Sábado, 25 de Outubro de 2008
Como é que reage?

Imaginemos que um socialista é confrontado com uma tabela que mostra que em 15 indicadores-chave do desempenho económico nacional, 14 pioraram durante a vigência do governo que apoia. Como é que reage?

  1. Atira as culpas de quatro anos de governação para o governo anterior?
  2. Desculpa os maus resultados da governação com a crise internacional?
  3. Lança dúvidas sobre dados constantes da tabela (fontes INE e OE'2009)?
  4. Insulta o autor da tabela, comparando-o a um burlão?
  5. Faz tudo isto num único post?


publicado por Vasco Campilho
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Comentários:
De jmvfaria a 25 de Outubro de 2008 às 12:16
Não há um único socialista do PS a acreditar nestes indicadores. Com Sócrates o País nunca esteve melhor, dizem!


De Manuel Leão a 25 de Outubro de 2008 às 12:50
Pois, o mal é esse.
Reagem da mesma maneira como reagem os comentadores do PSD, quando é a vez deste governar mal.

«PS e PSD é tudo igual, sem tirar nem pôr. O Sócrates até já foi do PSD. Só que nem uns nem outros querem admitir isso. E quem paga as "favas" é sempre o mesmo: o Zé povinho».

Ouvi isto, esta manhã, à entrada da papelaria onde fui comprar os jornais.


De PF a 25 de Outubro de 2008 às 14:53
É precisamente o que o primeiro-ministro e outros ministros fazem na AR nas sessões parlamentares. Os argumentos pouco diferentes são desse post. Como a cassete tem dado resultados devido ao descrédito da oposição, eles não se cansam de a repetir, independentemente do estado do país e de toda a merda que têm feito. Deste modo poderão continuar a fazê-la, augurando-se um segundo mandato de regabofe e fartar vilanagem bem à moda socialista (ou não será também à portuguesa...).


De fernando antolin a 25 de Outubro de 2008 às 17:32
Escolhe a opção 5 e manda o MFerrer,o justiceiro PS dos blogs,responder...!


De André Salgado a 26 de Outubro de 2008 às 02:04
Companheiro Vasco Campilho:

Já lhe respondi no seu blog, mas verifico que reproduziu aqui o seu post, com um ponto 3 que não constava no post original. Assim sendo, merece a consideração de uma resposta actualizada, pedindo-lhe especial atenção para esse ponto 3, onde insinua um menor rigor da minha parte:

1.No caso em apreço, a aventura de criar tabelas para comparar resultados com o governo anterior partiu do autor das mesmas.
2.Como pôde ler no meu post, a crise internacional não tem rigorosamente nada que ver com os resultados económicos da governação. Como é sabido, se todo o espaço europeu crescer pouco ou nada, como é projectado, isso deve-se a uma epidemia generalizada de maus governos e maus resultados da governação de cada um dos países. A crise é uma fantasia.
3.Se ler com atenção, o único valor constante na tabela a que eu me refiro e que pode ser factualmente questionável, é o valor do défice relativo ao ano de 2004 (3.4). Que obviamente não bate certo com o valor que foi apurado no primeiro trimestre de 2005. E quem o disse foi o Banco de Portugal, não fui eu, como o Vasco bem sabe. Os números por mim referidos relativos à taxa de desemprego e mercado de emprego no primeiro trimestre de 2005, são números oficiais do INE e todos eles verificáveis. O que se questiona é a tabela omitir esse trimestre, como se não tivesse sido ainda de governação PSD/CDS. Espero que sirva para encerrar a sua insinuação.
4.Tenho Alves dos Reis na conta de um artífice de grande qualidade técnica.
5.Nunca se menospreze as qualidades da síntese. Mas não era necessário da sua parte. Obrigado, de qualquer modo.

Post Scriptum:
O problema não está em como um socialista reage, está em como um social-democrata deve fazer melhor o trabalho de casa.

Cumprimentos e boas postagens

André Salgado


De Vasco Campilho a 26 de Outubro de 2008 às 03:23
Camarada André,

obrigado pela sua resposta. Devo dizer-lhe que não insinuei nada. Da mesma maneira que afirmei que o André insultou o Miguel Frasquilho, afirmo que o André lançou duvidas infundadas sobre dados oficiais. Vamos então ao trabalhinho de casa.

