Um dos maiores problemas da actual crise financeira é o alto grau de imprevisibilidade. Muitas das análises e comentários que têm sido escritos são ultrapassados pelos acontecimentos. É o caso do famoso "plano Paulson" que ainda hoje de manhã muitos diziam estar à partida aprovado - e foi liminarmente rejeitado na Câmara dos Representantes dos EUA. À crise económica soma-se a conjuntura política, que é de eleições. A reacção natural dos media, sobretudo europeus, será condenar os muitos republicanos - somados a alguns representantes democratas - por terem votado contra um plano que previa a injecção de 700 mil milhões de dólares públicos nos mercados. Esquecem que os representantes dos Estados Unidos têm de representar mesmo os seus eleitores, ao contrário do que acontece, por exemplo, em Portugal. E o sentimento dos eleitores americanos, sobretudo da classe média, não será bem o mesmo dos media especializados, porque os primeiros também sabem que serão eles quem pagará a conta no final da crise.
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