A propósito do relançamento do Instituto Francisco Sá Carneiro, agora com Alexandre Relvas na liderança, é importante lembrar a falta que fazem mais think thanks na acção política portuguesa.
Lembro-me que uma das auto-criticas que fizeram alguns responsáveis do CDS e do PSD pelo anterior governo, é que não estavam prontos para governar. Porque não tinham um projecto político, ou porque simplesmente os seus dirigentes não estavam preparados para assumir as rédeas do país. Isto não é exclusivo dos partidos de direita, e também no PS se nota que não houve o trabalho prévio necessário. As propostas surgem sem coerência estratégica, desenvolvem-se programas de governo a três meses das eleições, e quase nunca se promete o que se vai fazer. Quando se chega às eleições, debitam-se soundbytes para captar o voto, mas nunca existe um projecto estruturado, através de estudos, artigos e discussão. Para governar um país, não basta apresentar um plano, sem verificar a sua exequibilidade. Depois acontecem as mentiras e os enganos, como o lamentável choque fiscal prometido por Durão Barroso (algo que me desagradou imenso, sendo eu militante do PSD). Deste governo, nem vale a pena falar nas mentiras de José Sócrates, pois iria maçar-vos com tanto texto.
O IFSC deverá ser um espaço permanente de debate e discussão, e promover a criação de grupos de trabalho. E aqui, deverá incluir o aproveitamento das virtudes que as novas tecnologias oferecem. Um simples exemplo: porque não aproveitar a ideia seguida este ano pela Republican National Platform, de fazer um site, para receber os contributos dos cidadãos para o programa político das eleições de 2008? Pelo que sei, foi um enorme sucesso, e teve a adesão de centenas de milhares de pessoas. Segundo um dos seus responsáveis, o congressista Kevin Mccarthy, o documento final foi quase todo escrito através destas contribuições recebidas online. É necessário criar os meios para envolver mais os cidadãos. O PSD precisa de fazer mais nesta área.
As primeiras impressões do novo site são muito positivas, e Alexandre Relvas poderá liderar um projecto que dê frutos para além do curto prazo. Mais do que apresentar ideias já para as próximas eleições, é fundamental trilhar o caminho dos próximos 10 anos. Por isso, o Portugal 2020 parece-me muito interessante. Como sempre, no meio online, o seu sucesso vai depender do nível de actualização, na forma como conseguir mobilizar os seus intervenientes, no grau de envolvimento dos internautas e na sua capacidade para fazer opinião e de influenciar, não só a vida do partido, mas também a sociedade civil. Veremos se os seus responsáveis irão estar à altura.
Outros Mares
Outras Ondas