Segunda-feira, 31 de Março de 2008
Um das razões para fugir das pessoas iluminadas
Eu não sei se os nossos colegas europeus da UE têm dinheiro para dispensar com disparates - isso é lá com eles - mas não me deixo de surpreender como a ASAE e Governo consideram dinheiro bem empregue o que paga as fiscalizações da ASAE em que se estraga comida em boas condições para ser consumida. No outro dia, aquele em que a ASAE assombrou as pontes de entrada em Lisboa e Porto, o Inspector-Geral da ASAE (que evidentemente não rejeita o seu quinhão de mediatismo) e os jornalistas das televisões muito satisfeitos anunciavam que se tinham apreendido 445 toneladas de alimentos. Ninguém me esclareceu quanto, dessas 445 toneladas, eram de facto alimentos estragados. Parece que não é importante se a comida está em bom estado ou não; o que interessa é o rotulozinho, as palavrinhas certas todas escritas, os alvarás, as várias vias de cada documento. Também era o que faltava um organismo de fiscalização da segurança económica e alimentar ser obrigada a testar e a provar que os bens alimentares vendidos e transportados não estão em boas condições de consumo antes de multar, apreender, encerrar coercivamente; parece que o método infalível para  verificar a qualidade de um alimento é a quantidade de papelada que o acompanha ou não.

Isto a propósito do que João César das Neves escreve hoje do DN. E, se calhar, devemos começar a preparar-nos para o dia em que a ASAE visitar o Banco Alimentar Contra a Fome (que recebe donativos de produtos alimentares cuja validade passou recentemente, estando os produtos em bom estado mas com as qualidades organolépticas menos acentuadas) e confiscar parte da comida doada que lá têm.

publicado por Maria João Marques
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008
Façam o exercício completo, s.f.f.

Ouvi hoje o Primeiro-Ministro dizer que a baixa de IVA de um por cento é boa notícia para os mais pobres, porque os que têm dinheiro não sentem estas diferenças da mesma forma. O PM disse uma coisa óbvia e, por uma vez, acertada. A proporção dos rendimentos gasta em consumo é muito maior para quem tem baixos rendimentos do que para os mais endinheirados - toda a gente, pobre ou rica, tem de almoçar, vestir-se, pagar uma casa e atender a demais necessidades essenciais.

 

Pela mesma e correctíssima lógica (seria sinal de honestidade reconhecer) a subida do IVA em 2% em 2005 foi uma medida tanto mais penalizadora quanto mais pobres eram os consumidores. Será isto a que o Governo se refere quando apregoa ser o Governo com mais medidas de cariz social desde a criação do mundo?



publicado por Maria João Marques
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008
Obrigada, querido Ministro
Nesta ideia de obrigar os noivos a fornecerem, e com prazo, as facturas do que se pagou pelo casamento o pior não é a própria ideia (muito má), nem o facto de termos funcionários do Ministério das Finanças pagos com os nossos impostos que se dedicam a congeminar estas ideias absurdas, nem sequer a pretensão de obrigar os noivos (sob pena de multa) a fiscalizarem as contas das empresas que lhes fornecem serviços uma vez que o MF reconhece não ter capacidade para o fazer. Não. O pior é a mensagem que passa - e a passar esta mensagem o Governo Sócrates tem sido deveras competente, voltando a ela com frequência - de haver um grande problema nas contas públicas exclusivamente porque, claro está, há uns mauzões que não pagam impostos; de modo nenhum o nosso problema de finanças públicas é a voraz despesa do Estado, que teima em engordar mesmo nos anos de vacas magras. Aceitem isto: a culpa dos desequilíbrios orçamentais é dos contribuintes; nunca dos nossos espartanos governantes que apenas tentam ensinar-nos algum resquício de moralidade fiscal. Devíamos todos ter vergonha. E agradecer, penhorados, as lições.

publicado por Maria João Marques
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Terça-feira, 25 de Março de 2008
Não se esqueçam dos professores e do Ministério

Agora que está o país inteiro escandalizado com a indisciplina dos alunos de hoje, esses patifórios, é conveniente lembrar que não há inocentes perante a situação de indisciplina e falta de autoridade dos professores que se vive nas escolas públicas - faço a excepção para os casos de delinquência militante, que esses só acorrem nas escolas porque os delinquentes por acaso passam lá algum tempo e é lá que têm maior oportunidade de arranjar sarilhos; refiro-me apenas aos casos de indisciplina e violência que ocorrem com alunos que não fazem parte de gangues nem são, aparentemente, uns rufias. Alunos como aqueles que vimos no vídeo da agressão à professora do Carolina Michäelis, tanto a proprietária do telemóvel como os que assistiram a toda a cena rindo-se e só no fim (e dois ou três) tentaram separar a aluna da professora.

 

Eu garanto que não sofro do síndrome que desculpa qualquer crime pelas condições sócio-económicas do criminoso, a falta de abraços na infância ou as bebedeiras da mãe durante a gravidez; pelo contrário, acredito na responsabilidade individual. No entanto, os alunos não são os únicos culpados pela falta de autoridade dos professores; são apenas os primeiros e os mais imediatos.

 

Os professores tudo têm feito para perder a autoridade que um dia gozaram. Alguém se recorda de uma greve ou manifestação dos professores provocada pela indignação com programas, escolas mais ou menos devolutas, faltas de material para os alunos carenciados, cargas horárias de aulas desajustadas para os alunos, reformas irresponsáveis? Eu não. Só me lembro de protestos ocasionados por alterações no estatuto da carreira, obrigatoriedade de dar umas aulas de substituição, ordenados e, agora, a avaliação dos professores. Para defender estes seguramente importantes (para os professores) assuntos, os professores não se coíbem de fazer greve sempre que isso é mais gravoso, incluindo épocas de exames de 12º ano, aqueles que vão definir as notas com que os alunos serão avaliados na admissão às universidades. Um professor que brinca de forma tão indecorosa com um momento importante na vida de um aluno não merece um sopapo, é certo, mas também não merece respeito. E que autoridade tem? Nenhuma.

