Terça-feira, 14 de Outubro de 2008
Orçamento por conta (5)
É nestes momentos em que vamos acompanhando as últimas novidades dos orçamentos do Estado que mais vontade de rir - ou de chorar - dão todos aqueles, à esquerda ou à direita, que acusam o "liberalismo" ou os famigerados "neoliberais" de serem os culpados da crise económica em que nos vamos arrastando. Sobretudo em Portugal, onde o Estado entra nas nossas vidas por todos os lados, influenciando decisivamente as nossas escolhas, desde a compra de um computador até às cadeirinhas para transportar os nossos filhos, passando pela compra e arrendamento da casa.
Paulo,
Ainda bem que lhe dá vontade de rir, mas a última vez que alguém achou que Portugal estava fechado ao mundo e às consequências das crises financeiras e económicas internacionais (que dizem as más línguas acolher alguma responsabilidade dos "famigerados neoliberais"), independentemente do Estado ser mais ou menos metediço, foi lá pelos idos do dr. Salazar.
No mais, não seja injusto. A ideia das cadeirinhas parece que até saiu da cabeça do CDS-PP, essa força política reconhecidamente socialista.
Cumprimentos
André Salgado
André, como sabe, a crise económica portuguesa é anterior à crise financeira internacional actual. Tem razões próprias que vêm de longe, incluindo governos PSD/CDS. Como presumo que o André, quando escrevo penso pela minha própria cabeça, não pelo que defendem um ou outro partido.
Cumprimentos.
De Hayek a 14 de Outubro de 2008 às 18:17
Depois de Ricardo Salgado ter declarado ontem à noite que o neoliberalismo morreu e depois de ter lido no insurgente isto:
“Qual é a mensagem que se transmite ao mundo nesse momento de crise quando o Nobel de Economia premia um economista como Paul Krugman?
Com Wall Street em chamas, falar de liberalismo hoje é mais insultuoso do que invocar Mefistófeles, ato que pode, pelo menos, soar excêntrico. A maioria arrasadora das análises sobre a crise e sobre as possibilidades de solução recai na intervenção do estado. Até gente antes identificada com princípios liberais pede a mão visível do governo porque, segundo eles, o estado foi co-responsável por ser o agente definidor das regras e ter permitido a “farra”.
Krugman é o economista que, na pele de intelectual público (colunista do New York Times), defende a tese segundo a qual o intervencionismo estatal é uma importante ferramenta de crescimento econômico.
Ao mesmo tempo em que se pode argumentar que, sim, Krugman foi premiado por seu estudo sobre comércio internacional, não vejo como separar seu trabalho da forma como articula sua idéia sobre o funcionamento do mercado. A Economia é baseada nos postulados da racionalidade e do equilíbrio. É sobre esses princípios que Krugman elabora uma estrutura econômica de análise aplicando seu viés ideológico.
Krugman não é o primeiro e nem será o último economista estatal a ganhar o Nobel. Sendo assim, a priori, não há nenhuma tragédia nova a desconfigurar a já estabelecida. Mas o prêmio, na atual conjuntura, tem um impacto político relevante que justifica a pergunta inicial deste texto: qual é a mensagem que se dá ao mundo nesse momento de crise quando o Nobel de Economia premia um economista como Paul Krugman?
O Nobel a Krugman é a última flor que se joga no caixão construído para enterrar o mercado, o liberalismo, o capitalismo e tudo aquilo que não seja o modelo de protagonismo estatal. O sistema responsável pela melhoria de vida das pessoas ao longo de décadas foi transformado num cadáver insepulto. Na hora das responsabilizações é mais fácil culpabilizar aquilo que não tem rosto.
Crise de Wall Street; discurso de Obama defendendo um plano de recuperação econômica capitaneado pelo governo dos Estados Unidos; governos europeus viabilizando a sanha estatizante; exércitos de analistas estatais clamando por sangue; vésperas da eleição presidencial americana. Ainda bem que não estamos falando de teoria da conspiração, mas de um movimento normal que pode ser o início ou o fim de um ciclo político-econômico.”
pergunto:
o que andam vocês a fazer por aqui quando eu próprio já estou a fazer tijolo
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