desde então que me envias "e-mails" quase diários e sempre calorosos, que começam por "Olá, Alberto" (em inglês, bem entendido) e continuam com as novidades da campanha e um ou outro pedido de contribuição monetária. Às vezes, a mensagem é de um teu representante e, numa alegre ocasião, da tua esposa. No texto de Michelle, o tom caloroso mantém-se e, se possível, eleva-se: "Alberto, a minha mamã, as crianças e eu deixámos ontem Chicago rumo a Denver. Que cidade encantadora! A Convenção principiou esta manhã e toda a gente se preparou para a grande semana. O teu trabalho tem sido fundamental para o que está a acontecer aqui."
Sim, é um facto, este Benfica ainda tem cãibras a mais e equipa a menos. Mesmo assim empatou com o campeão adiantado pelos comentadores da bola. O FC. Porto de Pinto da Costa consegue empatar com um penálti e com o Benfica a jogar com dez, depois da expulsão de Katsouranis. A tradição ainda é o que era.
Vasco Pulido Valente, no Público [sobre o mesmo assunto na mesma linha de Henrique Raposo, no Expresso de ontem]:
A vontade de controlar o cidadão não é original, nem uma invenção autoritária do Governo Sócrates. A Inglaterra é o país do mundo com mais câmaras de vigilância por habitante. E é público o assalto aos direitos do indivíduo na América (e também em Inglaterra) depois do 11 de Setembro. A existência de meios leva inevitavelmente o Estado (esteja nas mãos de quem estiver) a pretender regular e dirigir a sociedade. A "pessoa humana", de que a ortodoxia ocidental não pára de falar, é crescentemente definida, limitada e fiscalizada em nome de benefícios a que não aspira e de valores que não subscreveu. Só nos resta esperar que o desleixo indígena atenue, ou demore, o inferno que se prepara.
Se o conflito na Geórgia baixou a fasquia da inimizade entre a Rússia, por um lado, e Estados como a Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia, por outro, então os restantes Estados-membros da União Europeia só podem fazer um julgamento político dos acontecimentos no Cáucaso. São estas as regras da vida numa União política. Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia não são "eles"; somos "nós". O "seu" inimigo é o "nosso" também, ou para ser mais suave, uma ameaça a esses Estados é uma ameaça a toda a União, incluindo naturalmente Portugal. Por muito que se censure o "aventureirismo" do Presidente georgiano, ou por mais atenuantes que se encontrem para o comportamento imperial(ista) da Rússia, não há alternativas. Ou melhor, há alternativa, mas não me parece que os europeístas convictos a considerem seriamente. Não podem é ter as duas coisas.
Até ao final do ano ou, no máximo, até Fevereiro, é a data prevista para o lançamento do novo jornal diário da Sojormedia, empresa que pertence ao Grupo Lena, de Leiria. Liderado por Martim Avillez Figueiredo (antigo director do Diário Económico), o projecto conta já com boa parte da direcção definida. Francisco Camacho, que transita da revista Sábado (grupo Cofina), e Sílvia de Oliveira (subdirectora do Diário Económico) serão directores adjuntos, e Miguel Pacheco (editor executivo do DE) assumirá uma das cadeiras da subdirecção, que será reforçada nos próximos dias.
No Público (versão impressa)

É engraçado ver a necessidade que tanta gente tem em falar da "ex-revista Atlântico". É visível que aquele ex- dá muito prazer (e alívio). É o melhor elogio possível. Muito obrigado.
Luciano Amaral, no Gato do Cheshire, a propósito de um texto de Miguel Morgado:
Roosevelt andou dois anos a tentar convencer o Congresso e a opinião pública americana de que o país teria de entrar na guerra. Lembre-se que a generalidade da elite americana (incluindo os comunistas, depois do Pacto Germano-Soviético) era pacifista, pelo menos no sentido de não entrar naquela guerra. Aliás, lembre-se que a generalidade da elite europeia o era e que, na Europa, apenas Churchill desempenhou um papel idêntico ao de FDR. Hoje, a II Guerra Mundial é apresentada como a guerra consensual, aquela que tinha de ser combatida. É interessante como à época era exactamente o contrário: de Chamberlain a Estaline e ao pai Kennedy, passando por toda a “gente civilizada” (como, salvo erro, disse AJP Taylor), não havia quem não quisesse negociar com Hitler.