 

A culpa dos ministros e secretários de Estado que passaram pelo ME, cada um com a sua ideia original, utópica e, sobretudo, reformista (cada ME deve ter pelo menos uma reforma do ensino no curriculum) do que deve ser a escola pública – em primeiro lugar um local de acolhimento para todos, mesmo aqueles que não querem estudar e não se importam de impedir outros que gostavam de o fazer; um local igualitário (coisa muito importante), onde não haja grande incentivo à excelência, que a diferenciação amofina os maus alunos; um local onde se doutrinam as crianças e adolescentes para viverem nesta sociedade que se iniciou a 25 de Abril de 1974 – nem vale a pena referir. A Educação é o exemplo da necessidade de se retirar ao Estado as decisões sobre a vida das pessoas. Está demonstrado que políticos e burocratas não percebem nada da educação dos filhos dos outros; é urgente deixar as famílias decidirem onde estudam os filhos e permitir às escolas públicas a autonomia pedagógica que têm as escolas privadas. E, já agora, não tratem os professores como uma corja de preguiçosos, que os exemplos de cima tendem a ser seguidos em baixo.



publicado por Maria João Marques
editado por Atlântico às 18:23
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008
Pague a multa, sff
Mais do que uma intromissão na vida privada, esta ameaça aos recém-casados sobre as contas do casamento reflecte a incompetência da DGI. Como não consegue chegar às empresas (ou não quer), chega ao elo mais fraco desta cadeia: o consumidor. Primeiro, fazendo anúncios e cartazes gigantes a pedir "por favor" aos consumidores que pedissem factura no acto de pagamento. Porque faz parte do nosso dever, assegurarmo-nos de que as empresas que nos prestam serviços têm as contas em ordem. Como se não chegassem as nossas próprias. Era um favor que prestávamos às finanças. Agora, esse favor passou a ser uma obrigação. Com multa. Pague a multa, sff.

publicado por Ana Margarida Craveiro
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Terça-feira, 18 de Março de 2008
Desabafo
Estou no comboio. É raro, muito raro, viajar durante o dia. Isto leva-me a duas considerações: (1) temos um país lindíssimo, e os nossos campos fazem invejar muito irlandês; (2) temos um péssimo gosto para construir casas. A maioria das nossas aldeias é simplesmente pavorosa, feita de latas e cimentos improvisados. É como ver um homem lindíssimo, e descobrir-lhe um sinal feio, muito feio, num sítio de particular destaque. Possivelmente, com o tempo habituamo-nos, e já não o vemos (um caso especial de negação). Ou então, irrita-nos até ao divórcio.

publicado por Ana Margarida Craveiro
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008
Ainda sobre o Acordo Ortográfico, capa da última Atlântico


Na sequência da ratificação plena do novo Acordo Ortográfico, concluída na passada semana, em Conselho de Ministros, a Texto Editores lançou dois dicionários conforme este Novo Acordo e um pequeno guia que visa dar a conhecer as alterações ortográficas por ele introduzidas. As três edições contaram com a colaboração de João Malaca Casteleiro.


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O "pequeno guia" tem como título «Atual – O novo acordo ortográfico - O que vai mudar na grafia do português» é um guia acessível e de consulta rápida sobre as principais mudanças no acordo. Não pode ser, de facto - ou, de fato? - mais atual.



publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008
A pedido do Pedro Marques Lopes, um artista português


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Eleições espanholas

Os resultados das eleições espanholas não podiam ser piores: Zapatero ganha sem maioria absoluta e fica dependente de coligações ou acordos com forças políticas que ou não têm uma lógica nacional ou o vão forçar a governar ainda mais à esquerda.


Rajoy sobe o resultado do PP vendo a sua posição, pelo menos, não diminuída. A pior tendência PP sai, assim, reforçada.



publicado por Pedro Marques Lopes
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Um aluno universitário
Eis uma mensagem: 

.tudo bem professor?a aula toturial pode com certezas ficar na 3feira das 14h as 14:30h?desculpe o incomudo


Convém notar que se trata de um aluno de primeiro ano da universidade, o que desculpa alguma coisa. E "professor" está impecavelmente escrito.

 PS: é português, viveu sempre em Portugal, e não é diferente de muitos outros.

publicado por Paulo Tunhas
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A geração enganada
João Marques de Almeida, no Diário Económico:
Para conseguirem falar a esta geração, os partidos de centro-direita têm, antes de mais, que ser modernos, abertos e tolerantes. É o conservadorismo moral que afasta, instintivamente, esta geração da direita e a aproxima da esquerda. Por razões históricas, a direita em Portugal está associada a uma cultura que julga e condena antes de tentar compreender. Ora a geração “recibo verde” é tolerante, respeita a diversidade e vive de um modo pouco ortodoxo. Não é um crime, nem um erro, desejar escolher o modo como se quer viver. Não devemos olhar para as pessoas como culpadas por escolherem certos modos de vida com os quais não nos identificamos, mas sim como livres para o fazerem. Julgar e condenar os outros pelo seu modo de vida constitui uma arrogância inaceitável. Ora, em Portugal, a direita cai muitas vezes neste erro. O que não deixa de ser um pouco estranho, tendo em conta a tradição de tolerância nas famílias ideológicas do centro-direita. A consciência da fraqueza e da imperfeição da condição humana e da impossibilidade de a tornar “avançada” é um traço da maioria das correntes liberais e conservadoras. Vive e deixa viver deverá ser um dos princípios condutores da direita. Se assim for e o disserem claramente, a geração adiada começará a olhar de um modo diferente para os partidos de centro-direita. 


