Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
As tiranias antigas matam o corpo, as novas matam a alma
Um jornalista afegão foi condenado à morte pela acusação de blasfémia, porque publicou um artigo (retirado de um blogue iraniano) que afirmava que Maomé ignorava os direitos das mulheres, reinterpretando assim as palavras do profeta. O julgamento foi realizado sem advogado de defesa, porque ninguém teve coragem em representá-lo.

É assim nos regimes homogeneizantes, o original fica sempre sozinho. No Oriente ou no Ocidente. Não há choque civilizacional.

publicado por Alexandre Homem Cristo
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Comentários:
Há que ver que a grande parte dos cientistas revolucionários da história da Humanidade só foi reconhecido valor após a sua morte.

Neste episódio, a única diferença é que os meios de comunicação social difundiram o caso e escandalizou muita gente. Caso estes não existissem, no local teria sido simplesmente um indivíduo que agiu mal e, por essa razão, foi justamente punido. Longe do local ninguém saberia da história.

Estes problemas existem e existirão sempre, mesmo quando se pensa que não! A maioria dos afegãos pensam que nem há problema...


De Luís Lavoura a 24 de Janeiro de 2008 às 15:35
"…por acaso bastante difusas"

Sob este ponto de vista, o judaismo e o islamismo permaneceram idênticos àquilo que o cristianismo era antes do imperador Constantino o ter unificado e posto um papa a dar as ordens. Até ao século 3º o cristianismo era um punhado de grupos, espalhados por diversas cidades, cada um com o seu líder ("bispo"), e todos os bispos andavam à batatada uns contra os outros sobre qual a interpretação da doutrina. Foi Constantino quem impôs que aquela barafunda acabasse, convocando o concílio de Niceia, no qual se estabaleceu uma doutrina oficial e uma Igreja centralizada - e aos muitos bispos que discordavam dessa doutrina oficial foi imediatamente limpo o sebo sob as ordens do magnífico imperador.

O judaismo e o islamismo (felizmente) não passaram por tal fase.


De Maria Marques a 24 de Janeiro de 2008 às 15:49
O Luís Lavoura aprendeu todas estas coisas com o Dan Brown, foi?

E já agora, para não ir ao detalhe de diferenciar bispo de líder de um qualquer grupo de cristãos, digo-lhe só que o Concílio de Niceia e Constantino são do sec. IV.


De Luís Lavoura a 24 de Janeiro de 2008 às 12:01
Oh Alexandre! Então isso diz-se? Olhe que o Afeganistão é um país amigo!


De CN a 24 de Janeiro de 2008 às 12:03
Eu acho que o direito ao aborto no meio da Selva da Amazónia também não está assegurado. Acho que deviam montar lá a tenda de ar condicionados, zonas protegidas e tribunais.


De Anónimo a 24 de Janeiro de 2008 às 12:44
Então a está a preocupar-se com essas bagatelas* quando um colega seu de blog e revista chama a atenção com tanta veemência (e brilhantismo) para o fanatismo cristão?
Ainda acaba a escrever num boletim de paróquia!

* Pode insultar o Papa Bento XVI ou até Cristo, mas em nome do multiculturalismo deve abster-se da mínima ofensa a Maomé ou aos preceitos religiosos muçulmanos e ter em conta que um dos traços fundamentais dessa religião e cultura é o respeito pelas autoridades religiosas e - como não contou com o, salvo seja, dito "Santo" Agostinho - a literalidade dos textos sagrados, originando qualquer leviandade interpretativa a devida repressão física, aliás desejada e aceite pelos castigados como muito merecida.

Uff... Esqueci-me de alguma coisa?


De CN a 24 de Janeiro de 2008 às 13:17
"respeito pelas autoridades religiosas "

...por acaso bastante difusas. Análogo ao judaismo, qualquer grupo de 5 crentes pode fundar uma mesquita (creio).


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