A detenção de 14 pessoas suspeitas de ligações à Al-Qaida esta quinta-feira em Bruxelas, deixou no ar a eventualidade de um atentado contra a cimeira europeia.
Segundo a polícia belga, um dos detidos planeava um ataque suicida contra um alvo desconhecido. “A informação revelou que o implicado tinha recebido autorização para executar uma operação. E que ele sabia que não iria voltar. Essa informação sublinhava também que ele tinha dito adeus aos seus próximos porque queria ir para o paraíso de consciência tranquila”, revelou um responsável policial.
Desde 2007 que a polícia investigava uma alegada célula da organização terrorista Al-Qaida em território belga. As autoridades foram obrigadas a intervir esta quinta-feira, para garantir a segurança dos dirigentes europeus.
Este último êxito dos serviços de informação e antiterrorista recorda-nos que o tipo de missão que têm diante de si é fundamentalmente diversa das operações anti espionagem de 1945 e do pós-guerra. O “desenho” destas células da Al-Qaeda impedem o tradicional trabalho de monitorização e não é certamente o poder intelectual que fará a diferença. Estamos no tempo de Kim, dos infiltrados, à boa maneira de Kipling, um trabalho inacreditavelmente perigoso porque os puritanos muçulmanos não cedem à tentação financeira facilmente, evitando qualquer prática de crime e mantendo as suas fontes de financiamento longe do escrutínio electrónico porque tradicionalmente os seus negócios são feitos através de acordos verbais, tornando difícil a sua monitorização ao contrário dos casos da ETA ou do IRA que recorriam e recorrem ao crime para se financiarem.
Os estados europeus, com a sua fluidez e permeabilidade nas fronteiras, são especialmente vulneráveis – embora o 11 de Setembro tenha provado que a rigidez das fronteiras está longe de garantir segurança – mas a legislação europeia mais permissiva, impedindo de repatriar imigrantes ilegais veio dificultar a acção sobre um conjunto cada vez maior de comunidades suspeitas.
Há um outro ponto, talvez o mais importante, que urge ser discutido. Pela primeira vez, de forma aparentemente inconsciente, uma organização terrorista adoptou um novo estilo de gestão que a torna virtualmente imprevisível. Voltaremos a essa questão mais tarde.
Outros Mares
Outras Ondas