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A ler
Menezes e o PSD. Bruno Alves n' O Insurgente:

Num momento de rara lucidez, Luis Filipe Menezes afirmou que Portugal enfrenta “um vazio complicado”, em virtude de o PS “já não merecer ser Governo”, e o PSD “ainda não o merecer”. De facto, a descredibilização do Governo é notória, tal como é evidente a incapacidade de Menezes e de o PSD conseguirem captar a confiança do crescente número de descontentes com a acção governamental. A ausência de um pensamento coerente, que permita ao PSD reconhecer, perante os portugueses, os erros do passado, e apresentar-lhes uma alternativa, uma verdadeira alternativa, à receita socialista para o empobrecimento progressivo dos cidadãos, faz com que nem a ruína da ilusão propagandística de Sócrates se traduza num realinhamento das preferências eleitorais num sentido favorável aos laranjas. E se Menezes tem razão na análise que faz ao momento do país e do partido que lidera, isso quer também dizer que o próprio Menezes tem de ser afastado, pois ele é, pela má oposição que faz, um responsável pelo “complicado vazio” português.


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Entrevista a Cavaco Silva
Quando Aníbal Cavaco Silva celebra dois anos na Presidência da República, republicamos na íntegra a entrevista que concedeu à Revista Atlântico na edição de Dezembro de 2005, era então apenas um dos candidatos presidenciais. A entrevista foi conduzida por Helena Matos, Luciano Amaral, M. Fátima Bonifácio e Rui Ramos. O título actual é da nossa responsabilidade. 

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"Confio em que a História não se repetirá e que o Governo completará a legislatura" O senhor professor definiu as suas ambições como objectivos realizáveis pelos portugueses. A minha pergunta é: não receia que isso possa ser lido como sinónimo de promessas e consequentemente correr o risco de gerar frustração?
Cavaco Silva
– Eu tive o cuidado de dizer que as minhas ambições para Portugal, aquilo que quero para o meu país, não eram promessas, não eram políticas a executar. Eram sim orientações inspiradoras da minha acção, caso fosse eleito Presidente da República. Acho que a primeira coisa que se exige a um Presidente da República, ou a alguém que queira ser Presidente da República, é que tenha uma visão clara quanto ao futuro do país, para os próximos cinco, dez, até quinze anos – pode eventualmente ultrapassar, e normalmente ultrapassa, o período do seu mandato – que tenha essa visão do futuro e que seja claro, para que os portugueses saibam quais são as balizas da sua acção. E por isso eu tive um grande cuidado, espero que isso tenha sido entendido pela maioria das pessoas, de/em frisar que não estava em causa execução de políticas ou promessas de que eu pudesse garantir a concretização.









publicado por Atlântico
editado por Paulo Pinto Mascarenhas às 23:43
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Ela não telefonava para Hillary Clinton
3am Phone Ad Girl is Obama Supporter:



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Isto vai aquecer (II)
PSD: Marcelo Rebelo de Sousa considera "retrocesso" alterações aprovadas pelo Conselho Nacional

O comentador defende que o "melhor é não se pagar em dinheiro porque fica sempre a suspeita, a dúvida e a acusação feita por Rui Rio em termos de ilegalidade".

"Penso que é um retrocesso e que não é bom para a imagem do partido, que devia agora estar a alargar e não a reduzir. Não é bom para o pluralismo interno quando se usa o argumento que este enfraquece mais o partido perante o PS porque esse pluralismo fortalece em termos de dinâmica para o futuro", concluiu.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Domingo, 9 de Março de 2008
Promessas
Vamos ver nos próximos quatro anos como Zapatero cumpre a promessa de mais dois milhões de empregos em Espanha. Se forem como os 150 mil de Sócrates...

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A rua como destino
http://ww1.rtp.pt/noticias/images/articles/331781/marchaindignacao.jpg

Dizia-me aqui há uns tempos um presidente de uma junta de freguesia do PSD, daquela vez a propósito das propostas de novas leis eleitorais: "quando o poder procura reprimir as diferenças e os partidos da oposição não são capazes de representar as diversas correntes de opinião, políticas e sociais, estas acabam inevitavelmente por encontrar outras formas de se fazer exprimir, nem que seja nas ruas". Como demonstrou a manifestação de ontem, já encontraram.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Nuno Amaral Jerónimo nas XII Jornadas da Comunicação
O atlântico e professor da Universidade da Beira Interior, Nuno Amaral Jerónimo vai estar presente no debate de terça-feira sobre jornalismo light. A não perder, pelas 10h da manhã.

Programa das XII Jornadas da Comunicação:

10 de Março 2008, 2ª Feira
10h00 - Sessão de Abertura
15h00 -Workshop de Sonoplastia (ínicio)
17h30-Inauguração da Exposição: “DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE PUBLICIDADE”

11 de Março 2008, 3ª Feira
10h00 - Debate: Jornalismo “Light”: uma nova tendência?
15h00 - Debate: Imprensa gratuita: uma ameaça ao jornalismo convencional?
21h00 - Encontro: Rádios Comunitárias: uma realidade desconhecida em Portugal



12 de Março 2008, 4ª Feira
10h00 - Debate: Mensagens implícitas, na publicidade
15h00 - Debate: Relação assessor de imprensa e jornalista
21h00 - Encontro: Sillyseason: o Verão do jornalismo português

13 de Março 2008, 5ª Feira
10h00 - Tributo, área da comunicação: Programa “Imagens de Marca”, da SIC notícias
15h00 - Tributo, área de jornalismo: Joaquim Furtado
18h00 - Sessão de Encerramento

