No essencial, a eficiência da máquina de propaganda de Sócrates não vem do exército de assessores que trabalham directamente para ele, de "gabinetes de comunicação", de empresas de comunicação que o Estado contratou (e contrata) ou de jornalistas "colaborantes". Não vem sequer do oportunismo, ou do temor, de certa imprensa e de certa televisão, ou da RTP e da RDP ou de "pressões" de vária ordem, que alegadamente os maiorais do regime aplicam com grande regularidade e método. Tudo isso ajuda e é com certeza indispensável. Mas já houve quem quisesse fazer o mesmo, sem resultado que se visse. Porquê? Porque a eficácia de uma máquina de propaganda depende antes de mais nada da disciplina política. O que Sócrates conseguiu foi impor uma disciplina, e uma disciplina severa, ao Governo, à burocracia e ao partido.
Vasco Pulido Valente, no Público
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