Parte I: Eu e a televisão

Num episódio dos Simpsons, a família Simpson fica (já não me lembro porquê) sem televisão. Homer, perante o funesto acontecimento, limita-se a perguntar: "where's life?". Eu compreendo-o: no filme Uncle Buck, Macaulay Culkin diz algo como “I’m nine years old, TV is my life”. Eu tenho 24 (demasiados), e a minha vida não tem sido muito mais. Por muito deprimente que possa ser (e geralmente, no que a mim diz respeito, se pode, é porque é mesmo), devo o que de mais importante tenho à televisão. Do Dartacão aos Sopranos, passando pelos Simpsons e The Wire, tudo o que aprendi foi a olhar para aquele maravilhoso aparelho emissor de luz e som. O leitor dirá que é um erro da minha parte. Que estou a desperdiçar a minha juventude (que, diga-se de passagem, merece ser desperdiçada. Se estes são os melhores anos da nossa vida, nem quero imaginar como serão os restantes). Dirá que a televisão não é capaz de fazer um homem verdadeiramente feliz. Talvez não seja, mas por outro lado, nunca gozou com a minha aparência. Só por isso, já me fez mais feliz que muita rapariguinha que por aí anda. E para além disso, de que outra forma poderia eu passar umas horas com esse raiozinho de sol que é Kirsten Dunst? E a verdade é que há muitas outras razões para ver televisão, a começar pela qualidade do que ela, hoje em dia, tem para oferecer.
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