Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
From Russia with Love?
Depois do afastamento do candidato liberal das eleições presidenciais russas, supostamente por ter entregue uma lista de assinaturas de apoio à sua candidatura das quais 13% eram falsas (o máximo de assinaturas falsas é de 5% - e sim é mesmo verdade, há um limite máximo de assinaturas falsas), Medvedev, o futuro presidente designado por Putin, recusou-se a participar em debates públicos e televisivos com os restantes candidatos. Verdade seja dita, a campanha eleitoral seria uma mera formalidade.

Cada vez mais me parece urgente a UE e os EUA repensarem o seu relacionamento com a Rússia. Quem ainda julgou, após a queda da URSS, que a Rússia pudesse fazer a sua transição democrática, deve render-se às evidências: a Rússia continua a pensar “em grande”, e com tiques de autoritarismo na sua área regional, sempre em oposição aos interesses ocidentais. E a aparente saída de Putin não vai alterar isso. Após a perda da Ucrânia, o novo desafio será o Kosovo, sabendo-se que a Sérvia já se está a encostar aos russos (Gazprom e a vantagem de Nikolic nas presidenciais sérvias). Assim sendo, e se o pior dos cenários se confirmar na Sérvia, resta saber até que ponto a UE quererá/ conseguirá evitar a colisão.

publicado por Alexandre Homem Cristo
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Comentários:
De Euroliberal a 29 de Janeiro de 2008 às 16:37
Putin está prestes a instalar bases no Irão (com mísseis ?). Houve recentemente uma declaração muito ambígua das autoridades russas garantindo reservarem-se o direito de desencadear um ataque nuclear em caso de ameaça séria aos interesses russos ou dos seus aliados... No actual contexto, não estou a ver que outro aliado possa estar em causa senão o Irão... A China (aliada da Russia no Acordo de Xangai) está a pensar o mesmo, mais concretamente fala-se numa base naval numa das ilhas do Golfo. Se isso se concretizar, a entidade nazi-sionista perderá as últimas ilusões, quanto à viabilidade de um ataque ao Irão...


De Pedro Sousa a 29 de Janeiro de 2008 às 09:34
O ressurgimento da Rússia como potência regional e global é positivo para o mundo. Os russos sabem que boas relações com a Europa e EUA só lhes trazem coisas boas. Mas para se manterem como potência global tem que mostrar uma posição de força em relação aos supracitados. Basicamente o que eles querem é respeitinho. E acho bem. As relações entre superpotências nunca poderão ser calmas. A tensão faz parte do jogo de forças. Além de que uma Rússia forte contribui para um mundo multipolar, se bem que isso seja do desagrado de alguns. A UE só tem é que jogar o jogo e esperar que tudo se equilibre. Concordar com a treta do escudo anti-míssil americano não é a melhor forma de mostrar respeito (se bem que a Rep. Checa tenha os seus traumas perfeitamente justificados). De relembrar que as últimas vezes que o Ocidente interveio a sério na política interna russa provocou a ascensão do comunismo, a queda do comunismo (foram precisas algumas décadas) e o afundar da economia russa nas mãos do pro-west Ieltsin, o ébrio. O saldo não é positivo.


De CN a 29 de Janeiro de 2008 às 09:47
"tiques de autoritarismo na sua área regional, sempre em oposição aos interesses ocidentais"

Há quem os tenha a milhares de km do seu território nacional. Quanto ao Ocidental, quem os manda ir para o jardim da Rùssia, a maior parte, nações que nunca na história tinham sequer sido independentes? Imagino Putin agora a colocar bases no Mèxico e coisa e tal.

Pedro Sousa: muito bom comentário.


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