Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
Desinformação Oportunista
Em zapping pelos canais de televisão, estacionei no jornal das nove da Sic Notícias. É um espaço noticioso que normalmente aprecio, pela serenidade (tão rara nos dias de hoje) com que é conduzido por Mário Crespo. No entanto, hoje, deparei-me com um triste espectáculo. Começou na Joana Amaral Dias que rejubilava com crise financeira actual, como se a mesma fosse o comprovativo que faltava para o total e mais do que evidente acerto das teses que apregoa. Os seus olhos brilhavam e a sua altivez aumentava ainda mais, quando concluía que os pacotes de intervenção do Estado que agora se discutem, não são mais do que as nacionalizações sempre tão criticadas pelos selvagens neo-liberais e que, portanto, o caminho do progresso é nacionalizar mais empresas, como por exemplo, a Galp. Terminou com Mário Crespo a comparar a situação dos bancos falidos com a da famosa Dona Branca.
Esta emissão parece-me um bom exemplo da desinformação que, oportunistamente, anda a ser promovida por algumas facções da sociedade.
Desde logo, é preciso que se diga que os pacotes de intervenção que se pretende aplicar nos mercados e, nomeadamente, em alguns bancos, não são nacionalizações no sentido que a esquerda pretende. Na verdade, as nacionalizações têm um cariz marcadamente ideológico. São um mecanismo aplicado em prol da construção de uma determinada ideia global de sociedade, que, como é por demais sabido, em momento algum da história trouxe progresso e bem-estar às populações. Penso que ninguém pode com seriedade afirmar que o que se passou em Portugal no PREC ou o que se passa actualmente na Venezuela tem alguma semelhança com o que está a ocorrer nos E.U.A. Hoje, estamos a assistir a intervenções do Estado na qualidade de garante (que nunca pode deixar de ser) do interesse público. Ponderados todos os interesses em jogo, os governos entendem que devem intervir em determinados casos, em defesa do capitalismo, das poupanças dos cidadãos, não na imposição de uma qualquer ideia socialista ou comunista da sociedade.
A visão que tenho do papel do Estado na sociedade é a de que ele deve ser, em primeiro lugar, um árbitro e, depois, um garante, especialmente em situações de crise. Os pacotes que agora se discutem não são mais do que isso. Só um Estado, pelo menos, tendencialmente com estas características, tem capacidade para zelar pelos interesses da comunidade em momentos como o actual, em que deixar cair algumas instituições financeiras significaria (ou significará) a desgraça de muitas pessoas. É verdade que o Estado-Árbitro terá falhado, no entanto, é agora que deve emergir o Estado-Garante. O que irá, seguramente, salvar a economia americana é precisamente o liberalismo que levou a um crescimento extraordinário de décadas e que permite que o Estado tenha capacidade e folga para zelar pelo interesse público na situação preocupante que vivemos. Um Estado como o que defende Joana Amaral Dias, se alguma vez se tivesse erguido, cairia como um baralho de cartas.
Muito bom.
De
raio a 30 de Setembro de 2008 às 01:14
estará o poder politico norte-americano ainda capacitado para ser árbitro das empresas que operam no seu mercado? ... ou essas mesmo empresas ao operarem num mercado global já não admitem ter o arbitrio nem sequer do país onde nasceram?...
Saudações Bloguisticas
Raio
De Manuel Leão a 30 de Setembro de 2008 às 11:46
Este "post" é tão mau que não merece comentários. A não ser este: isto são sopas depois do almoço. Valem zero.
100% de acordo.
De Dutilleul a 30 de Setembro de 2008 às 17:13
“Ponderados todos os interesses em jogo, os governos entendem que devem intervir em determinados casos, em defesa do capitalismo, …”
Estou tão preocupado com a defesa do “capitalismo” como com as patetices de meninas parvas chamadas a perorar acerca do que lhes vai nas cabecitas.
Estou realmente interessado em ouvir o Sr. Constâncio, tão loquaz em tantas e extraordinárias circunstâncias. (e não, não estou interessado em ouvir as patetices do Sr. Engenheiro porque não tem diploma para dizer mais nada); gostava de saber se continua a ser prudente confiar as minhas poupanças a um banco português, gostava de conhecer mais em detalhe o trabalho de supervisão do Sr. Constâncio, enfim, coisitas assim, salarialmente subentendidas.
Além dessa coisa simples não estou realmente interessado em que o governo entenda o quer que seja. Posso ficar perplexo como é que os governos não mandam a polícia às canelas dos magos das finanças que levam sacos de dinheiro às costas depois de deixarem as contas dos clientes a descoberto, mas não, não quero realmente saber mais nada.
Se, aí pelos sítios onde o senhor anda (porque o senhor também há-de andar por algum sítio), vir o Sr. Constâncio - ou qualquer um desses gajos de uma entidade reguladora (qualquer uma) - diga-lhe que perguntei por ele, está bem?
Agradecido.
De Dutilleul a 30 de Setembro de 2008 às 17:26
“perplexo como é que os governos não…” > “ quando os governos”,
enfim, … um gajo fica nervoso com esta coisa dos apelos em “defesa do capitalismo” e o raio que os parta a todos.
Mil perdões, caros senhores.
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