Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
Chamem a polícia?

Não é novidade que os portugueses desconfiam das autoridades. Não é surpreendente que a maioria dos inquiridos num estudo conduzido pela Deco (Associação para a Defesa do Consumidor) tenha dado nota 3, numa escala de 1 a 10, às polícias nacionais. Judiciária, PSP e GNR receberam a pior classificação entre os países avaliados - Espanha, Bélgica e Itália foram alvo deste inquérito produzido em parceria com associações congéneres. Pouca gente apresenta queixa às polícias em Portugal, simplesmente porque não se acredita em resultados práticos. Não chegam a ser novidade nem podem surpreender estas conclusões, mesmo que os níveis de criminalidade pouco tenham crescido. O sentimento de insegurança existe, como decorre também da análise da Deco.
O que tem surpreendido e deve ser considerado novidade é assistirmos nos últimos tempos a um coro de críticas ferozes às polícias por altos funcionários do Estado. O que surpreende é ouvir o Inspector-Geral da Administração Interna, Clemente Lima, há dois anos responsável directo pela inspecção de esquadras e postos da GNR e da PSP, dizer em público num jornal que "há por aí muita cowboyada de filmes americanos na mentalidade de alguns polícias". O que ainda deveria ser notícia é o desinvestimento progressivo por parte do Estado nas forças de segurança. Mal pagos e pior equipados, alheios a choques tecnológicos, os polícias são um retrato do país em que vivemos. São portugueses típicos. Será que não teremos afinal as polícias que merecemos?
[Publicado hoje no diário Meia Hora]