Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
A ler
Um em cada três licenciados ingleses tem um emprego que não requer licenciatura. A sobre-qualificação em determinados desempregos resulta de uma insuficiente procura (ou um excesso de oferta) para essas qualificações. Num estudo da LSE, referido pelo “Financial Times”, critica-se a forma como os governos ingleses têm insistido, desde 1992, na ideia de que mais trabalhadores qualificados são sempre uma coisa boa, quando não essencial à “competição com outros países”. Em Portugal vivemos uma situação de contornos idênticos.

Dois efeitos previsíveis deste tipo de discurso político são a frustração de muitos licenciados, que acabam por ter um retorno do investimento feito inferior ao esperado; e a afectação de outros recursos económicos de forma ineficiente – porque demasiado enviesada e alheia à realidade do país. Aquilo que os ingleses já perceberam é que, por muito “avançado” e “tecnológico” que um país se torne, existirão sempre empregos que exigem baixas ou médias qualificações (aliás, tão dignos quanto os outros, mas talvez os cérebros que desenharam a campanha publicitária das “novas oportunidades” discordem). A cegueira nacional faz-nos temer o pior.


Tiago Mendes, no "Diário Económico" de hoje.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Comentários:
De Rui Carlos Gonçalves a 1 de Dezembro de 2007 às 00:07
A nossa vida não se resume a um emprego! Não é pelo facto de não termos um emprego que justifique as nossas qualificações, que o investimento que fizemos na nossa formação deixa de valer a pena.


De Pedro Sá a 29 de Novembro de 2007 às 09:46
É sempre melhor que alguém seja licenciado, até pela ambição maior que terá e pelas maiores perspectivas que tem.

Ah pois é, a direita sempre se esteve borrifando para a qualificação do povo, historicamente até a acham negativa...


De Luís Lavoura a 29 de Novembro de 2007 às 09:48
Não concordo com o Tiago Mendes. Penso que o Tiago deveria imergir um pouco na cultura alemã, que é totalmente diversa da inglesa neste ponto.

A licenciatura não é apenas a preparação específica para um emprego. É também um desenvolvimento intelectual, cultural e humano. Ela beneficia o licenciado, seja qual fôr a profissão que este vá desempenhar.

Por exemplo, na Alemanha nenhum licenciado em engenharia química pode aspirar a encontrar emprego na poderosa indústria química alemã. Porque a indústria química alemã só dá emprego a DOUTORADOS. Podem ser doutorados numa área diferente da engenharia química, mas têm que ser doutorados. Porque a indśtria química alemã considera o doutoramento como uma formação intelectual imprescindível.

É por essas e por outras que a indústria alemã dá cartas no mundo, enquanto que a inglesa...


De Pitágoras a 28 de Novembro de 2007 às 22:11
"Aquilo que os ingleses já perceberam é que, por muito “avançado” e “tecnológico” que um país se torne[...]"

Mas nós ainda estamos muito longe de um país avançado e tecnológico. Além disso, é preciso saber quem são esses licenciados. Das áreas tecnológicas? Duvido. Pelo que tenho visto em sites de oferta de emprego, o RU está a necessitar de engenheiros desesperadamente. Tal como a Noruega, que também tem excesso de licenciados noutras áreas.


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