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Espanha demitida
 

José António Camacho apresentou a demissão de treinador do Benfica. Isto está tudo ligado.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Espanha dividida
Como 76% dos votos apurados:

PSOE - 168 lugares(+4)
PP - 154 (+6)

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Público e notório
No Sol desta semana, Vicente Jorge Silva retoma com mais ou menos argumentos a tese de Daniel Oliveira sobre o Público. Tipo velhos do Restelo, reclamam que dantes, quando era de esquerda - neo-socialista, entre a utopia e a irrealidade - é que era bom: que existe o Público sem pecado original dos primórdios da fundação e o Público destruído pela direcção de José Manuel Fernandes. Um Público - lá vem o chavão - que é agora neoconservador, coisa que eles não explicam muito bem o que é, para além do apoio de JMF à intervenção no Iraque - e pouco mais. Vicente Jorge Silva que me perdoe, mas uma vez mais é uma questão de mau perder. Olhe-se gráfica e editorialmente para o diário de 1990 que nunca saiu - ou para todos os que foram dirigidos por VJS - e para o Público de hoje, e qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe claramente que estamos perante um jornal muito melhor, mais pluralista - DO chama esquizofrenia ao pluralismo -, mas também muito mais profissional e completo.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Isto vai aquecer
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Rui Rio: alterações aos regulamentos do PSD "abrem porta à lavagem de dinheiro"

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Sábado, 8 de Março de 2008
Sobre a queda do governo sérvio
 

Esta situação era já previsível dado o clima de alguma tensão que antecedeu, quer a declaração de independência do Kosovo, quer o próprio andamento da campanha eleitoral para as presidenciais no princípio de Fevereiro porque os elementos da coligação divergiam de tal maneira que era impossível que a situação se mantivesse com alguma normalidade.

Leia e ouça o resto aqui e aqui.

publicado por Bernardo Pires de Lima
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Ainda Timor

Os atentados contra Ramos Horta e Xanana Gusmão em Timor Leste representam o falhanço daquilo que ficou conhecido pelas doutrinas Clinton e Blair, como intervencionismo humanitário. Esta tese, segundo a qual o uso da força é justificável pela "comunidade internacional" se determinados pressupostos humanitários não estiverem a ser respeitados num determinado território, passou entre outros pelo Kosovo, pela Serra Leoa, por Timor e agora prepara-se para ir para o Chade (até agora sem grande sucesso). De acordo ainda com esta doutrina, muito enraizada desde que a “democracia triunfou” em 1989-1991 e por aí adiante, a soberania acabava por ser um fim em si mesmo e não o início de um longo processo político, económico e sobretudo militar. Dizemos “sobretudo militar” porque sem umas Forças Armadas sob a tutela do poder político e com capacidades mínimas de eficácia – isto é, sem depender eternamente de forças internacionais – não há base de desenvolvimento democrático num determinado Estado. Timor Leste, uma ilha, não tem Marinha (cerca de 30 homens), vive da manutenção de forças internacionais e não criou condições para que a sua soberania fosse um motivo de responsabilidade de todos os seus cidadãos.


Por outro lado, o falhanço do intervencionismo humanitário enquanto a regra das relações internacionais pós-guerra fria, assenta ainda numa razão lógica: ao ser exigido um compromisso de longa duração à "comunidade internacional" que leva a cabo essas acções humanitárias, esquecemo-nos que elas são, na esmagadora maioria, sempre as mesmas e quase sempre democracias. Ora, este esforço político tem limites muito próprios, o que revela em última análise que esses compromissos nunca poderão ser assumidos por muito tempo. O problema é que construir um Estado não se faz do dia para a noite, nem sem acompanhamento internacional. Mais uma pescadinha de rabo na boca da política internacional.



publicado por Bernardo Pires de Lima
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Sem isso
Num dia em que o PSD está a ser alvo de uma chapelada sem nome, em que um partido fundamental para a democracia portuguesa fica refém do caciquismo, em que todos os ex-secretários gerais do partido se revoltam contra esta situação, os jornais portugueses pouca importância dão ao caso. A excepção é o DN que pela mão do jornalista Francisco Almeida Leite faz uma análise relevante e independente da situação. É tempo dos jornalistas perceberem a importância dos regulamentos internos dos partidos políticos fundamentalmente no que diz respeito aos processos eleitorais internos. A saúde da nossa democracia depende em larga medida destes aspectos. De nada serve termos eleições livres e independentes e legislação eleitoral justa se tivermos processos de escolha de candidatos obscuros e não democráticos.  

publicado por Pedro Marques Lopes
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Pesadelo em 2009
Convenhamos que neste momento José Sócrates ainda é o mal menor. As coisas podem sempre piorar. Vejamos alguns dos cenários alternativos:

a) As manifestações de professores tornavam-se insustentáveis politicamente para José Sócrates no PS, que se via obrigado a demitir a ministra da Educação. Apesar de colocar no seu lugar um(a) ministro(a) escolhido(a) por Manuel Alegre, não conseguia estancar a contestação e via-se obrigado a pedir a demissão, com a convocação de eleições antecipadas. Com o vazio no poder no PS e no país - caso Cavaco Silva não resolvesse indicar um Executivo de iniciativa presidencial - Manuel Alegre concorria como candidato a primeiro-ministro, nunca negando a possibilidade de, em caso de maioria relativa, se aliar ao Bloco de Esquerda. De Louçã ou/e Miguel Portas (Daniel Oliveira poderia ser secretário de Estado da Cultura neste último caso).

b) Tudo isto se passava com mais ou menos um dos episódios, mas nas eleições antecipadas - ou em 2009 - o PSD de Luís Filipe Menezes ganhava as eleições, ou era simplesmente o mais votado, pela diferença mínima que fosse sobre o PS. Caso Cavaco Silva alguma vez o empossasse - e com a alta probalidade de o CDS não fazer parte de uma coligação - procurava governar sozinho, ou talvez aliar-se ao PCP ou à Frente Comum. Ribau Esteves e Marco António seriam ministros de Estado.

c) Perante o caos, Cavaco Silva iniciava um período de governos de iniciativa presidencial. Talvez reempossando José Sócrates como primeiro-ministro.

