De anónimo a 29 de Novembro de 2007 às 16:30
Eu, que sou moderado, e acho que a ASAE às vezes se passa, acho também uma certa piada a estes artistas que andam há anos a lamentar a choldra, a xunguice nacional comparada com a civilização (eixo Genebra-Oxford-Madisson County). Gostava era de ver o António Barreto e pandilha, quando saem do Gambrinus, o que é que dizem da imundice ali ao lado --- é que se cola aos pés. Depois, devem estar convencidos que o asseio, a limpeza, a ordem da paisagem, e da vida social em geral, de Genebra, Oxford ou Madisson County são obra da mão de Deus. Sure.
De Luís Lavoura a 29 de Novembro de 2007 às 17:15
CMF, eu também utilizo colheres de pau na minha cozinha. E também transporto alimentos no porta-bagagens não refrigerado do meu automóvel. E também bebo de copos de vidro no jardim da minha casa.
Mas uma coisa são as minhas propriedades, os meus alimentos, o lixo no meu jardim. Outra coisa, muito diferente, é cozinhar para o público, transportar alimentos que vão ser servidos ao público, fazer lixo num local público.
De Luís Lavoura a 29 de Novembro de 2007 às 17:18
Não posso deixar de achar uma certa graça ao ver o sr. António Barreto a armar-se em liberal e a defender as antigas liberdades, quando esse mesmo senhor defende, em relação às vinhas do Alto Douro, que os agricultores devem ser proibidos pelo Estado de plantar as castas que bem entendam e de fazer o vinho da forma que bem lhes apeteça. Para o senhor António Barreto, o vinho do Douro tem que ser codificado e protegido e garantido pelo Estado; já nas tascas da esquina, o Estado não deve meter o bedelho.
De
CMF a 29 de Novembro de 2007 às 16:57
"...moderno, racional, inteligente, organizado e social."
Quem é que define o que é moderno, racional, inteligente, organizado e social? Pois...
De Luís Lavoura a 29 de Novembro de 2007 às 17:08
CMF, a proibição de louça na esplanada é compreensível. A louça pode ser atirada ou deixada cair ao chão e ficam os cacos no chão, que depois são muito difíceis de limpar. Penso ser essa a lógica. A título de exemplo, veja os cortejos da Queima das Fitas em Coimbra: depois do cortejo, fica o trajeto todo coberto de cacos de garrafas de cerveja. Por isso mesmo, a UE proíbe que se traga para a rua copos, garrafas, louças ou outro material quebrável.
Se você já alguma vez deixou cair em casa um prato de louça ou um copo de vidro, e se depois teve que andar com todo o cuidado, de cu para o ar, a apanhar todos os pequeníssimos fragmentos de vidro ou louça, sabe do que é que estou a falar.
Se queremos ter limpeza nas nossas cidades, pois temos que aceitar algumas restrições, não é?
De Luís Lavoura a 29 de Novembro de 2007 às 17:12
"Quem é que define o que é moderno, racional, inteligente, organizado e social?"
É simples. Você vai à Suíça e olha à sua volta. No chão não vê uma beata, um pedacinho de papel, só as folhas caídas das árvores. E você diz: a Suíça é moderna, racional, inteligente, organizada, social, em suma, civilizada. E depois queixa-se de Portugal não o ser.
E não quererá você que Portugal passe a sê-lo?
De anónimo a 29 de Novembro de 2007 às 16:39
Se quiserem uns cromos para a troca, tenho aqui: a) uma foto de um cartazinho afixado numa casa de banho da secção administrativa de uma universidade, adivinhem de onde, do Wisconsin, que diz mais ou menos isto: os senhores funcionários têm que lavar e secar as mãos, ter as unhas limpas, devidamente aparadas, etc. Multa ou olho da rua.
b) uma foto de outro cartazinho, num quarto da universidade de Machester, afixado atrás da porta que diz mais ou menos isto: é proibido mexer, alterar, ajustar, hackar, etc., o... (aquela dobradiça de metal que serve para fechar automaticamente as portas; e que eu pessoalmente nunca me teria lembrado de hackar até ver o cartaz). Multa, tal tal.
c) os rótulos de embalagens de alperces e de bananas comprados no Safeways -- uma espécie de Pingo Doce inglês. Dos alperces avisam: "Não ingerir o caroço". Das bananas, já devem adivinhar, "tem que se tirar a casca".
Também sou capaz de ter uma variedade de ementas de restaurantes -- avisam todas que o prato tem, não tem, ou pode ter quantidades importantes ou negligenciáveis de: nozes, amendoins, produtos lácteos, glúten. Etc.
É extraordinário, a vários títulos. Tudo se confunde e se desmantela, em nome dos superiores valores do conservadorismo e por uso da mais bafienta demagogia.
Mas dá um certo gozo ver o Ant.º Barreto prestar-se a ser um ícone intelectual da Direita, assim como esclarece ver a Direita socorrer-se de quem, mais à frente ou mais atrás, não merecerá mais do que epítetos depreciativos...
Acima de tudo é revelador da Direita mental que temos esta fobia de tudo o que é moderno, racional, inteligente, organizado e social.
Já agora, como é que o Mundo sobreviveu a tantos milhões de anos sem anti-bióticos, sem vacinas, sem desinfectantes, sem redes de esgotos, sem... roupa interior, deve ser um mistério para estas cabecinhas-de-avózinha...
De
CMF a 29 de Novembro de 2007 às 16:12
Luís Lavoura, a minha confusão é natural. Pelo que o António Barreto diz no artigo, a partir de Janeiro as "louças" das esplanadas serão substítuidas por peças de plástico. (E eu, cozinheiro amador, não gosto muito de colheres de plástico na cozinha, não dá jeito nenhum; prefiro a velha e proscrita colher-de-pau.)
De hipocrisias a 29 de Novembro de 2007 às 15:32
Com os milhões de pessoas que passam fome no planeta isto tudo parece-me é uma enorme blasfémia ; e plástico para aqui e para acolá , descartáveis para aqui e para acolá...afinal , o ambiente é ou não uma preocupação?
E esta história de ser agora o Estado quem dita os valores sociais dá-me vontade de chorar , sobretudo por detrás deles não estar mais nada que dinheiro.
A par com as organizações de defesa dos direitos de minorias , como os gays e etc , vamos ter de fundar uma , os que queremos continuar a comer como comiam os nossos avós , ainda que isso signifique uns tostões e empregos a menos na área da congelação e preparação industrial e na indústria dos plásticos e embalagens , entre outras.
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