Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
“Previsto” por quem? E porquê?
Ao ler o artigo assinado hoje por Fernanda Câncio no "Diário de Notícias", verifico com a satisfação possível num drama como este que o número de abortos realizados até agora está "muito abaixo do previsto". Mas "previsto" por quem? E porque razão?
Cito: "Estou convicto de que não vamos ultrapassar os dez mil abortos por ano. Se assim for, teremos uma taxa de 10% em função do número de nascimentos, o que tornaria Portugal um caso excepcional, com uma das mais baixas taxas de aborto no mundo, em termos de países que legalizaram a interrupção da gravidez por vontade da mulher." Para Jorge Branco, o coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, estes cinco meses de vigência da lei serão suficientes para avançar com uma extrapolação. "Pelos dados que temos, a situação está mais ou menos estabilizada. E como português e como médico só posso ficar muito feliz por termos uma taxa de aborto inferior à da generalidade dos países da Europa."

Ainda segundo o texto assinado por Fernanda Câncio, jornalista que legitimamente foi partidária empenhada do "Sim" no último referendo, depois da legalização - ou da despenalização - Portugal está "ao nível de um país como a Irlanda, em que o aborto é rigorosamente proibido (a lei é mais severa que a anterior lei portuguesa) mas onde as mulheres têm a possibilidade de ir ao Reino Unido interromper a gravidez."

O que é singular no referido artigo é que, em momento algum, se faz o devido confronto com a Associação para o Planeamento da Família (APF) ou se recorda de forma taxativa os números de supostos abortos em Portugal que, de acordo com a generalidade dos defensores do "Sim", incluindo Fernanda Câncio e a APF, tinham lugar antes da aprovação da actual lei em referendo.

Ora esses dados indicavam que "todos os anos se realizavam mais de 20 mil abortos" - cheguei a ler "entre 23 mil e 40 mil". Parecia-me relevante confrontar a APF - e não só - com os estudos e os números que apresentou ainda no ano passado - por exemplo neste estudo sobre “A Situação do Aborto em Portugal: Práticas, Contextos e Problemas”. Parecia-me interessante que os defensores mais empenhados do "Sim" reconhecessem e pedissem desculpas pelo erro grosseiro que serviu como um dos principais argumentos de campanha no referendo. É que as percentagens que indicaram aos eleitores simplesmente duplicam o número de abortos que realmente se praticam "todos os anos": 20% era o indicado pela APF, 10% os que são, de facto, realizados. Em que ficamos?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Comentários:
De Luís Lavoura a 28 de Novembro de 2007 às 17:04
A previsão de 20.000 abortos por ano não tem nada de misterioso, e o próprio texto do post a explica. Essa previsão baseava-se na taxa de aborto usual, em relação ao número de nascimentos, noutros países da Europa. Ou seja, tipicamente, nos países da Europa, há 2 aborto por cada 10 nascimentos. Como em Portugal há 100.000 nascimentos por ano, isso daria 20.000 abortos. Ora, o que o post nos diz é que Portugal está muito abaixo da taxa usual na Europa, uma vez que tem apenas 1 aborto por cada 10 nascimentos.

Uma das vantagens da liberalização do aborto é, precisamente, que ficamos a conhecer bem a dimensão dele. Antes da liberalização só podíamos fazer estimativas com base no modelo de outros países da Europa. Agora, já não precisamos de estimativas, temos números reais.


De PPM a 28 de Novembro de 2007 às 17:07
Lavoura, deixe lá de lado as qualificações pessoais, em que começa a ser useiro e vezeiro (muito infelizmente), se fizer o favor, até porque quem está a ser incorrecto - e muito - é você. Eu não entrei nesses grupos animados do "Sim" e do "Não", nem fiz campanha por qualquer dos lados, mas o número de abortos clandestinos, flagelo dos flagelos, vergonha das vergonhas, foi bandeira permanente do "Sim". O "Não" foi buscá-lo para esse fim que indica, mas foi aos números apresentados repetidamente pelos movimentos do "Sim". Use o Google e verifique o que diz antes de vir para aqui insultar-me.

"Jaime", eu li a notícia e não vi ali qualquer esclarecimento ou explicação objectiva de quem apresentou os números absurdos que apresentou durante a campanha. Apenas desculpas esfarrapadas.