Meu caro leitor, quando você coloca o seu voto na urna não está a eleger um político, mas sim um técnico de contas.
Henrique Raposo, no Expresso de hoje
Os acusadores de McCain criticam-lhe o facto de se recusar a apresentar como um candidato que vai morrer. Obama escolheu um vice-presidente da idade de McCain, experiente mas velho, e isso não foi criticado. McCain escolhe para vice alguém que tem pouca experiência nacional mas um percurso entusiasmante, e a crítica é que ela não o pode substituir se ele morrer. Mas estavam à espera de um testamento em vez de um running mate, era?
O concerto dos Beatles no Shea Stadium, em 1965, foi um ponto de viragem na carreira dos quatro de Liverpool. Dezenas de milhar de pessoas aos gritos, pouquíssimo interessadas em escutar a música, impediram inclusivamente os músicos de se ouvirem uns aos outros. Impressionados com o delírio filistino dos seguidores e frustrados com o atraso da tecnologia - que ainda não permitia o poder sonoro dos grandes concertos de hoje -, Macca, Lennon, Harrison e Ringo decidiram deixar de tocar ao vivo e dedicar-se a aprimorar a escrita de canções e a experimentar as potencialides do estúdio de gravação. Daí em diante, foi o que foi: o Rubber Soul, o Revolver, o Sgt. Pepper's, o Magical Mystery Tour, o álbum branco, o Abbey Road e o Let It Be. Quatro anos maravilhosos.
A rock star Barack Obama teve ontem o seu Shea Stadium. Só que, apesar da gritaria e da choradeira, a técnica sonora lá lhe permitiu continuar a deliciar-se com as "suas" palavras e a ser ouvido. Pelo que não houve uma epifania beatleiana e não parece que, caso seja eleito, venhamos a ter quatro anos mais enxutos de cançonetismo popularucho.
Ontem vi o discurso em directo, consciente da importância histórica do momento e, portanto, sinceramente disposto a ser arrebatado. Também eu tenho o meu módico de mitomania. Mas o que vi foi pouco mais que pobrezinho. Para líder inspirador do Mundo Livre, todo aquele populismo rasteiro e piadolas é de uma insuficiência atroz.
Bem espremida a prestação, o que é que tivémos?
Em primeiro lugar, o argumento familiar de sempre, repetido até à náusea: o homem merece ser Presidente do seu país por causa da maravilha que são a Michelle e as petizes, pelas dificuldades que a mãezinha e o paizinho tiveram de suportar durante a vida, etc, etc. Como se isso (seguramente importante e admirável) desse substracto às ideias e credibilidade à candidatura. Como se tudo isso fosse uma categoria política. (Gostaria que McCain não fosse pelo mesmo caminho, utilizando o seu passado de prisioneiro de guerra, mas não tenho grandes esperanças).
Depois, um recrudescer da fulanização cretina contra McCain, com simplismos retóricos que deveriam envergonhar um blogger diletante, quanto mais um candidato a Presidente dos Estados Unidos da América. O melhor exemplo foi aquela insinuação de que McCain não estaria muito empenhado em apanhar Bin Laden.
Finalmente, também não faltou a velhinha retórica do populismo económico: roubar aos malvados dos ricos para dar aos pobres, com um elenco de propósitos inexplicáveis. Desde logo, uma "medida" que vou apontar para memória futura: "fechar" paraísos fiscais. Quais? Onde? Fora dos EUA? Como? Invadindo os territórios e depondo os respectivos governos? Ou estava a falar dos regimes favoráveis que existem dentro do território americano? Mas como contornará a soberania dos Estados nessa matéria e, antes de mais, os governos desses Estados? E, já agora, se "fechasse" os "paraísos fiscais" americanos, como impediria que os seus utilizadores passassem a utilizar os dos territórios estrangeiros? E o que diria aos seus grandes financiadores?
