Foi um ano interessante e bissexto. Pela primeira vez na história de uma democracia com mais de 200 anos foi eleito presidente um homem chamado Barack Obama. Foi um acontecimento extraordinário. Abraham, Franklin, Richard, William, dois George Bush, Harry, Ronald, mas nenhum Barack, nenhum Obama. Comparado com esta improbabilidade estatística, o que vale o facto de ele ser negro? Nada. Já tínhamos visto presidentes negros em séries. Barack Hussein Obama é que nem em ficção. Por exemplo, quando pensaram num presidente hispânico os argumentistas inventaram o senador Matt Santos. O bom senso afastou-os de nomes como Guevara, Castro, Chavez, Allende, Escobar, Xavier Azkargorta ou Emílio Butragueño. Apenas um argumentista estúpido se poderia lembrar de dar ao presidente o nome de Barack Hussein Obama. Esta é a vantagem da realidade sobre a ficção: não tem de ser verosímil.
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