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Revistos alguns dos cenários alternativos e a realidade não é de admirar que os empresários ou os gestores - e os portugueses, maioritariamente - prefiram que isto continue como está, "deixe lá o Sócrates sossegado!" Os professores que se aguentem, pá! Mas mantendo a atitude passiva e continuando encostados ao Estado pode ser que todos se enganem e o pior dos pesadelos se possa realizar em 2009.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008
Pensar
Rudyard Kipling dizia qualquer coisa como “o poder sem responsabilidade é a prerrogativa das prostitutas ao longo dos tempos”. Exercem poder, porque o têm, mas não têm de assumir os custos desse mesmo poder. Findo o serviço, o cliente vai à sua vida, e elas também. É isto a (não) política em Portugal: um jogo em que ninguém é responsável por nada, em que se diz (e faz) o que se quiser, porque não há consequências. Só assim se justificam as afirmações de Luís Filipe Menezes, seja nos comentários que faz sobre a publicidade na televisão pública, seja nas leituras surreais (se assim lhes posso chamar) sobre as sondagens. Só assim se justifica esta permanente tensão do “sai ministro, não sai ministro?” em vez da discussão séria sobre os temas, indo a fundo às questões. Só assim se justifica a proliferação de não-problemas nos media, repletos de soundbytes inconsequentes, e a remissão do essencial para nota de rodapé. É a irresponsabilidade quase total.

O único sítio em que o poder teria de prestar contas (o parlamento) é o primeiro a evitar esta “accountability”, por exemplo quando persistentemente nega aos tribunais a retirada da impunidade aos seus deputados quase-arguidos. Foge à responsabilidade, e sabe-se ao abrigo de um vasto chapéu-de-chuva legal que o permite. Nós cultivamos o poder sem responsabilidade, e depois queixamo-nos das consequências. Se calhar, já era altura de olhar (e pensar) as causas.

publicado por Ana Margarida Craveiro
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Fim de semana em Lisboa


Informações úteis para quem estiver por cá. Não vá ao Marquês de Pombal se não quiser participar na "marcha da indignação".

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Para jantar e fumar
click para voltar à entrada

O mapa do fumador. Uma iniciativa de aplaudir contra o politicamente correcto destes tempos de neo-socialismo higiénico. Vai um cigarro?

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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O outro “monstro”
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Com o andar da carruagem, vão começar a ouvir-se mais gafes da candidatura de Obama. Como esta:

CHICAGO (Reuters) - A foreign policy adviser to Democratic presidential candidate Barack Obama resigned on Friday after calling campaign rival Hillary Clinton a "monster" during an interview with a British newspaper.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Pois é, BE
Escrevi aqui e no Meia Hora a propósito das desavenças entre Francisco Louçã e José Sá Fernandes a propósito da coligação com o PS, em Lisboa - e não só. Escrevi que existia um grupo que não concordava com a oposição pela oposição defendida por Louçã e que entende que o Bloco de Esquerda deverá estar preparado para assumir o poder, naturalmente em coligação com o PS. Nuno Ramos de Almeida comentou que eu devia andar a tomar ácidos. Vejo agora que não devo ser só eu. Vale a pena ler a entrevista de Ana Drago ao Semanário: Sinto uma necessidade de renovação no BE”. Ou ainda: "Essa ideia de que ocupar o lugar do poder necessariamente implica uma mácula... não creio que seja assim. Não pode ser assim". Pois não, já se tinha percebido. 

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Este fim de semana vamos ver um Sapo


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Às sete da tarde, depois das notícias
Rádio Europa Lisboa, 90.4 fm



clique para ouvir a emissão da europa

Fernando C. Gabriel e Bernardo Pires de Lima são os nossos convidados do Descubra as Diferenças, num debate como sempre a quatro vozes, comigo e com Antonieta Lopes da Costa, a directora da Rádio Europa.

Temas:

Desavenças no Bloco: entre Francisco Louçã e José Sá Fernandes sobre uma coligação autárquica do BE com o PS em Lisboa. Louçã diz que não, enquanto Sá Fernandes defende a coligação com António Costa. Tudo uma questão de poder? A quem faz mais falta o "Zé"?

Educação: para além da manifestação de dia 8 de Março, os protestos contra as políticas educativas tomam conta das ruas por todo o país. Por seu lado, o PS e o Governo mobilizam as estruturas do partido para o "grande comício nacional" do próximo dia 15, no Porto, que pode ser um teste à popularidade de José Sócrates. Terá a ministra condições para continuar?

Primárias norte-americanas: ao contrário do que muitos esperavam, as primárias nas presidenciais americanas de 2008 não foram o último episódio de Dynasty- nem o fim de Hillary. Bem pelo contrário: Hillary Clinton ganhou no Texas e no Ohio, e Barack Obama vai ter de continuar a batalhar até ao fim. É John McCain, agora candidato oficial dos Republicanos, quem ganha com tudo isto?

O clone de Putin: a sucessão nas eleições presidenciais russas, sob protestos contra uma possível fraude, veio demonstrar que o novo Presidente, Dmitri Medvedev, é um clone de Vladimir Putin. A estabilidade do poder deve ser a principal preocupação dos europeus- e do resto do mundo- ou devem-se anunciar e escrutinar as irregularidades registadas? Será que a Rússia poderá alguma vez vir a ser uma verdadeira democracia?

