Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
Opções

Se ontem a declaração de Cavaco Silva foi renegada a uma nota no fim da primeira página pelo DN, hoje temos foguetório com a reacção do PS, muito agastado com os excessos de linguagem do Aníbal e fazendo ameaças de valentão das dúzias.

O DN, hoje, achou por bem destacar a reacção do PS. Porquê? Não sei.

O que sei é que o PS e o PSD escolheram nesta questão sacrificar o equilíbrio institucional e a Constituição a interesses partidários regionais, sei que o Presidente promulgou uma lei que é um absurdo e constitui um precedente grave porque sabe bem que 2009 será um ano muitíssimo difícil e que juntar à crise económica e social que se vai viver uma crise política não serve ninguém e muito menos os portugueses.

 

Uma nota final para o extraordinário Daniel Oliveira resolveu diminuir este episódio a uma espécie de prova dos nove da falta de dimensão de Cavaco Silva, escreve o Daniel que "Para Cavaco, é o peso simbólico do seu estatuto o centro de todas as preocupações. Cavaco tem, então, a dimensão de Cavaco. Nem mais um centímetro."

 

Daniel é na melhor das hipóteses, um distraído. O que não é grave a não ser pelo facto de emitir opiniões sem ter lido a intervenção do PR. Pode ser que ele não precise de recorrer a esses pormenores, ler ou ouvir com atenção, é uma vantagem que ele tem sobre mim. Já o comum mortal que leia a declaração, mesmo sem grande atenção, notará alguns pontos curiosos e que desmentem a existência de um Cavaco à sua dimensão e muito pelo contrário colocam Cavaco a um nível muito acima do que a política portuguesa nos tem habituado.

 



publicado por Afonso Azevedo Neves
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
Grandes resultados para 2009

 

 

Como poderão conferir, carregando nas imagens se quiserem, a única coisa com que poderão contar deste governo é um agravamento da pressão fiscal para garantir o nível do défice.

 
Imagens gentilmente cedidas por Miguel Frasquilho



Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
O efeito de Paulson

A decisão de rejeitar o Plano Paulson parece ter dado razões para um aumento do pessimismo nos financeiros nacionais, com repetidos alertas para as graves consequências desta decisão na economia mundial.

James Surowiecki, apresentou num livro de nome “The wisdom of the crowds” uma ideia bastante interessante sobre a possibilidade de, em certas condições, o conjunto de conhecimentos detidos por uma multidão levar a melhores decisões que a do mais esclarecido dos indivíduos nessa multidão. Algo bem diverso da conhecida e real loucura das multidões que leva inevitavelmente a decisões erradas e não raras vezes catastróficas.

 

A relevância dos estudos feitos nesta área são especialmente importantes no que diz respeito aos processos de decisão colectivos em democracia. No entanto, ficou claro que os mesmos processos obedecem a critérios, um dos mais relevantes é a forma como um determinado problema é posto perante todos.

 

Surowiecki dá dois exemplos com resultados opostos, no primeiro uma sala de aula é confrontada pelo seguinte problema: terá de adivinhar quantos feijões existem num frasco transparente que se encontra à vista de todos,  a média dos resultados obtidos por cada estimativa individual aproximou-se espantosamente do número real de feijões.

 

Num outro exercício os alunos são convidados a observar um ribeiro e estimar o desenho do seu leito de forma a encontrar o melhor sitio para o atravessar sem terem de nadar, aqui a média dos resultados fornece uma estimativa optimista e errada enquanto que algumas estimativas individuais quase que acertam em cheio no desenho real do leito desse ribeiro. A decisão colectiva é aqui comprovadamente errada.

 

Onde é que a decisão de rejeitar as ideias de Paulson se enquadra, se no primeiro ou no segundo exemplo, é uma questão cuja resposta ditará o futuro da economia mundial nos próximos tempos.

 



publicado por Afonso Azevedo Neves
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