O resumo ideológico da proposta Obama (pelo menos na sua versão verbalizada que escutámos ontem) é bem claro: desmontar a "ownership society", alegadamente entendida em Washington como a sociedade do "desenrasca-te a ti próprio". O problema é que, segundo o próprio Obama, o objectivo dessa proposta é o de restaurar a força do "sonho americano". O qual - esquece o candidato - foi construído, precisamente, à conta do "desenrasca-te a ti próprio". O Estado paternalista que Obama defende é o oposto acabado do modelo em que assentou a prosperidade da América. Toda a base programática da sua candidatura é, portanto, um grande paradoxo. E, já agora, estranho cada vez mais que pessoas que, para efeitos domésticos, passam a vida a deplorar os lirismos esquerdistas dos Louçãs e dos Jerónimos, dos Alegres e dos Soares, venham agora entusiasmar-se com este discurso, só - aparentemente - por razões de estilo. Será talvez porque, pronto, é moda lá fora. Mas a isso, na minha terra (da província), chama-se provincianismo.
Pois bem: o discurso foi bonito, muito bem estruturado e magnificamente dito - como um concerto de alinhamento perfeito e delivery antológica. Mas Obama deveria procurar lá no disco dos Smiths que o David Cameron lhe deu aquela canção sobre música oca. Because the music that he constantly plays, it says nothing to me about my life.
Tem um metro e noventa e pesa oitenta quilos. Fosse jogadora de Andebol e seria pivô, o chamado «boi». Mas joga ténis. Há quinze anos profissional, num jogo em que as melhores não se aguentam mais do que um preto no Texas. Já foi a principal adversária de Graf, Hingis, das Williams (Vénus e a outra que se engasga nos próprios glúteos), do Homem Mauresmo e Clijsters. Já sem a esquerda mais bonita da história do jogo (homens ou mulheres) de Justine Henin, Davenport regressa após um ano em trabalho de parto para ensinar e derrotar Sharapova e Ivanović. Que também um dia se retirarão, para ficar Davenport, a ensinar e derrotar gerações futuras. O ténis feminino tem-se vindo a tornar um jogo essencialmente de força e velocidade. Davenport, cuja velocidade só tem paralelismo na capacidade locomoção dos meus avós (e alguns estão mortos), baseia todo o seu jogo no serviço, resposta ao serviço e inteligência de escolher a pancada certa no momento certo, sendo que esse momento tem de ocorrer entre a primeira ou terceira pancada ou ela é obrigada a dar um passo na direcção oposta à capacidade do seu corpo e o ponto está perdido. A tenista mais regular das últimas duas décadas é SÓ inteligência. Tem 32 anos. Aproveitem que só temos jogadora por mais uns dez.

Ler mais sobre a escolha de McCain para running mate (thanks, Bruno). Sarah Palin, governadora do Alasca.

Uma surpresa. Uma excelente surpresa.
O Miguel Madeira fez alguns reparos ao que escrevi sobre o financiamento das regiões administrativas. Diz o Miguel que se o estado central “financiar as regiões autónomas, de acordo com uma regra objectiva, não haverá incentivo ao despesismo”.
Sucede que, e seguindo a solução do Miguel, durante as negociações iniciais de transferências de fundos, haverá, inevitavelmente, um líder político que conseguirá obter mais dinheiro que os restantes. Haverá lugar a um regateio, no qual um será mais forte que outro. Um tirará maiores benefícios por meio do processo de ‘lobby’, com a agravante de não poder ser eleitoralmente punido por aqueles que subsidiam as suas obras mas, por viverem noutras regiões, não podem votar contra ele.
É verdade que, como entende o Miguel, as transferências podem ser previstas na lei. Mas, e é um grande mas, a lei pode conter excepções. A lei pode ser alterada. A lei não nos protege das forças de pressão. A lei não nos garante que a chantagem política será inexistente. A lei, é um texto escrito numa folha de papel, aprovada por uma maioria que pode mudar de opinião. A lei, no que as números diz respeito, não me dá muitas garantias.
Sempre. O blogue de Nuno Gouveia sobre as eleições americanas.