6ªf, 7 Março-19h
Domingo, 9 Março- 11h/19h


publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Rajoy: “Vamos a ganar esta batalla, vamos a derrotar a ETA”
Ver aqui.

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Como afirmar Portugal [Atlântico 35]
A afirmação de Portugal na economia global: visão e atitude

O caminho para Portugal se afirmar no quadro de uma economia global é difícil mas viável. É por isso que, segundo Joaquim Goes, a nossa afirmação no mundo passa pela construção de uma visão da sociedade com uma resposta global aos desafios da realidade e uma atitude de forte determinação, exigência e ambição. Que não existiram até agora

1.    A situação de partida

Portugal vive, desde há oito anos a esta parte, um processo sistemático de regressão do seu nível relativo de riqueza no contexto da União Europeia (ver em baixo Quadro 1). De facto, temos vindo a registar um empobrecimento progressivo desde há quase uma década, que resulta da baixa produtividade da nossa economia, traduzida numa redução do Produto Interno Bruto potencial (nível de crescimento sustentável de uma economia utilizando plenamente os factores disponíveis) desde o ano 2000, mantendo-se a expectativa de níveis reduzidos de PIB potencial pelo menos até 2009 (ver Quadro 2). Tudo isto tem condicionado a evolução do bem-estar da população e os níveis de coesão social, podendo mesmo levar a uma deterioração maior destas dimensões no futuro próximo.


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2.    As causas

As razões que estão subjacentes a esta lenta agonia têm essencialmente a ver com a dificuldade que a economia portuguesa tem revelado em se ajustar às condições competitivas dos nossos tempos, destacando-se, entre outros, os seguintes factores de constrangimento:

i.    A (boa) opção pela entrada em primeiro lugar para a CEE em 1986 e posteriormente em 2000 no pelotão da frente da Moeda Única, colocou-nos completa e irreversivelmente dentro de um quadro de intensa concorrência, onde mecanismos de proteccionismo aduaneiro ou monetário (que até então eram profusamente utilizados em Portugal) foram totalmente suprimidos;
ii.    O processo acelerado de globalização em que vivemos, baseado na cada vez maior interpenetração das economias e na eliminação de fronteiras físicas, sociais e culturais, potenciada pela explosão de uma tecnologia com cada vez maior impacto no comportamento das pessoas e das organizações (veja-se no fenómeno mundial em que se tornou a www em cerca de dez anos!), tem-nos conduzido a um mercado sem fronteiras onde o pensar e o actuar de forma global torna-se um imperativo de sobrevivência;
iii.    O crescimento das economias mais desenvolvidas, tem vindo, naturalmente, a ser baseado num crescente peso do sector terciário – nomeadamente através da prestação de serviços de maior valor acrescentado. Estas propostas de valor, têm necessariamente de ser – sustentadas na capacidade de inovação, no aproveitamento do potencial das novas tecnologias e em elevados padrões de qualidade de serviço, implicando a existência de populações activas com elevados níveis de qualificação e com capacidade e incentivos para se adaptarem a uma procura cada vez mais exigente e com uma estrutura de preferências em constante alteração. Esta “economia baseada no conhecimento” leva inexoravelmente ao acentuar das assimetrias entre países e dentro de cada país entre pessoas, assumindo-se a qualificação e a capacidade de adaptação à mudança como os factores determinantes da geração de riqueza/empregabilidade das populações.

É este o contexto com que Portugal (como de resto todos os países desenvolvidos) se tem vindo a confrontar nos últimos anos e com que vai ter de se confrontar, ainda de forma mais acentuada, no seu futuro.

3.    O que fazer – algumas pistas  

Em face deste enquadramento, o que pode (e deve) ser feito para inverter este ciclo de degradação sustentada da nossa posição competitiva e do nosso nível de riqueza no quadro da economia global?

Não existem seguramente receitas mágicas, mas se quisermos aspirar a um futuro mais prometedor teremos que necessariamente saber dar resposta às seguintes questões chave:

i.    As mudanças estruturais, por definição, só têm impacto no médio prazo, exigindo grande determinação/sacrifícios e cedências a todos os níveis da sociedade e requerendo um consenso alargado para a sua implementação. A dificuldade em qualquer processo de mudança, reside no facto de que a fase de transição/ajustamento ser necessariamente dolorosa, só sendo visíveis os seus benefícios numa fase subsequente. Esta capacidade de aceitar um conjunto de dificuldades é tanto menor quanto mais a sociedade (e é o nosso caso…) tenha vivido nos últimos anos um período significativo de aumento do seu nível de vida. (em muitos casos acima das suas possibilidades…) Mas para que qualquer processo de mudança seja bem sucedido, é igualmente fundamental que exista uma visão clara e o mais partilhada possível sobre os objectivos que se pretendem alcançar. Desta forma, é imperioso que consigamos construir uma visão sobre o modelo de sociedade que responda aos desafios de enquadramento em que estamos inseridos. Neste contexto, um debate alargado, envolvendo a sociedade civil, os partidos políticos e as associações representativas dos parceiros sociais afigura-se da maior importância! Uma classe política que só pensa em programas de governo, quando está na iminência de assumir responsabilidades governativas, não pode estabelecer uma estratégia de médio prazo com probabilidade de ser bem sucedida.

ii.    No quadro da economia global, em que os factores de competitividade estão associados à criação e à aplicação do conhecimento, existe um conjunto de dimensões-chave do posicionamento de um país, que são requisitos mínimos para o delinear de uma estratégia de afirmação no contexto internacional. Entre essas dimensões-chave, salientaria três (que serão alvo de análise mais aprofundada em artigos a publicar posteriormente):

•    Um sistema educativo de qualidade. No contexto de uma economia baseada no conhecimento, uma população com elevados níveis de qualificação é um requisito essencial para o aumento do bem-estar. Infelizmente, o sistema educativo português tem revelado problemas gravíssimos de desempenho há várias décadas, não se tendo vislumbrado melhorias significativas nos últimos anos. O panorama pode-se resumir sinteticamente nos seguintes indicadores, relativos ao ensino secundário:





Em suma, se não conseguirmos inverter estes resultados desoladores não poderemos criar as bases para uma convergência com as economias mais desenvolvidas do mundo.

