Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
Do que se escreve sobre a gripe (II)

O caos que se instalou às portas dos Serviços de Urgência por esses hospitais fora. Não se resolverá esta semana, nem nas próximas. Resolver-se-á quando passar o surto e o tempinho quente chegar. Mas o problema voltará para o ano e sem solução à vista. É uma questão cultural, que não se resolve com «um plano de resposta para surtos de gripe». Estes servem para responder à pequena percentagem de casos que realmente precisam de uma consulta médica e destes àqueles que precisam de internamento hospitalar. 

 

Neste aspecto, a ideia da Ministra da Saúde em adiar cirurgia programada para se poder internar mais doentes com complicações de gripe parece-me acertada. Pelas razões expostas no post anterior, julgo que a vontade de alargar os horários dos Centros de Saúde não surtirá o efeito desejado; até porque está bem na memória dos Portugueses a última campanha promovida pelo anterior Ministro da tutela «Nunca vou a um SAP, nem nunca irei!».

 

Ainda em relação à mesma pergunta, os médicos que estiveram, estão ou estarão «de folga do Natal» não afectam em nada a assistência no Serviço de Urgência. Em todos os hospitais, o médico escalado para a equipa de urgência desse dia é substituído em caso de férias ou de doença. No caso, de haver tolerância de ponto não usufrui da mesma.



publicado por João Moreira Pinto
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Comentários:
De Luís Cardoso a 29 de Dezembro de 2008 às 16:06
Talvez o João, sendo cirurgião, seja a pessoa indicada para me explicar uma coisa que eu ainda não percebi: de que modo é que adiar cirurgias vai libertar meios para atender as pessoas que recorrem às urgências e aquelas que precisam de ficar internadas? Serão os cirurgiões, os anestesistas, os enfermeiros instrumentistas e circulantes quem, aliviados das cirurgias programadas, irá assistir nas urgências os doentes engripados ou no internamentos os doentes com infecções respiratórias secundárias? E estes serão internados nas camas dos serviços de cirurgia libertas pelas cirurgias adiadas?
Cumprimentos,


De João Moreira Pinto a 29 de Dezembro de 2008 às 19:03
A ideia será libertar camas no internamento, para que os doentes necessitados não fiquem eternamente nos corredores do Serviço de Urgência. Julgo que colocar cirurgiões ou anestesistas a assistir a doenças, ainda que simples, mas para as quais não estão vocacionados e para qual perderam parte do treino, tão importante na Medicina, seria errado. Julgo que gerindo bem as camas dos diferentes serviços, o cirurgiões poderão continuar a operar, seja em regime de ambulatório, seja em regime de uma pernoita.


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