O "Eixo do Mal" é brincadeira quando comparado com o "L'axe du Non"
O silêncio de José Sócrates
Parece realmente preocupante e está a começar a tornar-se ensurdecedor
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Ver mais aqui.
Faço minhas as palavras de Vasco Campilho. Diga-se que o jantar foi uma ideia original do Rodrigo Moita de Deus e reuniu 31 da Armada e Atlântico - não fui a tempo de avisar todos, infelizmente. O repasto no restaurante Alfândega parece ter deixado marcas e novas iniciativas conjuntas serão anunciadas. A seu tempo.
Depois do jantar que ontem reuniu um número significativo de atlânticos e afins - o meu primeiro - vejo que este blog abrandou bastante... A comida estava óptima, mas isso não justifica tudo: onde está aquela foto que hoje deveria estar a fazer furor na blogosfera?
Das conspirações de ontem à noite não me compete a mim revelar nada - a antiguidade é um posto. Direi apenas que faço minha a frase de um dos ilustres comensais: "Nunca uma eleição americana me foi tão indiferente. Qualquer candidato é uma boa aposta." É mesmo isso.
Livingstone to be Chavez adviser
Depois do meu comentário ao seu post sobre os Roosevelts, Rui Tavares não quis que eu ficasse sem resposta. Pelo facto, agradeço-lhe. Sinceramente e sem ironias. Mas já que falamos de factos, comecemos pelo princípio. Reafirmo que a "Obamania" de Rui Tavares - o tal "facto em si mesmo" - não merece comentários. Não porque o desconsidere como pessoa ou como comentador, mas simplesmente porque não me apeteceu escrever sobre as suas opções políticas nas presidenciais americanas, sobretudo quando são tão previsíveis. Portanto, a sua "mania" por Obama, o "facto em si mesmo", não me pareceu ser especialmente interessante.
O outro "facto", aquele que, no meu entender, já merecia (alguns) comentários é o da sinuosa comparação de Obama com FDR. Não percebo como é que esta simples separação não ficou bem esclarecida desde o início da conversa. Talvez tenha sido por ele querer associar-me aos "colunistas conservadores ou liberais-de-direita". Talvez.
Ainda a título de esclarecimento de algo que ficou sobejamente claro no meu comentário: não duvidei que Rui Tavares estivesse a par da monstruosidade perpetrada pela Administração Roosevelt contra a comunidade japonesa nos EUA. Mas causou-me surpresa que o paralelo com Guantanamo durante o executivo de Bush passasse despercebido. Enfim, talvez os julgamentos morais sobre estas matérias não tenham de obedecer a imperativos de coerência. Seja.
Todavia, o mais interessante nestas trocas de posts estava reservado para o fim. Afinal, na cabeça de Rui Tavares, a comparação com FDR faz todo o sentido porque o comentador português vai rezar, perdão, cruzar os dedos, apesar de com "pouca esperança", para que Obama siga as pisadas do homem dos 4 mandatos e reencete, e em força, a luta de classes nos EUA. Rui Tavares deposita as suas generosas esperanças na eventual declaração de guerra aos - posso usar a expressão secular? - "sanguessugas". Com ódio de classe a condizer. Não sei se são estas as secretas aspirações de Obama, começar como um cordeirinho, mensageiro da harmonia e da concórdia, e terminar como um general implacável a carregar contra as fortalezas do privilégio. Duvido muito. E mais duvido que tal venha a acontecer. Mas fiquei a perceber que são estas as admiráveis expectativas de pelo menos um dos seus apoiantes, aqui na nossa pequena Pátria. Estamos sempre a aprender. E a recordar o que já sabíamos: o que está enraizado só se arranca a gancho.


Imodium, no Farmácia Central
José Cutileiro

Kagan: escreveu aquela patetice do "marte e vénus" mas rapidamente se recompôs. primeiro com o Dangerous Nation, agora com este. Para acompanhar a convenção republicana que começa 2ª feira. Kagan é um dos principais conselheiros do team McCain.
