Sábado, 29 de Novembro de 2008
A masculinidade moral de James Stewart

Bastava lembrá-lo a ser levado ao colo por Woody Strode em "The man who shot Liberty Valance" ou o desmaio-fêmea em "Vertigo" mas para além disso ele foi sempre o homem da palavra. O homem das letras em contraste com o homem das armas (John Wayne). Não era o guerreiro Aquiles. Era o astuto Ulisses. Genial "mindfucker" em "A Corda". O Mr. Smith que foi para Washington. O homem comum que triunfa pela palavra. Nunca serviu para posters (como McQueen, Dean, Brando), não tinha o charme aristocrático de Cary Grant. Havia nele outra coisa. Algo que se sobrepunha à debilidade física (sempre magro, quase frágil), uma obstinação no olhar, uma reserva de humanidade que não podia ser quebrada nem imitada. Por isso, não deixou herdeiros.
O facto de não teres arranjado motivo ou oportunidade para referires um dos mais Morais e «humanos» papeis de James Stewart - refiro-me ao Paul Biegler de Anatomy of a Murder – mancha indelevelmente um post quase perfeito. Em todo o caso, excelente.
Bruno, não consigo, porque não quero, perceber que "por isso não deixou herdeiros".
Nem sei se tem explicação, mas era um actor em vias de extinção. Desses «A minha fundação já faz colecção»
Caro Bruno Amaral
Céus!!! É o texto mais poético-filosófico que já li sobre James Stewart!
Sim, será provavelmente por isso, uma reserva de humanidade, que todos o amamos tanto...
Cumprimentos
Ana
De lucklucky a 29 de Novembro de 2008 às 18:37
Não deixou herdeiros?
Republicano(talvez uma razão para a falta de posters recentes em Hollywood)...
James Stewart piloto da USAAC(quando os aviões ainda estavam no Exército) na Segunda Guerra Mundial. Aos comandos fez diversas missões de bombardeamento da Alemanha. Chegou a Brigadeiro da USAF estando na reserva e nessa qualidade fez como observador uma missão em B-52 sobre o Vietnam.
Que texto bom. Mesmo. Obrigada.
Beijinho,
AM
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