Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
Da saúde e do seu impacto na economia (I)

Na última edição do Expresso vinha uma notícia curiosa: «Porque é que a China tem demasiado medo de gastar?», onde se apontava como um dos principais problemas do baixo consumo interno a preocupação da população com a sua própria saúde. Confesso que desconhecia o facto de o país comunista não ter um Sistema Nacional de Saúde, quanto mais um sistema nacional de saúde gratuíto.

 

Apesar do que está escrito na Constituição da República Portuguesa, nenhum sistema nacional de sáude será alguma vez gratuíto. Existe sempre uma factura a pagar pelos serviços e consumíveis. E essa factura é paga com o dinheiro dos contribuintes que contribuem, o contribuinte contribuinte. Geralmente, este contribuinte-duas-vezes paga também em dobro, pois, uma vez que não está isento das taxas moderadoras, vai pagar, pelo menos, parte do serviço que já tinha suportado na íntegra.

 

Não tenho dúvidas que o Estado deve «garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação». Da mesma forma, não tenho dúvidas que o modo como estamos a financiar o sistema nacional de saúde é errado, na medida em que saem mal servidos os Hospitais e a quem eles recorre. Num mercado em que os Hospitais públicos não concorrem entre si, onde público e privado não jogam com as mesmas regras, desvirtua-se um sistema de saúde que, por ser cada vez mais caro, consequência natural da evolução da Medicina, exige cada vez mais dinheiro e esforço pelo contribuinte contribuinte.

 

Na China, pelos vistos, as pessoas têm medo de ficar doentes por não ter dinheiro para pagar os custos com o tratamento. Estima-se que o dinheiro retido em casa do chineses à espera de um problema de saúde seja o equivalentea a «uma taxa de poupança 25% ou cerca de 16% do PIB». Certamente que, em Portugal, o dinheiro não fica em casa dos portugueses, e que 5,1 por cento do PIB (fatia correspondente aos gastos com a saúde no Orçamento de Estado para 2009) fazem falta ao nosso consumo interno.



publicado por João Moreira Pinto
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