•    Uma maior flexibilidade dos mercados dos factores. Uma das características mais importantes dos nossos dias é a velocidade com que os elementos de enquadramento mudam. Por isso, assegurar um quadro da actividade económica flexível e facilmente adaptável é um factor determinante para um ambiente favorável ao desenvolvimento da actividade económica. Em particular, há que criar um novo modelo de referência para as relações laborais, reduzindo os factores de rigidez hoje existentes relativamente ao factor trabalho (Portugal encontra-se em 123.º lugar em termos de flexibilidade laboral no ranking de 131 países elaborado pelo World Economic Forum). Na verdade, vivemos num mundo em que o conceito de relação laboral está a mudar de forma radical: ou as sociedades criam modelos que permitem a flexibilidade laboral ou a capacidade de atrair investimento e em última instância de manter (para já não falar em criar!) os postos de trabalho existentes estará fortemente ameaçada. É de resto para fazer face a esta inevitabilidade, que começaram a ser introduzidos conceitos como o da flexisegurança no Norte da Europa.

•    Um Estado com um posicionamento esclarecido, eficaz e eficiente. Um factor de afirmação e de competitividade da maior importância para qualquer país em geral e para Portugal em particular tem que ver com o papel do Estado na economia, designadamente ao nível de três dimensões-chave:



Num país habituado a um Estado paternalista em que, por um lado, o Estado é considerado como causa de todos os males e de quem, por outro lado, é esperada capacidade de resolução de todos os problemas, a resposta às questões atrás enunciadas ganham uma particular relevância e não se encontram minimamente respondidas. Na verdade, há que libertar recursos para a iniciativa privada e para isso é necessário ser-se muito eficiente, há que ser um facilitador do processo económico e para isso há que funcionar com eficácia, há que assegurar um conjunto de atribuições que só o Estado pode assumir (funções de soberania, administração da justiça, regulação dos mercados, redistribuição de riqueza, …) mas tão somente essas, responsabilizando mais os cidadãos e eliminando ímpetos intervencionistas. São estes os fundamentos de um Estado moderno, de um Estado que se assuma simultaneamente como um catalisador da actividade económica e como um garante da justiça social.

iii.    Ter uma postura de exigência e de ambição. Grande parte do sucesso das reformas estruturais a todos os níveis passam pela atitude e pela postura como essas mudanças são encaradas. Num contexto de uma intensidade concorrencial crescente e tendo vindo a registar no passado recente uma dinâmica económica fortemente negativa, Portugal, só com grande determinação e com uma postura de exigência e não de autocomplacência, poderá romper com a mediania e com o status quo. Como dizia Jacques Delors no contexto do processo da construção do Mercado Único: “hoje para sobrevivermos, temos que ser ambiciosos”.

O caminho que Portugal tem de trilhar para se afirmar no quadro de uma economia global é sinuoso mas viável. É por isso que a nossa afirmação no mundo passa pela construção de uma visão da sociedade que integre uma resposta global aos desafios da realidade que nos envolve e pressupõe uma atitude de forte determinação, exigência e ambição.

publicado por Atlântico
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A constituição do nosso atraso
O significado da Constituição portuguesa. Por André Abrantes Amaral.

publicado por André Alves
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Diálogo com quem?


Talvez seja altura de o Sr. Zapatero voltar a negociar com os senhores da ETA


(qualquer interpretação desta mensagem como um suposto apoio a Rajoy será considerada ofensiva).



publicado por Pedro Marques Lopes
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Distinguir
No fundo, há reservas muito legítimas em falar da dupla Sócrates/Menezes ou mesmo, passando para a estratosfera, das eleições americanas. De facto: porquê, de graça? (Eu perdi a paciência.) Não há nenhumas em relação a falar do ataque à escola talmúdica em Jerusalém, sobretudo quando imensa gente, quando o refere, fala logo da situação em Gaza. Aí está o essencial: o que permite verdadeiramente dividir. E pensar. E distinguir.

publicado por Paulo Tunhas
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Escola segura
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Polícia esteve pelo menos em quatro escolas
Escola das Caldas da Rainha também recebeu visita da PSP
07.03.2008 - 11h17 PÚBLICO

A PSP esteve ontem também a Escola Dom João II, nas Caldas da Rainha, o que eleva para quatro o número de estabelecimentos que se sabe terem sido visitadas por esta corporação em vésperas da manifestação de professores marcada para amanhã em Lisboa.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Separados à nascença?


Entre outras críticas ao Governo e à oposição, José Pedro Aguiar-Branco assinala nesta edição da Atlântico nas bancas um traço que parece ser comum a José Sócrates e a Luís Filipe Menezes: a tendência para a teoria da conspiração e para verem os adversários políticos como inimigos a abater. Sócrates e Menezes são, de facto, produtos de um mesmo tipo de escola política e poderiam ter sido companheiros na JSD. Não deixa de ser curioso que enquanto o primeiro-ministro se tenta colar à imagem austera de Cavaco Silva, Menezes procure imitar comportamentos de Sócrates. Quem fica a ganhar na comparação é sempre o produto original e nunca a imitação.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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A grande chapelada
Não sei o que mais será preciso para demonstrar que esta direcção está a destruir o PSD.

