Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
Curb your enthusiasm

O João Pinto e Castro insistiu ontem na sua posição pró-dívida, pedindo que:
- não lhe lembrássemos “que temos níveis de endividamento elevadíssimos”;
- não lhe repetíssemos “que as garantias prestadas pelo governo aos bancos comportam um risco elevado”;
- não pretendêssemos “que o investimento público retira fundos ao investimento privado”.
Caro João, gostaria de não ter que lhe lembrar “que temos níveis de endividamento elevadíssimos”, mas a verdade é que a dívida externa portuguesa passou de 64% a 100% do PIB em quatro anos. Gostaria de não lhe repetir “que as garantias prestadas pelo governo aos bancos comportam um risco elevado”, mas desde que elas foram anunciadas o spread da dívida pública portuguesa duplicou. Gostaria de acreditar “que o investimento público não retira fundos ao investimento privado”, mas quando o governo propõe o orçamento com a mais alta carga fiscal de sempre em proporção do PIB, é difícil manter a fé.
Por isso, um conselho amigo, caro João: curb your enthusiasm.
De Anónimo a 30 de Outubro de 2008 às 11:06
Como é possível que os analistas encartados da especialidade continuem a repetir "défice" ao fim de quatro anos, esquecendo todo o resto dos indicadores económicos?
De Manuel Leão. a 30 de Outubro de 2008 às 11:44
«Curb your enthusiasm».
E não se pode dizer isso em português, Sr. Vasco? Será porque pensa que é uma língua menor?
De Anti-Leão a 30 de Outubro de 2008 às 15:41
É pá, Sr. Manuel Leão, e se Vosselência se concentrasse em comentar o essencial e/ou a substância do post?
Deixe lá as pessoas escreverem como querem e bem lhes apetece. Se o autor escreve em inglês porque lhe apetece ou porque não encontra a mesma expressão em português é irrelevante. Escreva Vosselência em Português e sem estrangeirismos e ou expressões roubadas. Deixe lá as pessoas expressarem as suas opiniões como querem e concentre-se em aprender a explicar melhor a sua, se for caso disso.
saudinha
De Manuel Leão a 30 de Outubro de 2008 às 19:36
Claro que "deixo" escrever. Tanto que deixo que escrevem.
Eu até defendo que, no caso de se tratar de um termo técnico, se usem termos em inglês, por exemplo. Agora, neste caso, será que "refreie o seu entusiasmo", ou "modere o seu entusiasmo", não são expressões suficientemente fiéis?
Quanto à essência do "post" não há muito a referir. A ele preocupa-o a escalada do deficit e dos impostos, enquanto Pinto e Castro se preocupa com a situação de emergência, em que um exército de inconscientes colocou a economia mundial. Para mim, a primeira preocupação é a mais importante, nas presentes circunstâncias.
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