Sábado, 29 de Novembro de 2008
Violência nas escolas
"Uma professora da Escola EB 2,3 de Jovim, Gondomar, foi ontem agredida a murro, estalada e pontapé por um aluno de 16 anos, tendo recebido tratamento hospitalar, disse à Lusa fonte da GNR.
A agressão terá ocorrido em retaliação por a professora o ter levado à presença do Conselho Executivo, por alegado comportamento incorrecto.
A docente foi assistida no Hospital de São João, no Porto, com lesões numa perna e num olho."
Público
Não posso deixar de pensar que acções do Ministério da Educação que erradicassem das escolas públicas comportamentos destes e seus autores seriam mais benéficos para a qualidade do ensino do que projectos de avaliação mal concebidos (sem com isto dar razão aos sindicatos de professores, que desejam tanto avaliação como a generalidade das pessoas uma gastroenterite).
De Manuel Leão a 29 de Novembro de 2008 às 18:24
Maria João Marques:
A força com que este governo atacou os professores, desde o início do mandato, está na razão directa da frequência e da intensidade com que eles são agredidos e, por vezes, espancados.
Já antes havia agressões, mas nunca como agora.
Eu só pergunto uma coisa:
- Superada que esteja esta questão da avaliação, quando é que a imagem do professor ficará minimamente recuperada, perante a sociedade, a ponto de ser possível ensinar nas escolas com um mínimo de condições de segurança e um mínimo de autoridade do professor perante os alunos?
Manuel Leão, tem toda a razão. Alias, aquando do caso Carolina Micaelis escrevi isso mesmo: a falta de respeito com que os professores são tratados pelo ME tende a ser seguido pelos alunos. É que o exemplo vem sempre de cima.
Os motivos de contestação da classe docente vão muito para além de um sistema de avaliação - que, na minha perspectiva, é até um mal menor se comparado com casos como este, com a falta de condições físicas de trabalho ou com a elevadíssima taxa de desemprego (etc., etc.). Aderir massivamente a estes protestos (legítimos) ao mesmo tempo que se nota um conformismo incompreensível perante outros males associados à docência não faz sentido nenhum.
Quanto à agressão que é agora notícia, defendo que o aluno deve ser severamente castigado, sendo, por exemplo, imediatamente expulso e que, no início do próximo ano lectivo, seja reavaliada a sua situação sobre uma eventual reinscrição na escola.
Claro que um aluno tem a imaturidade que se espera e não se deve bani-lo para todo o sempre da convivência com a sociedade. Em todo o caso, e porque foi uma agressão grave, penso que nunca deveria regressar àquela escola e sim, só deveria regressar depois de e se se considerar que é seguro para alunos e professores estarem na escola (diferente) com ele. Talvez fosse conveniente começar a pensar-se em escolas para estes casos problemáticos.
MJM, compreendo a sua ideia, mas criar uma escola diferente talvez acabasse por ser uma repetição dalguns dos erros dos guetos. É uma situação muitíssimo complexa e, portanto, para combater este tipo de caso talvez se justificasse uma acção, por assim dizer, "conjunta", entre escolas, ME, famílias e autarquias (por oposição a uma alteração somente das e nas escolas). Quero dizer, teria de haver uma acção global, que implicasse todas as variantes da equação, sejam elas administrativas, físicas, emocionais, sociais. De resto, sou da opinião de que, a tomar uma medida no curto-prazo, tem de ser severa e exemplar.
É curioso que na base das não-expulsões está um pretenso combate ao abandono escolar - parece-me que este tipo de alunos e de não-soluções destes incidentes é que, indirecta e directamente, contribuem para o aumento desse mesmo abandono.
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