Vamos todos acreditar na bondade destas medidas. Por uma polícia mais eficaz, por uma maior segurança interna. Todos controladinhos por um poder político que raramente é alvo de inspecção, num país em que metade desconfia da outra metade. A segurança acima de tudo. A confiança cega nas instituições, em quem depomos todos os nossos dados, todos os nossos passos.
Obama (começa a parecer fixação, mas é mesmo trabalho) tem acenado com a ruptura face às políticas da Administração Bush, sobretudo em questões internacionais e de defesa. Parte da "mudança" passa por aí.
Mas o que o seu vice, Joe Biden, nos veio dizer na Convenção de Denver, esta madrugada, tem mais de continuidade com Bush do que propriamente ruptura.
Biden falou do "plano" de retirada das tropas do Iraque. O team Bush anda a trabalhar nele afincadamente no último mês e já apontou publicamente 2011 para o deadline.
Biden falou numa relação com a Rússia que não a hostilize ou a expulse do G8 (como propõe McCain), sem deixar de frizar o empenho na retaguarda à Geórgia ou a outros aliados. O team Bush não tem feito outra coisa. Ficou para a história das frase de Bush, aqui há uns anos - quando parecia que nenhum líder mundial com ele se relacionava (tirando Blair) - quando o presidente dos EUA disse que Putin era o único que o compreendia e que o "percebia apenas pelo olhar".
Biden não o disse, mas Obama foi taxativo há uns meses, quando abruptamente afirmou ir perseguir todos os terroristas no Afeganistão, nem que para isso tivesse que entrar pelo Paquistão sem a autorização de Islamabad. Não sei se Bush chegou a tanto, mas ruptura aqui é história da carochinha.
Biden sublinhou a importância do pedido de Obama no sentido de reforço de tropas no Afeganistão. Perfeitamente de acordo, diria eu aqui de Lisboa. O team Bush concorda a 200%.
Biden aplaudiu ainda a ideia de Obama de negociações permanentes com o Irão. Posso andar a ver outro filme, mas é o que o team Bush e os três grandes da UE e a Rússia andam a fazer há uns bons anos.
A ver pela intervenção de Biden, o homem que auxiliará Obama nestas matérias (por isso foi escolhido para vice), há bastantes mais semelhanças com Bush do que rupturas. Afinal, "change" pode não passar disso mesmo: um slogan.
Detesto Agosto. Está tudo fora do sítio. Vou almoçar ao sítio do costume, mas nada está como de costume. Sento-me no lugar de sempre, mas não tenho os parceiros de sempre. À minha esquerda, não tenho a D. Josefa, ex-professora primária com quem discuto a epistemologia de Kierkegaard enquanto trespasso a garoupa das terças-feiras. À minha direita, não tenho do Sôr Diamantino, com quem discuto a epistemologia benfiquista, isto é, o onze-base do Glorioso. Queria perguntar-lhe se o Reyes é para jogar na direita ou na esquerda, mas ele não estava. No seu lugar, estava uma estranha mulher. Porquê estranha? Bom, quem discute com o pai ao telemóvel enquanto lê conto erótico da 'Maria' é, no mínimo, estranha. Vamos lá ver! Eu até gosto do grotesco, desde que o grotesco não venha ter comigo. É isso mesmo, meus caros: a tipa começou a falar a rir-se toda para mim. Ainda pensei em dizer-lhe "oiça, seduzir mulher como você é até covardia; é como atirar bomba atómica em tribo da Polinésia". Mas, num momento de fraqueza, fiquei-me por um anémico "pois, pois". Detesto Agosto.
Na generalidade, não discordo de Pedro Passos Coelho.
Aqui, Rui Tavares assume-se como um "obamaníaco". O facto em si mesmo não merece qualquer comentário. Mas, para dar um ar erudito, retrata o confronto entre McCain e Obama como um confronto entre os dois Roosevelts que ocuparam a Casa Branca. Como McCain admitiu que tinha como modelo de emulação Theodore Roosevelt - o homem que se gabava de sozinho ter derrotado os Espanhóis em Cuba - Rui Tavares sugere que Obama deveria reproduzir a missão e obra de Franklin Roosevelt. Essa, sim, seria a grande resposta para a regeneração da América saída das tenebrosas mãos de George W. Bush. Mas, com sugestões destas, os "Obamaníacos" ainda vão levar o seu ídolo à perdição.
