Domingo, 4 de Janeiro de 2009
Bons tempos

Uma semana em Istambul, e, de regresso, uma pessoa depara-se com uma coisa destas. O Paulo de partida – espero que não para o fim do mundo, de bloco na mão, como acontece aos jornalistas da TSF -, um coro de choros de despedida, mais rodopiante que o mais rodopiante dos derviches, a altiva hombridade do Henrique, e o blogue a entrar tranquilamente pela não-existência dentro. Não é que o final de 2008 – em que descobri que aos olhos de uma cidadã ateniense eu próprio era nem mais nem menos do que o primeiro-ministro de Israel - não me tivesse já preparado para sinistros pensamentos de lancinantes rupturas. Três dias consecutivos, dois passos atrás da imperiosa compradora, a carregar tapetes, especiarias e faianças pelo labirinto do Grande Bazar, com o ocasional chá de maçã no intervalo das compras e a milésima resposta a um inquérito sobre a minha nacionalidade (um passatempo favorito dos locais), iam sendo destruídos por um jantar em que, a partir de certa altura, o único diálogo, se é que a palavra convém, se reduzia ao dedilhar das teclas do telemóvel pela representante da civilização helénica, que enviava furiosamente mensagens a personagens por mim ignoradas. Nestas situações (é um conselho que dou, e garanto que sei do que falo) convém exorbitar de delicadeza: juro que funciona. Passado o último espasmo da raiva adversa (um comentário subtil sobre o facto de umas tímidas gargalhadas matinais com o Hot Water de Wodehouse incomodarem mais o sono do que o canto do muezzin da Mesquita Azul – em plena forma, de resto, naquela manhã nevosa), tudo voltou à perfeição, e o mundo reconstruiu-se propiciatório para 2009. Muito propiciatório, mesmo. Com o blogue, desgraçadamente, não é a mesma coisa: acaba a sério. Como é tarde demais para me lançar ao Bósforo, só me resta agradecer ao Paulo, e aos outros, os tempos do blogue. Foram bons tempos. Quanto ao jantar, a meio caminho entre Lisboa e Porto, cem por cento de acordo. Como diria o inventivo Packy (ver livro acima): Cigarettes? Wine? Why, this looks great. It’s the old Omar Khayyam stuff.



publicado por Paulo Tunhas
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Comentários:
De Paulo Pinto Mascarenhas a 4 de Janeiro de 2009 às 14:41
Qual livro acima? E onde é que combinamos o jantar final? Abraços


De Paulo Tunhas a 4 de Janeiro de 2009 às 16:38
O Hot Water do Wodehouse. É óptimo.


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