Paul Krugman é o vencedor do Prémio Nobel da Economia. Há pelo menos uns 8 anos que, quando me perguntavam quem venceria o Prémio Nobel "deste ano", respondia sempre "este é o ano do Krugman". Anos depois, foi feita justiça. O Manuel Pinheiro já comentou a segunda carreira de Krugman como "enfant terrible" dos meios de comunicação de massas e da análise política. Mas o que importa é que o trabalho científico verdadeiramente inovador que Krugman desenvolveu nos últimos 25 anos é agora devidamente recompensado.
Houve duas grandes áreas que notabilizaram Krugman: a geografia económica (ou a economia da geografia), e a economia internacional. A primeira ficou, em larga medida, enclausurada nas publicações científicas da especialidade, mas a nova teoria do comércio internacional elaborada por Krugman revolucionou autenticamente essa área da economia. Com a sua tradição científica secular - podemos falar de teorias do comércio internacional pelo menos desde o século XVII, e o teorema mais decisivo e basilar dessa parte da ciência económica, o da vantagem comparativa, foi apresentado na primeira metade do século XIX - a economia internacional foi sempre uma das áreas mais profícuas em termos de intuições e resultados científicos. Mas era preciso explicar os novos padrões de comércio internacional que cada vez mais condenavam, senão à insignificância, pelo menos à secundarização, do célebre modelo têxteis ingleses-vinho português. O período em que Krugman desenvolveu o seu corpo teórico da economia internacional seria também o período da extraordinária expansão do comércio internacional e da maturação da chamada "Terceira Vaga da Globalização". No modelo de Krugman, as economias de escala, a diferenciação do produto e a concorrência intra-indústrias assumem um papel decisivo. Para que a economia pudesse interpretar e explicar a realidade internacional era preciso introduzir esses elementos a par dos factores produtivos e dos preços relativos.
Pouco depois, Krugman começou a desenvolver um interesse acentuado na "economia da depressão". Esse interesse não foi só provocado pela crise asiática de 1997, mas sobretudo pela estranha experiência japonesa que se seguiu à década de todas as promessas, a de 80. Hoje, diante da crise que vivemos, Krugman é mais do que nunca uma voz a ter em conta. Não a do sectário anti-republicano para o qual não há muita paciência, mas para o economista genial que odeia os dogmas e a preguiça intelectual. Com o último, aprende-se sempre.
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