O valor do défice que consta da tabela para 2004 (3,4%) é o valor fornecido pelo Ministério das Finanças. Como sabe, a certificação final do défice demora um ano ou dois. Por isso pode não bater certo com o que foi anunciado na altura. Se não me engano, foram 2,9%.

Como o André devia saber, o Banco de Portugal não tem nas suas atribuições certificar défices. So o tem feito a pedido, e que eu saiba fê-lo apenas uma vez, em 2002, relativamente ao défice de 2001, a pedido do então primeiro-ministro Durão Barroso.

Aquilo a que penso que se refere quando fala de "o valor que foi apurado no primeiro trimestre de 2005" não foi a certificação do défice de 2004: foi uma projecção do défice para 2005, feita no 1° semestre (com mais de metade do ano pela frente) através das seguintes operações:
1) ajuste do cenário macro-económico;
2) supressão de receitas extraordinárias;
3) execução do OE'2005 sem quaisquer cativações.

Foi assim que se chegou aos famosos 6,83%, que nunca existiram a não ser no discurso politico do governo Sócrates. Para memoria, em 2004 o défice foi de 3,4%. Em 2005 foi de 6,1%.

Eis o que não bate certo: que o Governo que tanto se vangloria de ter vencido uma crise orçamental herdada do mandato anterior seja na realidade o responsável pelo maior regabofe orçamental desde que Portugal entrou no euro.


De André Salgado a 27 de Outubro de 2008 às 15:03
Caro Vasco Campilho

Os seus procedimentos de raciocínio estão correctos. Não explicam, no entanto, uma grande nebulosa, que é "A" grande nebulosa, e cuja culpa não deverá morrer solteira: como é que se opera o salto de gigante do défice de 3.4 em 2004 para a projecção de 6.83 para 2005, projecção esta que teve como base de análise a proposta de OE do governo PSD/CDS para esse ano. Convenhamos que a projecção feita por essa proposta de OE sobre a real situação financeira do país, era, para ser simpático, uma fantasia grosseira, que foi cair nas mãos do governo seguinte. Sobre regabofe orçamental, acho que estamos conversados.
A "habilidade" do dr. Frasquilho, cuja competência técnica não se questiona, não é apresentar números incorrectos nas suas tabelas. É construir uma tabela de resultados a comparar que não corresponde ao momento em que o governo anterior deixou a casa e as contas para pagar ao novo inquilino - o final do primeiro trimestre de 2005.
Os resultados deste governo, para o bem e para o mal, deverão ser comparados e julgados, em nome de uma desejada transparência, não à luz do ano de 2004, mas do momento em que recebeu a herança do verdadeiro estado do país, em Março de 2005. Escamotear esta verdade elementar tem um nome. Chama-se uma fraude política.

Cumprimentos

André Salgado


De Vasco Campilho a 27 de Outubro de 2008 às 22:00
Caro André,

não há nebulosa nenhuma. Como se opera o "salto de gigante" de que você fala é simples: basta aplicar os pressupostos irrealistas com que a Comissão Constâncio projectou o défice de 2005 para ter uma derrapagem orçamental garantida.

O que você não explica é como se opera o salto de gigante entre os 3,4% de 2004 e os 6,1% realmente executados em 2005 (sejamos precisos: 9 meses de responsabilidade PS). Eu tenho uma pequena ideia: através do orçamento rectificativo aprovado pelo governo de José Sócrates. que, à boleia do écrã de fumo dos 6,83%, autorizou o gastar à tripa-forra enquanto o Governo fazia constar que que estava a consolidar as contas.

Quanto à sua indignação com o primeiro trimestre de 2005, acalme-se. Respire fundo. Lembre-se que o Governo PSD/CDS estava em gestão desde Dezembro de 2004. E que o único número para o qual essa diferença tem relevância é o do desemprego. Concedo-lhe a rectificação sem nenhum problema. Mas há outros 13 indicadores que o deviam preocupar.


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