Não vale a pena insistir no esgotamento da tese histórica segundo a qual FDR chegou ao poder "numa altura em que a doutrina económica dominante se revelara disfuncional e os seus fundamentos morais aberrantes", com a implicação de que uma outra doutrina económica, que se presume "funcional", salvou a América do Apocalipse. As experiências económicas de FDR foram tudo menos bem sucedidas, e segundo alguns indicadores o pior ano da Grande Depressão foi 1938, com o "New Deal" em marcha e FDR no poder há 6 (5) anos. E a insinuação de que actualmente se vive uma situação paralela à dos anos 30, com a necessidade correspondente de instaurar uma outra doutrina económica "funcional", é típica de uma certa escola propagandística. Não deve ser levada com seriedade.
Mas as surpresas acumulam-se vertiginosamente se insistirmos na necessidade de ressuscitar FDR e as suas políticas. Tenho a certeza que Rui Tavares abomina o que George Bush fez de Guantanamo. Mas o que Bush fez em Guantanamo pode ser apresentado como um monumento de humanidade quando comparado com o arrebanhamento em campos de concentração de dezenas de milhares de cidadãos americanos de ascendência japonesa (inequivocamente inocentes de qualquer actividade subversiva e sem qualquer possibilidade recorrer a tribunais comuns ou de instância superior) durante os anos 1942-1945. E tudo isso foi obra de FDR. Por outro lado, dizer que FDR, "tal como Obama", "apareceu com um discurso moderado e unificador" é roçar o absurdo. Não preciso de estender os argumentos de tanta gente que já documentou o militarismo retórico de Roosevelt. Deixo aqui apenas umas linhas de um seu famoso discurso de 1936: "We had to struggle with the old enemies of peace — business and financial monopoly, speculation, reckless banking, class antagonism, sectionalism, war profiteering. (…) Never before in all our history have these forces been so united against one candidate as they stand today. They are unanimous in their hate for me — and I welcome their hatred".
Nos últimos 40 anos é difícil encontrar um político americano de envergadura nacional que pudesse dizer uma coisa destas e ficar impune. Digamos apenas que se Obama aceitar os conselhos de Rui Tavares pode dizer adeus não só à Casa Branca em 2008, mas ao resto da sua carreira política.

Crimeia e Moldávia.
Ideias luminosas para restringir políticas comerciais. Por Miguel Botelho Moniz.
Regionalização e Impostos. Por Miguel Madeira.
A imortalidade da mentira. Por Pedro Sette Câmara.
Francisco, não confundamos a discussão político-intelectual (a das revistas e dos think-tanks) com o exercício da política. Neste último aspecto, a Europa teria muito a ensinar aos EUA, caso estes não estivessem tão absorvidos no seu fogo-de-artifício umbiguista e cacofónico.
Todos os anos ‘disputamos’ um troféu inútil. Como é um jogo amigável, entre a primeira e a segunda jornada, contra Real Madrid ou Barcelona, pomos jogadores amigáveis: Pedro Silva, Ronny, Pereirinha ou Tituí (jogador que tem evoluído bastante, já tinha deixado de ser um nome para passar a adjectivo, mas arrisca elevar-se a substantivo, o tiuismo, que define a política de contratações do Sporting). Se Paulo Bento põe a equipa titular e perde por muitos, saímos de lá arrasados. Se Paulo Bento põe a equipa titular e perde por poucos, é uma vitória moral, vivemos à custa do tesão de mijo durante os próximos dois meses e somos uma equipa de merda a pensar que é boa. Assim, Paulo Bento toma a atitude correcta (a cobarde) e põe os tiuís. Alombamos como uma Serena Williams num banquete sexual nazi, os tituís não jogam até à Páscoa (não podem, não querem e não ma’fodam) e, no final, pomos os anti-tituis, damos uns toques, saímos de lá a cantar o hino nacional («mas podíamos ter ganho») e, talvez, mas só talvez, sejamos uma boa equipa a pensar que é uma merda.
Outros Mares
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