De Luís Lavoura a 28 de Novembro de 2007 às 16:58
Não foram só os defensores do SIM que utilizaram e propalaram esse número de 20.000 abortos po ano. Os defensoes do NÃO também o utilizaram, por exemplo quando fizeram uma conferência de imprensa apresentando cálculos de quanto é que a liberalização do aborto iria custar ao Serviço Nacional de Sáude.

Ou seja, como já é costume (infelizmente), o Paulo Pinto Mascarenhas é incorreto para puxar a brasa à sua sardinha. Toda a gente utilizava o número de 20.000 abortos por ano. Não apenas os defensores do SIM.


De Luís Lavoura a 28 de Novembro de 2007 às 16:59
"com a satisfação possível num drama como este"

Qual drama?

O aborto, desde que feito em condições de segurança médica e de higiene, não é drama nenhum. É um tratamento médico como outro qualquer.


De Jaime a 28 de Novembro de 2007 às 16:29
Ficamos nos 10%.
A resposta à pergunta "Previsto por quem? Porquê?" é fácil de encontrar na notícia.
Basta ler a notícia.


De lucklucky a 29 de Novembro de 2007 às 15:43
"Esta é uma questão resolvida, espero que não venham com mais referendos ao referendo do aborto."

Esta questão nunca estará resolvida enquanto se matar só porque é conveniente.


De Queridos amigos, desculpem o enjoo « Farmácia Central a 29 de Novembro de 2007 às 17:46
[...] Novembro 29, 2007 Queridos amigos, desculpem o enjoo Posted by Carmex under Antiparasitários   A Fernanda Câncio respondeu ao oportuno e certíssimo PPM. [...]


[...] quem é que se lembra? Novembro 29, 2007 | por Fernanda Câncio a propósito desta indignação aqui (e de outras gémeas, isto propaga-se como um incêndio num campo de células cinzentas [...]


De José Carmo a 29 de Novembro de 2007 às 16:43
Ediorial de hoje, do ABC
http://www.abc.es/20071129/opinion-editorial/contra-aborto_200711290259.html


EL desmantelamiento de una red de clínicas de Barcelona en las que se practicaban abortos ilegales ha puesto al descubierto toda una industria homicida que debería avergonzar a una sociedad desarrollada. La dimensión del problema va más allá de lo puramente legal, aunque ha sido gracias a una denuncia y a la actuación de la Fiscalía y del juzgado instructor por lo que se han podido frenar unos horrores más propios de un campo nazi de exterminio. Los detenidos están imputados de realizar abortos sin amparo de ninguno de los supuestos justificados legalmente tras la reforma del Código Penal en 1985. Los responsables de estas clínicas habrían llegado a matar con técnicas homicidas espeluznantes -como la decapitación- fetos de más de 32 semanas, cuyos restos eran luego triturados y vertidos por desagües para borrar todo rastro. Ciertamente, estos actos delictivos presentan una vertiente legal y demuestran hasta qué punto la ley de 1985 se hizo con suficiente ambigüedad -no reparada por la sentencia del Tribunal Constitucional- para, de hecho, implantar en España un aborto libre, que sería absolutamente contrario al artículo 15 de la Constitución.
Pero, aparte del debate sobre la insuficiencia de la ley y la inexistencia de controles administrativos sobre estas clínicas abortistas, hay una cuestión de fondo que la hipocresía de la sociedad actual mantiene en silencio cómplice: el aborto es la muerte dolosa de un ser humano con métodos cruentos. No hay razón científica ni legal para negarle al feto la condición humana y, por tanto, para negar a su vida el mismo nivel de respeto y protección que a un nacido. La cirugía prenatal y la pediatría neonatal están demostrando la viabilidad de fetos de pocos meses, lo que anula gran parte de las excusas médicas para matarlos y ratifica algo tan obvio como que el embarazo no es más que la primera fase del desarrollo humano y no justifica la confiscación de su vida por un supuesto derecho de la madre a su propio cuerpo. Al suyo, es posible; pero no al de su hijo. Por otro lado, el daño «psíquico» que puede causar el embarazo no es más que una coartada que sirve para revestir de legalidad la mera voluntad de la mujer para abortar sin causa.
En España se practican al año casi 100.000 abortos. ....


De Carlos Conceição a 29 de Novembro de 2007 às 16:45
É como diz o Paulo: os factos estão à vista, e falam por si!!!


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