Domingo, 9 de Novembro de 2008
Servidão voluntária

A diferença de tratamento pelos três canais da manifestação de ontem dos professores em Lisboa - a maior manifestação de um grupo profissional em Portugal; e, por uma vez, suponho, com carradas de razão - foi muito elucidativa nos telejornais de hoje ao almoço. A SIC e a TVI começaram pelo inevitável "clássico" de Alvalade e depois passaram à manifestação, com imagens e, a seguir, com a opinião dos nossos queridos governantes. Já a RTP começou inexplicavelmente com um acidente numa perseguição de assaltantes pela polícia, uma notícia que nunca mais acabava, e pegou depois - em directo, pareceu-me - com Sócrates a falar em Coimbra contra a manifestação. Falou muito, e virilmente. Depois repetiu-se a entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues, que disse exactamente o que Sócrates disse, e, pelo meio, imagens da manifestação. A RTP não obedece ao governo, não. É só servidão voluntária. O governo até nem quer. Ela é que é assim.



publicado por Paulo Tunhas
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Comentários:
De Anónimo a 9 de Novembro de 2008 às 15:30
De facto começar com futebol é outra coisa!


De jeronimo a 9 de Novembro de 2008 às 15:39
"Carradas de razão": estamos a falar de uma classe cujos representantes assinaram um acordo que agora estão a desrespeitar. E são estes os irresponsáveis que são supostos ser os modelos de integridade e responsabilidade para os nossos filhos.
O fanatismo é tanto que, até quando se percebe que a população e a comunicação social está farta destas crianças grandes e dos seus anseios de facilitismo para eles próprios, se vê nisso uma deturpação e uma perseguição maquiavélica por parte do governo.


De Paulo Tunhas a 9 de Novembro de 2008 às 16:40
É acabar com eles, caro amigo, é acabar com eles.


De Paulo Pinto Mascarenhas a 9 de Novembro de 2008 às 16:42
Excelente, caro Paulo, o texto e a resposta ao sempre presente jeronimo...

abraço


De fernando antolin a 9 de Novembro de 2008 às 18:22
Ai o Jerónimo,bem podia ter ficado a fazer companhia ao Cochise...


De jeronimo a 9 de Novembro de 2008 às 19:41
Se fosse possível substitui-los todos, era o ideal ;).
Agora mais a sério: e porque não mostra-lhes que já não estão em auto-gestão com têm estado nos últimos 30 anos ? Não acha que a prestação deles melhoraria ? Ou também é adepto dos modelos de governação a partir da rua, como tivemos nos saudosos anos 70 ?


De MJP a 9 de Novembro de 2008 às 22:19
Substitui-los a todos? que falta de idealismo! nada garante que os novos não sejam iguais...
É preciso é acabar com essa raça duma vez por todas.
Ficamos todos com as criancinhas dentro de casa o dia todo e, de caminho, mandamos os patrões dar uma volta. Ordenado entregue em casa, já!
Que felizes que seriam... na ignorância é que não se notava diferença alguma.



De Jeronimo a 10 de Novembro de 2008 às 09:20
Está-se a esquecer dos milhares de professores que trabalham no sector privado e que, tanto quanto sei, não são contestados nem contestam as regras das suas entidades empregadoras. Mas essa é provavelmente uma classe inferior, que não precisa dos mesmos direitos dos funcionários públicos, que como é sabido têm direito a direitos com que os outros nem sequer sonham.


De Jorge a 10 de Novembro de 2008 às 14:27
E as ordens deste empregador, o ME, são: passem os alunos se querem ter boa nota. Por acaso, acho bem que se insurjam.


De Hugo Pacheco a 10 de Novembro de 2008 às 23:02
Sr Jeronimo. O Privado é que é bom. Deve ser por isso que todos os professores que transitam do privado para o público não vêem a hora de regressar.

O Sector privado é o paraíso em relação à Escola Pública.

Claro que os Professores que lá trabalham não reclamam.

Veja se percebe os professores querem ser avaliados. Mas por uma avaliação justa, coerente e que não impeça o normal funcionamento do trabalho com os alunos. Sim, são mesmo os alunos o que há de mais importante na escola. Mas sem professores talvez vá o Sr. Jeronimo "lá dar uma perninha" na desportiva.


De Jeronimo a 11 de Novembro de 2008 às 14:02
(...)Deve ser por isso que todos os professores que transitam do privado para o público não vêem a hora de regressar.
O Sector privado é o paraíso em relação à Escola Pública. (...)
Isto só podem ser comentários de alguém que nunca teve de enfrentar o problema de não ter o emprego garantido. Se vocês do sector público alguma vez tivessem de enfrentar esse problema perceberiam que a segurança do posto de trabalho é o que há de mais valioso, sobretudo nos tempos que correm. Quando aqueles invejosos do sector privado, como eu, que não têm direito a isso, embora paguem para que outros como você o tenha, vêem essas pessoas protestar dificilmente conseguem encontrar alguma justeza nesses protestos.


De JV a 10 de Novembro de 2008 às 01:06
E esse telejornal ainda é um exemplo de subserviência moderada. Experimente-se assistir aos serviços noticiosos da RTP às 13h de um qualquer dia da semana, e o espectador menos avisado poderia julgar-se subitamente ante um tempo de antena do PS. Mas, como bem diz PT e bem, tudo isso é coincidente. O Governo, suponho, até tem admoestado a RTP, temendo a má fama. Mas a obra do grande timoneiro Sócrates é tão infindavelmente superlativa que os homens da estação pública não conseguem resistir.


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