E agora, conselheiros nacionais?

publicado por Pedro Marques Lopes
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Por uma boa causa
Buy A Date With Scarlett Johansson:

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publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Revista Atlântico nos jornais electrónicos


No Portugal Diário

O ex-ministro da Justiça, José Pedro Aguiar Branco, criticou esta quinta-feira a liderança do PSD, exigindo a Luís Filipe Menezes que faça uma oposição ao Governo que seja «consistente, não errática, coerente e respeitadora da palavra dada», noticia a TSF.

As críticas de Aguiar Branco foram publicadas num artigo na revista Atlântico, onde o antigo ministro de Santana Lopes reprovou o facto do PSD ter voltado atrás no acordo da lei eleitoral autárquica e de o partido não ter apresentado uma alternativa ao mapa judiciário do Governo.

Lei dos partidos: Marques Guedes questiona PSD
PSD: eleições antecipadas é «cenário excluído»

No artigo da Atlântico, Aguiar Branco fala ainda do «novo-riquismo político» de muitos protagonistas que os leva a interiorizar as mesmas «fobias» do Governo de José Sócrates.

As críticas do ex-ministro da Justiça acontecem a dois dias do Conselho Nacional do PSD, a realizar este sábado, na Maia.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Joel Serrão (1919-2008)
No Annualia:

Historiador, investigador e ensaísta português (Funchal, 1919 - Lisboa, 6.3.2008). Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor liceal até 1972. Exerceu depois funções docentes na Universidade de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa. Pertenceu ao conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian. Dirigiu o Dicionário da História de Portugal, que ainda hoje constitui uma referência fundamental da historiografia portuguesa do século XX. Na linha da historiografia dos Annales, que marcou muito a sua época, dedicou particular atenção a problemas culturais e literários, especialmente do século XIX, privilegiando uma perspectiva sociológica e um ensaísmo de linha sergiana. De salientar os seus contributos para o conhecimento e revalorização de autores como Cesário Verde, Sampaio Bruno e D. Francisco Manuel de Melo. Foi também um dos pioneiros dos estudos pessoanos, sobretudo na compilação, edição e interpretação de textos sobre a sua ideia de Portugal e relações com o Sebastianismo.

Com A. H. de Oliveira Marques dirigiu também uma Nova História de Portugal e uma Nova História da Expansão Portuguesa.



A sua vasta obra abrange: O Carácter Social da Revolução de 1383 (1946), Cesário Verde: Interpretação, Poesias Dispersas e Cartas (1957), Sampaio Bruno: O Homem e o Pensamento (1959), Temas Oitocentistas I (1959), Temas de Cultura Portuguesa (1960), D. Francisco Manuel de Melo, Alterações de Évora-1637 (1967, Introdução, fixação do texto, Apêndice Documental e Notas),  Do Sebastianismo ao Socialismo em Portugal (1969), Iniciação ao Filosofar (1970), Cronologia Geral da História de Portugal (1971), Portugueses Somos (1975), O Sentido de Portugal segundo Fernando Pessoa (1976), Testemunhos sobre a Emigração Portuguesa (1978), Temas Oitocentistas II (1978), Fernando Pessoa, Cidadão do Imaginário (1981), Génese e Estrutura do Pensamento Sócio-Político de Antero de Quental: Introdução a Antero de Quental: Prosas Sócio-Políticas (1982), O Primeiro Fradique Mendes (1985), Notas sobre a situação da mulher portuguesa oitocentista (1986), Temas Históricos Madeirenses (1992).

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Joel Serrão (1919-2008)
"Ao contrário dos seus pares de antes do 25 de Abril de 1974, Joel Serrão conseguiu olhar a História sem óculos ideológicos (...) Dos intelectuais que viveram o antigo regime, Joel Serrão é o historiador que mais prezo, nomeadamente por ter sido capaz de fazer o `Dicionário de História de Portugal` editado pela Figueirinhas, que é um trabalho imenso", disse Maria Filomena Mónica à agência Lusa.(Sítio da RTP)

[Por lapso, publiquei uma fotografia aqui de Oliveira Marques e fui bem avisado pelo Politikos. Não consegui encontrar qualquer fotografia de Joel Serrão na internet]

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Começa hoje
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Para mais informações ver o sítio ou o blogue da ModaLisboa.

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Pedido numa caixa de comentários
Sou jornalista e estou a pesquisar para um tema que será: "A minha melhor amiga é... Homem!"
Para este tema, gostaria de encontrar Mulheres, que tenham um Homem como Melhor Amigo. Este amigo terá que ser o ombro amigo sempre presente desta mulher, aquele com quem ela fala sobre TUDO, enfim... mesmo o MELHOR AMIGO.
Isto servirá para comprovar que é possível ter um relacionamento com alguém do sexo oposto sem qualquer tipo de interesse.
Agradeço que se conhecerem algum caso, ou , alguém que se enquadre neste tema, me contacte para o 21 440 10 81, até sexta dia 7 de Março 08.
Muito obrigada

Carla Leal Ferreira

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As notícias que alguns esquecem de comentar
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Atirador palestiniano mata 8 em escola judaica em Jerusalém

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Serviço público
Com os parabéns atrasados para o Tiago Cavaco pelos 5 anos de Voz do Deserto:
Não é para celebrar o aniversário do blogue embora pudesse ser: no próximo Sábado, pelas 19h, a Carla Bomba Inteligente Quevedo e o Pedro Sobrado, do Teatro Nacional São João do Porto, vão estar na Igreja Baptista de S. Domingos de Benfica falando sobre Carisma. Os primeiros 40 têm direito a lugar sentado.


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