Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
A escolha é clara.

Estamos em recessão. Os estabilizadores automáticos vão intervir, o défice vai aumentar e a dívida pública também. Precisamos de políticas de estimulo económico que vão para além dos estabilizadores automáticos? Precisamos. Elas custam dinheiro? Custam. Onde se vai buscá-lo? Concerteza à dívida pública. Até aqui eu consigo seguir o raciocínio pro-dívida.

 

Mas não consigo - se calhar é defeito meu - olhar para o endividamento do Estado como um saco sem fundo. Esse caminho - que é o caminho que o Governo  trilha ao assumir 35 mil milhões de compromissos financeiros - parece-me inútil e perigoso. Inútil, porque o grosso da despesa associada às grandes obras não vai intervir imediatamente, e portanto não contribui para resolver a crise no imediato. Perigoso, porque ao aumentar brutalmente o nível dos compromissos financeiros do Estado, vulnerabiliza-nos muito para além do razoável.

 

O que me parece útil e prudente é focar o inevitavel acréscimo de despesa em medidas que tenham um efeito imediato e relevante na economia privada, mas não criem compromissos rígidos de despesa. Um exemplo seria uma redução significativa dos prazos de pagamento a fornecedores do Estado e das autarquias: essa medida agravaria o défice no imediato, mas não a situação patrimonial do Estado. Sobretudo, essa medida contribuiria muito mais para a sustentabilidade do emprego em Portugal do que o lançamento de grandes obras.

 

A grande diferença entre PS e PSD na forma como encaram a crise está precisamente aqui: o PS encara a crise como uma oportunidade de expandir o Estado, a sua intervenção e o seu controle de forma estrutural e irreversível. O PSD encara o Estado como um agente que pode amortecer o impacto social da crise no curto prazo, mas que não deve expandir-se a expensas da sociedade civil. São estas opções que se vão defrontar eleitoralmente em 2009. A escolha é clara.



publicado por Vasco Campilho
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Comentários:
De Manuel Leão a 30 de Outubro de 2008 às 16:59
Muito bonito, aparentemente.

Mas o culpado foi ...

E isso "toda a gente" já entendeu. E cada vez vai entender mais. O que se está a passar, ao contrário do que aqui foi defendido, no início, não foi só um banquito ou outro, que até era bom que falissem, para separar o trigo do joio. Era o mercado a funcionar.

Passadas que são três semanas, o que é difícil é encontrar o trigo no meio de tanto joio.

Realmente, deveriam ter seguido aquele velho filosofo da bola: - Previsões só no fim do jogo.


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